Majjhima Nikaya 22

Alagaddupama Sutta

O Smile da Cobra

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(Ambiente)

1. Assim ouvi.[1] Em certa ocasio o Abenoado estava em Savathi, no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika.

2. Agora, naquela ocasio uma idia perniciosa havia surgido na mente de um bhikkhu chamado Arittha, que antes havia sido um matador de abutres: Da forma como eu entendo o Dhamma ensinado pelo Abenoado, aquelas coisas que o Abenoado chama de obstrues no so capazes de obstruir algum que se ocupa com elas.[2]

3. Muitos bhikkhus, tendo ouvido isso, foram at o bhikkhu Arittha e perguntaram: Amigo Arittha, verdade que essa idia perniciosa surgiu na sua mente?

Exatamente, amigos. Da forma como eu entendo o Dhamma ensinado pelo Abenoado, aquelas coisas que o Abenoado chama de obstrues no so capazes de obstruir algum que se ocupa com elas.

Ento aqueles bhikkhus, desejando que ele deixasse de lado aquela idia perniciosa, o pressionaram, questionaram e examinaram desta forma: Amigo Arittha, no diga isto. No deturpe o Abenoado; no bom deturpar o Abenoado. O Abenoado no falaria dessa forma. Pois, em muitos discursos o Abenoado declarou como as coisas obstrutivas so obstrues, e como elas so capazes de obstruir quem se ocupa com elas. O Abenoado declarou que os prazeres sensuais proporcionam pouca gratificao, muito sofrimento, muito desespero e quanto perigo eles contm. Com o smile do osso ... com o smile do pedao de carne ... com o smile da tocha de capim ... com o smile da cova de carvo em brasa ... com o smile dos sonhos ... com o smile das mercadorias emprestadas ... com o smile da rvore carregada de frutos ... com o smile do matadouro ... com o smile da espada ... com o smile da cabea da cobra, o Abenoado declarou como os prazeres sensuais proporcionam pouca gratificao, muito sofrimento, muito desespero e quanto perigo eles contm.[3]

Apesar disso, mesmo tendo sido pressionado, questionado e examinado por eles desta forma, o bhikkhu Arittha, anteriormente um matador de abutres, ainda assim, obstinadamente manteve a sua idia perniciosa e continuou insistindo nela.

4. Visto que os bhikkhus foram incapazes de fazer com que ele se separasse dessa idia perniciosa, eles se dirigiram at o Abenoado e depois de cumpriment-lo sentaram a um lado e relataram o que havia ocorrido, adicionando: Venervel senhor, visto que fomos incapazes de fazer com que o bhikkhu Arittha, anteriormente um matador de abutres, se separasse dessa idia perniciosa, ns estamos reportando este assunto ao Abenoado.

5. Ento o Abenoado se dirigiu a um certo bhikkhu desta forma: Venha, bhikkhu, diga em meu nome, ao bhikkhu Arittha, anteriormente um matador de abutres, que o Mestre o chama. Sim, venervel senhor, ele respondeu e foi at o bhikkhu Arittha e lhe disse: O Mestre o chama, amigo Arittha.

Sim, Amigo, ele respondeu, e foi at o Abenoado e aps cumpriment-lo sentou a um lado. O Abenoado ento lhe perguntou: Arittha, verdade que a seguinte idia perniciosa surgiu em voc: Da forma como eu entendo o Dhamma ensinado pelo Abenoado, aquelas coisas que o Abenoado chama de obstrues no so capazes de obstruir algum que se ocupa com elas?

Exatamente isso, venervel senhor. Da forma como eu entendo o Dhamma ensinado pelo Abenoado, aquelas coisas que o Abenoado chama de obstrues no so capazes de obstruir algum que se ocupa com elas.

6. Homem tolo, para quem voc me viu ensinar o Dhamma dessa forma? Homem tolo, em muitos discursos eu no declarei como as coisas obstrutivas so obstrues, e como elas so capazes de obstruir quem se ocupa com elas? Eu declarei que os prazeres sensuais proporcionam pouca gratificao, muito sofrimento, muito desespero e quanto perigo eles contm. Com o smile do osso ... com o smile do pedao de carne ... com o smile da tocha de capim ... com o smile da cova de carvo em brasa ... com o smile dos sonhos ... com o smile das mercadorias emprestadas ... com o smile da rvore carregada de frutos ... com o smile do matadouro ... com o smile da espada ... com o smile da cabea da cobra, eu declarei que os prazeres sensuais proporcionam pouca gratificao, muito sofrimento e muito desespero e quanto perigo eles contm. Mas voc, homem tolo, nos deturpou com o seu entendimento incorreto, causou prejuzo para si mesmo e acumulou muito demrito; pois isto lhe causar dano e sofrimento por um longo tempo. [4]

7. Ento o Abenoado se dirigiu aos bhikkhus desta forma: Bhikkhus, o que vocs pensam? Este bhikkhu Arittha, anteriormente um matador de abutres, proporcionou algum lampejo de sabedoria para este Dhamma e Disciplina?

Como poderia ele, venervel senhor? No, venervel senhor.

Quando isto foi dito, o bhikkhu Arittha, anteriormente um matador de abutres, permaneceu sentado em silncio, consternado, com os ombros cados e a cabea baixa, deprimido e sem resposta. Ento, vendo isso, o Abenoado lhe disse: Homem tolo, voc ser reconhecido por sua prpria idia perniciosa. Eu questionarei os bhikkhus sobre este assunto.

8. Ento o Abenoado se dirigiu aos bhikkhus desta forma: Bhikkhus, vocs compreendem o Dhamma que eu ensino da mesma forma como este bhikkhu Arittha compreende, deturpando-nos com o seu entendimento incorreto e causando dano para si mesmo e acumulando muito demrito?

No, venervel senhor. Pois em muitos discursos o Abenoado declarou como as coisas obstrutivas so obstrues, e como elas so capazes de obstruir quem se ocupa com elas. O Abenoado declarou que os prazeres sensuais proporcionam pouca gratificao, muito sofrimento, muito desespero e quanto perigo eles contm. Com o smile do osso ... com o smile da cabea da cobra, o Abenoado declarou .... quanto perigo eles contm.

Muito bem bhikkhus. bom que vocs compreendam dessa forma o Dhamma que eu ensino. Pois em muitos discursos eu declarei como as coisas obstrutivas so obstrues, e como elas so capazes de obstruir quem se ocupa com elas. Eu declarei que os prazeres sensuais proporcionam pouca gratificao, muito sofrimento, muito desespero e quanto perigo eles contm. Com o smile do osso ... com o smile da cabea da cobra, eu declarei quanto perigo eles contm. Mas este bhikkhu Arittha nos deturpa com o seu entendimento incorreto e causa prejuzo para si mesmo e acumula muito demrito; pois isso levar esse homem tolo ao dano e sofrimento por um longo tempo.

9. Bhikkhus, que algum possa se ocupar com prazeres sensuais sem ter desejos sensuais, sem a percepo de desejos sensuais, sem pensamentos de desejos sensuais isso impossvel. [5]

(O Smile da Cobra)

10. Aqui bhikkhus, homens tolos aprendem o Dhamma sumrios, prosa e verso, anlises, versos, exclamaes, smiles, histrias de vidas passadas, eventos maravilhosos, perguntas e respostas mas tendo aprendido o Dhamma, eles no examinam o significado desses ensinamentos com sabedoria. No examinando o significado desses ensinamentos com sabedoria, eles no os aceitam atravs da reflexo. Ao invs disso eles aprendem o Dhamma somente com o propsito de criticar os outros e de se sarem vitoriosos em discusses e eles no experimentam o benefcio pelo qual aprenderam o Dhamma. Esses ensinamentos, tendo sido apreendidos por eles da forma incorreta, conduzem ao dano e sofrimento por muito tempo. [6]

Suponham um homem que precisa de uma cobra, procura uma cobra, perambula em busca de uma cobra, v uma cobra grande e agarra o seu tronco ou a sua cauda. Ela o ataca e morde a sua mo, brao, ou algum outro membro e por causa disso ele ir morrer ou ter um sofrimento igual morte. Por que isso? Porque ele apreendeu a cobra da maneira incorreta. Da mesma forma, homens tolos aprendem o Dhamma ... Esses ensinamentos, tendo sido apreendidos por eles da forma incorreta, conduzem ao dano e sofrimento por muito tempo.

11. Aqui bhikkhus, alguns membros de um cl aprendem o Dhamma sumrios ... perguntas e respostas e tendo aprendido o Dhamma, eles examinam o significado desses ensinamentos com sabedoria. Examinando o significado desses ensinamentos com sabedoria, eles os aceitam atravs da reflexo. Eles no aprendem o Dhamma com o propsito de criticar os outros e de se sarem vitoriosos em discusses, eles experimentam o benefcio pelo qual aprenderam o Dhamma. Esses ensinamentos, tendo sido apreendidos da forma correta, conduzem ao benefcio e felicidade por muito tempo.

Suponham um homem que precisa de uma cobra, procura uma cobra, perambula em busca de uma cobra, v uma cobra grande e a agarra da forma correta com uma forquilha e tendo feito isso a agarra da forma correta pelo pescoo. Ento, embora a cobra enrole o seu tronco em volta da sua mo, brao, ou algum outro membro, ele no ir morrer ou ter um sofrimento igual morte. Por que isso? Porque ele apreendeu a cobra da maneira correta. Da mesma forma, membros de um cl aprendem o Dhamma ... Esses ensinamentos, tendo sido apreendidos da forma correta, conduzem ao benefcio e felicidade por muito tempo.

12. Portanto bhikkhus, quando vocs entenderem o significado dos meus enunciados, lembrem-se deles da forma correta; e quando vocs no entenderem o significado dos meus enunciados, ento perguntem a mim ou aos bhikkhus que so sbios.

(O Smile da Balsa)

13. Bhikkhus, eu lhes mostrarei que o Dhamma semelhante a uma balsa, existindo para o propsito de cruzar (a torrente) e no para que vocs se agarrem a ele. [7] Ouam e prestem bastante ateno quilo que vou dizer. Sim, venervel senhor, os bhikkhus responderam. O Abenoado disse o seguinte:

Bhikkhus, suponham que um homem, no transcurso de uma viagem, visse uma grande extenso dgua, cuja margem mais prxima fosse perigosa e aterrorizante e cuja margem mais distante fosse segura e livre de terror mas que no houvesse uma balsa ou ponte que levasse at a margem mais distante. Ento ele pensaria: Ali est essa grande extenso de gua, cuja margem mais prxima perigosa e aterrorizante e cuja margem mais distante segura e livre de terror mas no h uma balsa ou ponte que leve at a margem mais distante. E se eu juntasse capim, gravetos, galhos e folhas e os amarrasse juntos para fazer uma balsa e suportado pela balsa, fazendo um esforo com as minhas mos e ps, eu atravessasse com segurana at a margem mais distante. E ento o homem juntou capim, gravetos, galhos e folhas e os amarrou juntos para fazer uma balsa e suportado pela balsa, fazendo um esforo com as mos e ps, atravessou com segurana at a margem mais distante. Ento, tendo cruzado e chegado na margem mais distante, ele poderia pensar da seguinte forma: Esta balsa me foi muito til, j que suportado por ela e fazendo um esforo com as minhas mos e ps, atravessei com segurana at a margem mais distante. E se eu a levantasse sobre a minha cabea ou a colocasse sobre o meu ombro e depois fosse aonde quisesse. Agora bhikkhus, o que vocs pensam? Agindo assim, esse homem estaria fazendo aquilo que deve ser feito com essa balsa?

No, venervel senhor.

Agindo de que forma esse homem estaria fazendo aquilo que deve ser feito com a balsa? Nesse caso, bhikkhus, quando aquele homem tivesse cruzado e chegado na margem mais distante ele pensaria desta forma: Esta balsa me foi muito til, j que suportado por ela e fazendo um esforo com as minhas mos e ps, atravessei com segurana at a margem mais distante. E se eu a carregasse at a terra firme ou a deixasse solta na gua e depois fosse aonde quisesse. Agora bhikkhus, agindo dessa forma que esse homem estaria fazendo o que deve ser feito com a balsa. Dessa forma eu lhes mostrei como o Dhamma semelhante a uma balsa, existindo com o propsito de cruzar (a torrente) e no para que vocs se agarrem a ele.

14. Bhikkhus, quando compreenderem que o Dhamma semelhante a uma balsa, vocs devem abandonar at mesmo os bons estados, o que no dizer dos estados ruins.[8]

(Pontos de Vista)

15. Bhikkhus, existem esses seis pontos de vista. [9] Quais seis? Aqui bhikkhus uma pessoa comum sem instruo, que no respeita os nobres, que no proficiente nem treinada no Dhamma deles, que no respeita os homens verdadeiros, que no proficiente nem treinada no Dhamma deles, considera a forma material da seguinte forma: Isso meu, isso sou eu, isso o meu eu.[10] Ele considera as sensaes da seguinte forma: Isso meu, isso sou eu, isso o meu eu. Ele considera as percepes da seguinte forma: Isso meu, isso sou eu, isso o meu eu. Ele considera as formaes volitivas da seguinte forma: Isso meu, isso sou eu, isso o meu eu. Ele considera aquilo que visto, ouvido, sentido, conscientizado, buscado, procurado, ponderado pela mente da seguinte forma: Isso meu, isso sou eu, isso o meu eu. [11] E este ponto de vista, isto , Aquilo que o eu, o mundo; aps a morte eu serei permanente, durarei para sempre, eternamente, no estarei sujeito mudana; eu durarei tanto quanto a eternidade isso tambm ele considera da seguinte forma: Isso meu, isso sou eu, isso o meu eu.[12]

16. Bhikkhus, um nobre discpulo bem instrudo, que respeita os nobres, que proficiente e disciplinado no Dhamma deles, que respeita os homens verdadeiros, que proficiente e disciplinado no Dhamma deles, considera a forma material da seguinte forma: Isso no meu, isso no sou eu, isso no o meu eu. Ele considera as sensaes da seguinte forma: Isso no meu, isso no sou eu, isso no o meu eu. Ele considera as percepes da seguinte forma: Isso no meu, isso no sou eu, isso no o meu eu. Ele considera as formaes volitivas da seguinte forma: Isso no meu, isso no sou eu, isso no o meu eu. Ele considera aquilo que visto, ouvido, sentido, conscientizado, buscado, procurado, ponderado pela mente da seguinte forma: Isso no meu, isso no sou eu, isso no o meu eu. E esse ponto de vista: Aquilo que o eu, o mundo; aps a morte eu serei permanente, durarei para sempre, eternamente, no estarei sujeito mudana; eu durarei tanto quanto a eternidade isso tambm ele considera da seguinte forma: Isso no meu, isso no sou eu, isso no o meu eu.

17. Visto que ele os considera dessa forma, ele no fica agitado por aquilo que no existe. [13]

(Agitao)

18. Quando isso foi dito, um certo bhikkhu perguntou ao Abenoado: Venervel senhor, pode haver agitao por algo que no existe externamente?

Pode haver, bhikkhu, o Abenoado disse. Aqui, bhikkhu, algum pensa desta forma: Ah, eu o tinha! Ah, eu no o tenho mais! Ah, que eu possa t-lo! Ah, eu no consigo! Ento ele fica triste, angustiado e lamenta, ele chora batendo no peito e fica perturbado. Assim como existe agitao por algo que no existe externamente.

19. Venervel senhor, pode no haver agitao por algo que no existe externamente?

Pode haver, bhikkhu, o Abenoado disse. Aqui, bhikkhu, algum no pensa desta forma: Ah, eu o tinha! Ah, eu no o tenho mais! Ah, que eu possa t-lo! Ah, eu no consigo! Ento ele no fica triste, no fica angustiado e no lamenta, ele no chora batendo no peito e no fica perturbado. Assim como no existe agitao por algo que no existe externamente.

20. Venervel senhor, pode haver agitao por algo que no existe internamente?

Pode haver, bhikkhu, o Abenoado disse. Aqui, bhikkhu, algum pensa desta forma: Aquilo que o eu, o mundo; aps a morte serei permanente, durarei para sempre, eternamente, no estarei sujeito mudana; durarei tanto quanto a eternidade. Ele ouve o Tathagata ou um discpulo do Tathagata ensinar o Dhamma para a eliminao de todos os pontos de vista, decises, obsesses, adeses, tendncias, para silenciar todas as formaes, para abandonar todas as aquisies, para a destruio do desejo, para o desapego, para a cessao, para Nibbana. Ele pensa desta forma: Portanto, eu devo ser aniquilado! Portanto, eu devo perecer! Portanto, eu no existirei mais! Ento ele fica triste, angustiado e lamenta, ele chora batendo no peito e fica perturbado. Assim como existe agitao por algo que no existe internamente.

21. Venervel senhor, pode no haver agitao por algo que no existe internamente?

Pode haver, bhikkhu, o Abenoado disse. Aqui, bhikkhu, algum no pensa desta forma: Aquilo que o eu, o mundo ... eu durarei tanto quanto a eternidade. Ele ouve o Tathagata ou um discpulo do Tathagata ensinar o Dhamma para a eliminao de todos os pontos de vista, decises, obsesses, adeses, tendncias, para silenciar todas as formaes, para abandonar todas as aquisies, para a destruio do desejo, para o desapego, para a cessao, para Nibbana. Ele no pensa desta forma: Portanto, eu devo ser aniquilado! Portanto, eu devo perecer! Portanto, eu no existirei mais! Ento ele no fica triste, no fica angustiado e no lamenta, ele no chora batendo no peito e no fica perturbado. Assim como no existe agitao por algo que no existe internamente.

(Impermanncia e No-eu)

22. Bhikkhus, vocs podem muito bem tomar algo como permanente, duradouro, eterno, no sujeito mudana, durando tanto quanto a eternidade.[14] Mas vocs conseguem ver algo desse tipo, bhikkhus? No venervel senhor. Muito bem bhikkhus. Eu tambm no consigo ver nada permanente, duradouro, eterno, no sujeito mudana, durando tanto quanto a eternidade.

23. Bhikkhus, vocs podem muito bem se agarrar a uma doutrina de um eu que no faa surgir a tristeza, lamentao, dor, angstia e desespero naquele que nela se agarre. [15] Mas vocs conseguem ver alguma doutrina de um eu como essa bhikkhus? No venervel senhor. Muito bem bhikkhus. Eu tambm no consigo ver uma doutrina de um eu que no faa surgir a tristeza, lamentao, dor, angstia e desespero naquele que nela se agarre.

24. Bhikkhus, vocs podem muito bem se apoiar numa idia que no faa surgir a tristeza, lamentao, dor, angstia e desespero naquele que a tome como apoio.[16] Mas vocs conseguem ver alguma idia para se apoiar bhikkhus? No venervel senhor. Muito bem bhikkhus. Eu tambm no consigo ver nenhuma idia que no faa surgir a tristeza, lamentao, dor, angstia e desespero naquele que a tome como apoio.

25. Bhikkhus, existindo um eu, haveria aquilo que pertence ao eu?[17] - Sim, venervel senhor. Ou, havendo aquilo que pertence a um eu, existiria o eu? Sim, venervel senhor. Bhikkhus, visto que um eu e aquilo que pertence a um eu no so encontrados como verdadeiros e estabelecidos, ento este ponto de vista: Aquilo que o eu, o mundo; aps a morte serei permanente, durarei para sempre, eternamente, no estarei sujeito mudana; durarei tanto quanto a eternidade no seria um ensinamento absolutamente e completamente tolo?

O que mais poderia ser, venervel senhor? Seria um ensinamento absolutamente e completamente tolo.

26. Bhikkhus, o que vocs pensam? A forma material permanente ou impermanente? Impermanente, venervel senhor. Aquilo que impermanente sofrimento ou felicidade? Sofrimento, venervel senhor. Aquilo que impermanente, sofrimento e sujeito mudana, correto que seja assim considerado: Isso meu, isso sou eu, isso o meu eu? No, venervel senhor.

Bhikkhus, o que vocs pensam? A sensao ... percepo ... as formaes volitivas ... a conscincia so permanentes ou impermanentes? Impermanentes, venervel senhor. Aquilo que impermanente sofrimento ou felicidade? Sofrimento, venervel senhor. Aquilo que impermanente, sofrimento e sujeito mudana, correto que seja assim considerado: Isso meu, isso sou eu, isso o meu eu? No, venervel senhor.

27. Ento bhikkhus, qualquer tipo de forma material ... sensao ... percepo ... formaes volitivas ... conscincia, quer seja do passado, futuro ou presente, interna ou externa, grosseira ou sutil, inferior ou superior, prxima ou distante, toda forma material deve ser vista como na verdade ela , com a correta sabedoria, assim: Isso no meu, isso no sou eu, isso no o meu eu.

28. Vendo dessa forma bhikkhus, um nobre discpulo bem instrudo se desencanta da forma material, se desencanta da sensao, se desencanta da percepo, se desencanta das formaes volitivas, se desencanta da conscincia.

29. Desencantado, ele se torna desapegado. Atravs do desapego a sua mente libertada.[18] Quando ela est libertada surge o conhecimento: Libertada. Ele compreende que: O nascimento foi destruido, a vida santa foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, no h mais vir a ser a nenhum estado.

(O Arahant)

30. Bhikkhus, este bhikkhu aquele cuja haste foi levantada, cuja vala foi preenchida, cujo pilar foi desenraizado, aquele que no possui ferrolho, um nobre cuja bandeira est abaixada, cujo fardo foi deposto, aquele que no est aprisionado.

31. E como o bhikkhu, aquele cuja haste foi levantada? Aqui, o bhikkhu abandonou a ignorncia, cortou-a pela raiz, fez como com um tronco de palmeira eliminando-a de tal forma que no estar mais sujeita a um futuro surgimento. Assim o bhikkhu, aquele cuja haste foi levantada.

32. E como o bhikkhu, aquele cuja vala foi preenchida? Aqui, o bhikkhu abandonou o ciclo de renascimentos que traz a renovao do ser/existir, cortou-o pela raiz ... no estar mais sujeito a um futuro surgimento. Assim o bhikkhu, aquele cuja vala foi preenchida.

33. E como o bhikkhu, aquele cujo pilar foi desenraizado? Aqui, o bhikkhu abandonou o desejo, cortou-o pela raiz ... no estar mais sujeito a um futuro surgimento. Assim o bhikkhu, aquele cujo pilar foi desenraizado.

34. E como o bhikkhu, aquele que no possui ferrolho? Aqui o bhikkhu abandonou os cinco primeiros grilhes, cortou-os pela raiz ... no estar mais sujeito a um futuro surgimento. Assim o bhikkhu, aquele que no possui barreiras.

35. E como o bhikkhu, que um nobre, cuja bandeira est abaixada, cujo fardo foi deposto, que no est aprisionado? Aqui, o bhikkhu abandonou a presuno Eu sou, cortou-a pela raiz ... no estar mais sujeito a um futuro surgimento. Assim o bhikkhu, que um nobre, cuja bandeira est abaixada, cujo fardo foi deposto, que no est aprisionado.

36. Bhikkhus, quando os devas com Indra, Brahma e Pajapati procuram um bhikkhu que tenha a mente libertada, eles nada encontram: A conscincia daquele assim ido suportada por isso. Por que? Aquele assim ido, eu digo, no deixa um rastro no aqui e agora.[19]

(Deturpao do Tathagata)

37. Assim dizendo, bhikkhus, assim proclamando, fui deturpado por alguns contemplativos e brmanes, sem fundamento, por vaidade, de maneira falsa e incorreta, desta forma: O contemplativo Gotama conduz por caminhos errados; ele ensina a aniquilao, a destruio, a exterminao de um ser existente.[20] Como no sou, como no proclamo, ento fui deturpado por alguns contemplativos e brmanes, sem fundamento, por vaidade, de maneira falsa e incorreta, desta forma: O contemplativo Gotama conduz por caminhos errados; ele ensina a aniquilao, a destruio, a exterminao de um ser existente.

38. Bhikkhus, tanto antes como agora o que eu ensino o sofrimento e a cessao do sofrimento.[21] Se algum insulta, ofende, xinga e molesta o Tathagata, por conta disso o Tathagata no sente nenhuma contrariedade, amargura ou tristeza no seu corao. E se algum honra, respeita, reverencia e venera o Tathagata, por conta disso o Tathagata no sente prazer, alegria ou exaltao no seu corao. Se algum honra, respeita, reverencia e venera o Tathagata, por conta disso o Tathagata pensa da seguinte forma: Eles realizam esse tipo de ao para aquilo que j foi completamente compreendido.[22]

39. Portanto, bhikkhus, se algum os insultar, ofender, xingar e molestar, vocs no devero, por conta disso, dar lugar a nenhuma contrariedade, amargura ou tristeza no seu corao. E se algum os honrar, respeitar, reverenciar e venerar, vocs no devero, por conta disso, dar lugar a nenhum prazer, alegria ou exaltao no seu corao. Se algum os honrar, respeitar, reverenciar e venerar, por conta disso, vocs devem pensar da seguinte forma: Eles realizam esse tipo de ao para aquilo que j foi completamente compreendido.

(No Seu)

40. Portanto, bhikkhus, tudo aquilo que no seu, abandonem-no. Ao abandon-lo, isso ir conduzir ao seu bem-estar e felicidade por muito tempo. E o que, bhikkhus, no seu? A forma material no sua, abandonem-na. Ao abandon-la, isso ir conduzir ao seu bem-estar e felicidade por muito tempo. A sensao no sua, abandonem-na. Ao abandon-la, isso ir conduzir ao seu bem-estar e felicidade por muito tempo. A percepo no sua, abandonem-na. Ao abandon-la, isso ir conduzir ao seu bem-estar e felicidade por muito tempo As formaes volitivas no so suas, abandonem-nas. Ao abandon-las, isso ir conduzir ao seu bem-estar e felicidade por muito tempo. A conscincia no sua, abandonem-na. Ao abandon-la, isso ir conduzir ao seu bem-estar e felicidade por muito tempo.[23]

41. Bhikkhus, o que vocs pensam? Se as pessoas levassem embora a grama, gravetos, galhos e folhas deste bosque de Jeta, ou se os queimassem, ou fizessem com eles o que desejassem, vocs pensariam: As pessoas esto nos levando ou esto nos queimando ou esto fazendo conosco o que desejam? No, venervel senhor. Por que no? Porque isso no nem nosso eu, nem pertence ao nosso eu. Da mesma forma, bhikkhus, tudo aquilo que no seu, abandonem-no. Ao abandon-lo, isso ir conduzir ao seu bem-estar e felicidade por muito tempo. E o que, bhikkhus, no seu? A forma material no sua ... A sensao no sua ... A percepo no sua ... As formaes volitivas no so suas ... A conscincia no sua, abandonem-na. Ao abandon-la, isso ir conduzir ao seu bem-estar e felicidade por muito tempo.

(Neste Dhamma)

42. Bhikkhus, o Dhamma bem proclamado por mim, dessa forma, claro, aberto, evidente e livre de remendos. [24] No Dhamma bem proclamado por mim, dessa forma, que claro, aberto, evidente e livre de remendos, no existe um ciclo [futuro] de manifestao no caso daqueles bhikkhus que so arahants, com as impurezas destrudas, que viveram a vida santa, fizeram o que devia ser feito, depuseram o fardo, alcanaram o verdadeiro objetivo, destruram os grilhes da existncia e esto completamente libertados atravs do conhecimento supremo.[25]

43. Bhikkhus, o Dhamma bem proclamado por mim, dessa forma, claro ... livre de remendos. No Dhamma bem proclamado por mim, dessa forma, que claro ... livre de remendos, aqueles bhikkhus que abandonaram os cinco primeiros grilhes iro todos, com certeza, renascer espontaneamente [na Morada Pura] e l realizar o parinibbana, sem nunca mais retornar daquele mundo.

44. Bhikkhus, o Dhamma bem proclamado por mim, dessa forma, claro ... livre de remendos. No Dhamma bem proclamado por mim, dessa forma, que claro ... livre de remendos, aqueles bhikkhus que abandonaram os trs primeiros grilhes e atenuaram o desejo, raiva e deluso iro todos retornar uma vez a este mundo para dar fim ao sofrimento.

45. Bhikkhus, o Dhamma bem proclamado por mim, dessa forma, claro ... livre de remendos. No Dhamma bem proclamado por mim, dessa forma, que claro ... livre de remendos, aqueles bhikkhus que abandonaram os trs primeiros grilhes so aqueles que entraram na correnteza, no mais destinados aos mundos inferiores, com o destino fixo, eles tm a iluminao como destino.

46. Bhikkhus, o Dhamma bem proclamado por mim, dessa forma, claro ... livre de remendos. No Dhamma bem proclamado por mim, dessa forma, que claro ... livre de remendos, aqueles bhikkhus que so discpulos do Dhamma e discpulos pela f, esto todos destinados iluminao. [26]

47. Bhikkhus, o Dhamma bem proclamado por mim, dessa forma, claro ... livre de remendos. No Dhamma bem proclamado por mim, dessa forma, que claro ... livre de remendos, aqueles bhikkhus que possuem f suficiente em mim, amor suficiente por mim, esto todos destinados ao paraso. [27]

Isso foi o que disse o Abenoado. Os bhikkhus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Abenoado.

 


 

Notas:

Veja o comentrio de Ajaan Thanissaro.

[1] Este sutta, com uma bela introduo e notas explicativas detalhadas, tambm est disponvel no ingls em uma traduo feita por Nyanaponika Thera. [Retorna]

[2] De acordo com o MA, enquanto refletia isolado ele chegou concluso de que no haveria dano se os bhikkhus mantivessem relaes sexuais com mulheres e ele sustentava que isso no deveria ser proibido pelas regras monsticas. Embora a frase no mencione expressamente a questo sexual, os smiles dos prazeres sensuais, mencionados pelos bhikkhus, do credibilidade ao comentrio. [Retorna]

[3] Os primeiros sete smiles dos prazeres sensuais so explicados em mais detalhe no MN 54.15-21. [Retorna]

[4] A primeira parte do caso de Arittha aparece duas vezes no Vinaya Pitaka. No Vin ii.25 aparece a conseqncia na Sangha, proclamando um ato de suspenso, (ukkhepaniyakamma), contra Arittha, pela sua recusa em abrir mo da sua idia incorreta. No Vin iv.133-34 a sua recusa em abandonar a sua idia incorreta aps repetidas advertncias definida como uma ofensa monstica da categoria Pacittiya. [Retorna]

[5] Embora o Pali use a palavra kama nos quatro casos, atravs do contexto da primeira frase deve ser entendido que esta se refere a prazeres sensuais objetivos, isto , objetos que so desfrutados sensualmente, as outras frases se referem a impurezas subjetivas conectadas com a sensualidade, isto , desejo sensual. MA equipara, que algum possa se ocupar com prazeres sensuais, com, que algum desfrute de uma relao sexual. MT diz que outros atos fsicos que expressam desejo sexual como o abrao e a carcia tambm devem ser includos. [Retorna]

[6] MA explica que esta passagem mencionada com o objetivo de mostrar o defeito em adquirir o conhecimento intelectual do Dhamma com a motivao incorreta aparentemente a armadilha na qual Arittha havia cado. O benefcio, (attha), pelo qual ele aprendeu o Dhamma so os caminhos e os frutos. [Retorna]

[7] Este conhecido smile da balsa prossegue com o mesmo argumento contra o mal uso do aprendizado apresentado pelo smile da cobra. Algum que se preocupa em usar o Dhamma para gerar controvrsia e ganhar discusses carrega o Dhamma sobre a cabea ao invs de us-lo para cruzar a torrente. [Retorna]

[8] Dhamma pi vo pahatabba pageva adhamma. MA identifica os bons estados como sendo a tranqilidade e o insight, (samatha-vipassana), e parafraseia o significado: Eu ensino, bhikkhus, at mesmo o abandono do desejo e apego a esses estados sublimes e cheios de paz, como a tranqilidade e o insight, tanto mais essa coisa baixa, vulgar, desprezvel, grosseira e impura que esse tolo Arittha considera incua, quando diz que no existe obstruo no desejo e cobia pelos cinco prazeres sensuais. O comentarista cita o MN 66.26-33 como um exemplo do Buda ensinando o abandono do apego tranqilidade e o MN 38.14 como um exemplo dele ensinando o abandono do apego ao insight. Note que em cada caso o apego aos bons estados que deve ser abandonado, no os bons estados em si. A determinao do Buda no um convite a um niilismo moral ou uma sugesto de que a pessoa iluminada tenha superado o bem e o mal. Com relao a isso veja o MN 76.51 [Retorna]

[9] Esta seo evidentemente tem o propsito de antecipar um outro tipo de conceito errado e deturpado do Dhamma, isto , a introduo da idia de um eu nos ensinamentos. De acordo com MA, os pontos de vista, (ditthitthana), tanto so idias incorretas em si mesmas, como tambm base para outras idias incorretas mais elaboradas; os objetos das idias, isto , os cinco agregados; e as condies para as idias, isto , tais fatores como a ignorncia, percepo distorcida, pensamentos incorretos, etc. [Retorna]

[10] MA menciona que a noo isso meu induzida pelo desejo, a noo isso sou eu pela presuno e a noo isso o meu eu pelas idias incorretas. Esses trs desejo, presuno e idias so denominados as trs obsesses, (gaha). Eles so tambm a causa principal por detrs da concepo (MN 1) e da proliferao mental (MN 18). [Retorna]

[11] MA: Esta srie de termos mostra o agregado da conscincia de forma indireta, atravs do seu objeto. O visto aponta para a conscincia no olho, o ouvido para a conscincia no ouvido, o sentido para os outros trs tipos de conscincia nos sentidos e o ltimo se refere conscincia na mente. [Retorna]

[12] Esta uma verso completa da viso do eterno que surgiu com base em uma idia anterior, mais rudimentar, acerca da identidade; neste caso ela se torna em si mesma um objeto do desejo, presuno e a falsa idia de um eu. Essa idia parece refletir a filosofia dos Upanishads que afirma a identidade de um eu individual, (atman), com o espirito universal, (brahman), embora seja difcil estabelecer com base nos textos se o Buda tinha conhecimento acerca dos Upanishads. [Retorna]

[13] Asati na paritassati. O substantivo paritassana de acordo com MA tem a dupla conotao de medo e desejo, dessa forma agitao foi escolhida como contendo ambos. Agitao por aquilo que no existe externamente (verso 18) refere-se ao desespero pela perda ou no aquisio de posses; agitao por aquilo que no existe internamente (verso 20) o desespero daquele que cr no eterno ao interpretar equivocadamente o ensinamento do Buda acerca de Nibbana como sendo uma doutrina de aniquilao. [Retorna]

[14] Pariggaham pariganhayyatha, literalmente, voc pode possuir esse objeto. Isto se conecta com o verso 18 acerca da agitao por posses externas. [Retorna]

[15] Attavadupadanam upadiyetha, literalmente, voc pode se apegar a esse apego a uma doutrina de um eu. Este trecho se conecta com o verso 20 acerca da agitao que surge de uma idia acerca de um eu. [Retorna]

[16] O apoio em idias, (ditthinissaya), de acordo com MA so as 62 idias mencionadas no Brahmajala Sutta (DN 1) que emergem da idia da identidade ou doutrina de um eu. Tambm pode incluir a idia perniciosa adotada por Arittha no incio do sutta. [Retorna]

[17] A noo que pertence ao eu ou propriedade de um eu, (attaniya), atribuda a qualquer um dos cinco agregados que no seja identificado como eu, bem como a todas as posses externas do indivduo. Esta passagem mostra a dependncia mtua e dessa forma a falta de sustentao das noes gmeas eu e meu. [Retorna]

[18] De acordo com os comentrios, desencantamento, (nibbida - tambm interpretado como nusea ou nojo), significa o estgio mximo de insight, desapego, (viraga), realizar o caminho supramundano e libertao, (vimutti), o fruto.[Retorna]

[19] Assim ido ou assim vindo em Pali, tathagata, o epiteto usual do Buda, mas neste caso aplicado de uma maneira mais ampla ao arahant. MA interpreta este trecho de duas formas alternativas: (1) O arahant mesmo estando vivo no pode ser detectado no aqui e agora como um ser ou indivduo (no sentido da presena de um eu) porque em ltima instncia no existe um ser (um eu). (2) O arahant no pode ser detectado no aqui e agora porque impossvel que os devas, etc. encontrem o suporte para a sua conscincia de insight, a conscincia do caminho supramundano ou a conscincia do fruto, (vipassanacitta, maggacitta, phalacitta) ; isto , sendo Nibbana o objeto, a sua mente no pode ser conhecida pelo ser mundano. [Retorna]

[20] Isto se refere ao verso 20 onde aquele que cr no eterno confunde o ensinamento do Buda acerca de Nibbana, a cessao do ser, como envolvendo a aniquilao de um ser considerado como sendo o eu. [Retorna]

[21] A importncia desta afirmao mais profunda do que parece. No contexto das falsas acusaes do verso 37, o Buda afirma que ele ensina que um ser vivo no um eu mas um mero conglomerado de fatores, eventos materiais e mentais, conectados num processo que inerentemente dukkha e que Nibbana, a cessao do sofrimento, no a aniquilao de um ser mas o trmino desse processo insatisfatrio. Esta afirmao deve ser lida em conjunto com o SN XII.15, onde o Buda diz que uma pessoa com o entendimento correto, que deixou de lado todas as doutrinas de um eu, v que tudo aquilo que surge somente dukkha surgindo e tudo aquilo que cessa somente dukkha cessando. [Retorna]

[22] Aquilo que j foi completamente compreendido, (pubbe pariatam), so os cinco agregados. J que so somente eles que recebem as demonstraes de honra e ofensa, no um eu, no existe razo para a sublimidade ou depresso. [Retorna]

[23] MA indica que o apego aos cinco agregados que deve ser abandonado; os agregados em si no podem ser despedaados ou arrancados. [Retorna]

[24] MA: Chinna-pilotika: pilotika um trapo rasgado e gasto, remendado e com ns aqui e ali; no existe nada (no Dhamma) como isso rasgado, gasto, remendado e com ns representados pela hipocrisia e outras enganaes. [Retorna]

[25] Isto : como os arahants alcanaram a libertao de todo o ciclo de existncia, impossvel apontar algum mundo, dentro do ciclo, em que eles possam renascer. [Retorna]

[26] Essas so as duas classes de indivduos que se encontram no caminho de entrar na correnteza. Discpulos do Dhamma, (dhammanusarin), so discpulos, para quem a faculdade da sabedoria, (paindryia), predominante, que desenvolvem o nobre caminho liderados pela sabedoria; quando atingem o fruto, eles so chamados de aqueles que realizaram a viso, (ditthipatta). Discpulos pela F, (saddhanusarin), so discpulos, para quem a faculdade da f, (saddhindriya), predominante, que desenvolvem o nobre caminho liderados pela f; quando alcanam o fruto, eles so chamados de liberados pela f, (saddhavimutta). [Retorna]

[27] MA diz que isto se refere a pessoas dedicadas prtica da meditao de insight que ainda no obtiveram nenhuma realizao supramundana. Note que eles esto destinados apenas ao paraso, no iluminao. Mas, se a sua prtica amadurecer, eles podem alcanar o caminho de entrar na correnteza e dessa forma obter a segurana de alcanar a iluminao. A expresso saddhamattam pemamattam pode ser interpretada como simplesmente f, simplesmente amor ou s f, s amor, mas isto no explica a garantia de renascimento no paraso. Portanto, parece obrigatrio termos que usar o sufixo matta significando uma certa quantidade necessria de f e amor e no simplesmente a posse dessas qualidades. [Retorna]

 

 

Revisado: 2 Abril 2014

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