Eu sei, mas eu no sei:
Contemplao da Morte

Por

Ajahn Brahmavamso

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Uma palestra dada aos monges no Bodhinyana Monastery em 20 de dezembro de 2000.

Sabbe satta maranti ca
marimsu ca marissare,
tath'evaham marissami,
n'atthi me ettha samsayo
.

Muitos de vocs se lembraro desses versos (gatha), que entoei em Pali no incio desta palestra. Eles significam, "Todos os seres esto sujeitos morte, faz parte da natureza deles morrer, e eu tambm vou morrer, disso no tenho a menor dvida". um daqueles belos cnticos que temos no Budismo. Ele est relacionado com o fato de que cada um de ns ir morrer. Vou usar essa contemplao da morte para a palestra do Dhamma de hoje.

Em particular, esta tarde, eu estava pensando sobre o terreno que estamos comprando em frente ao nosso monastrio. Estava pensando quo maravilhoso seria se pudssemos usar uma parte daquele terreno como um crematrio Budista. Os monges poderiam ir l noite e apenas contemplar a morte, perto do crematrio ou at mesmo no interior dele. A contemplao da morte faz parte da nossa tradio.

A Iluso da Vida

Eu disse aos leigos, que em breve vo me acompanhar numa viagem para a ndia e depois para o Nordeste da Tailndia, para visitar o Wat Pah Nanachat, o monastrio onde passei tantos anos, que, se tiverem sorte, h uma boa chance de verem um funeral Budista. L, o corpo da pessoa que morreu no higienizado por embalsamadores. Ele simplesmente colocado em um caixo muito simples, de forma que todos possam ir e olhar, e at mesmo tocar, a pessoa que morreu. Em seguida, ele cremado a cu aberto. A madeira muito barata do caixo rapidamente queima para revelar o corpo. O corpo queima parte por parte, pouco a pouco, e voc pode ver os membros do corpo se separando um dos outros. Voc pode ver o crnio estalar e explodir, e todas as outras partes do corpo, no final, simplesmente consumidas pelo fogo. Depois de muitas horas, tudo o que restam so os ossos. Ter a oportunidade de ver a morte em seu estado cru um privilgio maravilhoso na vida. Por higienizar a morte estamos preservando a iluso da vida.

A iluso de que a vida vai durar para sempre. Todo o propsito da vida apenas a busca de prazeres e diverses, e o acmulo de riqueza. Na perspectiva da morte, todas essas coisas tolas, que fazemos na vida, parecem ser to obviamente estpidas. Ns as vemos como coisas que so completamente sem valor.

Ouvimos recentemente de um par de monges que largaram os mantos. Se eles apenas pudessem ter ido a um funeral, e tivessem a oportunidade de assistir a um corpo sendo queimado, eles poderiam ter sido capazes de se verem naquelas chamas. Um dia isso certamente ir acontecer com eles. Toda a busca: pelos prazeres sensuais, para ter relacionamentos, casar-se, ter casas, acumular riquezas e carros, ter experincias, ir at a Amaznia, ou fazer caminhada (trekking) no Himalaia; o que isso tudo significa diante da morte?

O Irmo de Asoka

Uma das minhas anedotas favoritas sobre a morte a histria do irmo de Asoka [1]. Asoka foi o Imperador da ndia que se tornou Budista. Asoka tinha um irmo, chamado V'tasoka, que parecia ser completamente no espiritual, e que estava imerso nos prazeres sensuais. Sendo irmo do Imperador, este lhe proporcionou muitas oportunidades para se entregar a esses prazeres. A fim de levar seu irmo para a compreenso do Dhamma, Asoka montou uma armadilha para ele.

Como vou recontar a histria, com alguma licena literria, o Imperador estava em seu banho enquanto as suas vestes e insgnias foram colocadas do lado de fora. Asoka tinha combinado com alguns de seus conselheiros mais prximos para estarem andando junto com seu irmo e, como que por acaso, para passarem pela casa de banho. Apontando para as vestes do Imperador sobre um banco, os conselheiros disseram ao irmo de Asoka, "Por que no as experimenta? Quem sabe? Um dia, quando seu irmo morrer, provavelmente voc ser o Imperador. Experimente-as. V em frente, vai dar tudo certo". Num primeiro momento o irmo no queria fazer aquilo. Ele sabia que era ilegal faz-lo. Mas no final, ele foi vencido por seu orgulho. Quem no gostaria de se vestir com as roupas do Imperador? Foi tudo pr-planejado, e assim que ele estava se vestindo com as roupas do Imperador, o Imperador Asoka saiu da casa de banho e o pegou em flagrante!

O Imperador perguntou: "O que voc est fazendo? Voc est usurpando o trono? Voc um traidor?" Como isso era um crime, o Imperador disse, "Mesmo que voc seja meu irmo, eu tenho que administrar a lei com imparcialidade. A penalidade para isso a pena de morte."

Apesar dos apelos desesperados do seu prprio irmo por misericrdia, o Imperador insistiu em manter a lei e que seu infeliz irmo fosse executado. No entanto, ele acrescentou: "Vendo que voc meu irmo, e o tanto que voc gostaria de ser Imperador, pelos prximos sete dias voc pode desfrutar de todos os prazeres de um Imperador. Mas voc no ter que cuidar de nenhuma das responsabilidades. Voc pode desfrutar do meu harm. Voc pode ter tudo o que voc quiser comer. E qualquer entretenimento que eu desfrute, voc pode desfrutar tambm. Os prazeres do Imperador so seus por sete dias. Mas depois de sete dias, voc vai ser executado". Em seguida, o Imperador saiu.

Aps sete dias, o Imperador Asoka convocou seu irmo para o local da execuo. O Imperador lhe perguntou: "Voc desfrutou do meu harm, com todas aquelas belas mulheres? Voc desfrutou dos melhores alimentos das minhas cozinhas? Voc desfrutou dos meus msicos e outros artistas? O irmo olhou para o cho, de ombros cados e disse: Como eu poderia desfrutar de tudo isso? Eu no pude nem ao menos desfrutar de uma noite de sono. Como se pode desfrutar de alguma coisa quando se sabe que est prestes a ser executado?

O Imperador sorriu e disse: Agora voc pode entender!

Sejam sete dias, sete meses, sete anos ou setenta anos, como voc pode desfrutar dos prazeres sensuais, tais como: sexo, esportes, filmes, viajar ou acumular posses? Como voc pode desfrutar de tudo isso quando voc sabe que vai ser executado? Sejam sete dias, sete meses, sete anos ou setenta anos, logo todos vocs estaro mortos. Atravs desta experincia, o irmo aprendeu muito sobre o Dhamma. Ele se tornou um praticante Budista dedicado a partir daquela ocasio, e manteve os preceitos. Seu insight sobre o significado da morte deixou claro para ele o que era importante na vida.

Eu sei, mas eu no sei

O Buda queria que seus discpulos contemplassem a morte da mesma forma. como se todos vocs estivessem indo ser executados! A vida uma sentena de morte! Neste monastrio, estamos todos no corredor da morte, mas no sabemos como a execuo vai ocorrer, e no sabemos exatamente quando. A filha de um tecelo certa vez respondeu a uma srie de perguntas do Buda: "Eu sei, mas eu no sei". O Buda sorriu e reconheceu a sabedoria dela. Algum lhe perguntou depois: "O que voc quer dizer quando diz que sabe, mas no sabe?", e ela respondeu que sabia que iria morrer, mas no sabia quando iria morrer (Dhp-a, XIII.7).

O insight sobre a morte reorganiza suas prioridades. Ento, o que importante para voc? Voc em breve vai morrer, e depois da sua morte voc vai carregar o kamma dessa vida nas suas vidas futuras.

Qualquer pessoa que no acredite em renascimento vai receber um grande choque quando este acontecer. verdade. Renascimento real. Voc vai experiment-lo por si mesmo em breve! Aceitar a realidade de sua morte e renascimento posterior lhe d uma perspectiva diferente sobre como viver a sua vida.

Como monges, temos as dez reflexes para aqueles que seguiram a vida santa. A dcima uma reflexo sobre o nosso leito de morte [2]. Faz parte da tradio perguntar a um monge em seu leito de morte, "Quais jhanas voc realizou? Quais estgios da Iluminao voc realizou?

Bons monges no falam sobre tais realizaes nem mesmo para os amigos, a menos que estejam perto da morte. por isso que uma antiga tradio fazer essa pergunta aos monges somente quando eles esto no seu leito de morte. Eu os encorajo a fazerem o mesmo. Perguntem aos seus companheiros monges quando eles estiverem perto da morte, "O que vocs alcanaram? O que vocs realizaram?" Tal questionamento, traz de volta um senso de urgncia para o que estamos fazendo neste monastrio. No queremos viver por anos e anos neste ou em outros monastrios, indo de um lugar para outro no mundo monstico Budista, e ento descobrir, no final da nossa vida, que no estamos nem um pouco adiante nesse Caminho para a Libertao se comparado com o ponto de onde comeamos. No queremos descobrir que no fizemos o uso adequado dessa maravilhosa oportunidade para experimentar um jhana, ou de pelo menos conseguir Entrar na Correnteza [NT1]. Digo isso porque se voc no realiza estas coisas em sua vida como um monge, aps a morte, quem sabe o que pode acontecer?

Jogando um graveto para cima

Em uma das histrias dos suttas, o Buda disse que o renascimento futuro muito incerto. como jogar um graveto no ar. Voc no pode dizer com certeza qual extremidade vai bater no cho primeiro. Da mesma forma, voc no pode saber com certeza aps a morte, se voc vai parar em um destino feliz ou destino infeliz! (SN XV.9) [NT2]

Isso me impressionou. Mas tambm me assustou, quando li pela primeira vez. Todos pensamos que se fizermos muitos e muitos kammas benficos, ento teremos a certeza de um renascimento feliz. E vocs fazem kammas benficos, porque vocs todos so bons monges. Vocs mantm os preceitos muito bem. Os novios so bons, eles so timos novios. At mesmo os visitantes que vm aqui so todos virtuosos. Eles so seres de bom corao em sua maioria. Comparados com os seres do mundo, vocs so a "nata". No entanto, mesmo que voc tenha uma vida muito virtuosa, mesmo que voc seja um monge durante muitos anos nesta vida, se voc no realizar o estgio de Entrada na Correnteza, ento voc no pode ter certeza de qual renascimento se seguir!

Tudo que se pode conseguir fazendo muitos kammas benficos tornar uma extremidade do "graveto" mais pesada. Ento a probabilidade da extremidade mais pesada do graveto bater no cho primeiro, e seu kamma benfico amadurecer em um renascimento feliz so maiores. Mas o sutta diz muito claramente que, apesar de uma extremidade ser mais pesada, de vez em quando, a extremidade mais leve do graveto bate no cho primeiro. Assim, mesmo se voc fizer muitos kammas benficos, o kamma prejudicial que voc realizou, seja nesta vida ou em vidas anteriores, ainda est l. Por causa desse kamma prejudicial, que no foi esgotado at o momento, sempre h uma possibilidade de ocorrer um renascimento muito infeliz.

Esse o terror do samsara. No s o envelhecimento, enfermidade e morte nesta vida. tambm o envelhecimento, enfermidade e morte em vidas futuras, em vidas menos prazerosas do que a que voc est vivendo agora. Mesmo que voc seja um bom monge, um bom novio, ou um bom praticante leigo, ainda incerto qual ser o seu renascimento. Este fato faz com que voc ponha mais esforo em seu caminho espiritual. Isso o torna mais diligente. De onde vem a diligncia? [NT3] De onde que esse esforo surge? Ele s surge quando voc v quo perigoso o renascimento.

Abrindo mo

Dei uma palestra ontem noite para os praticantes leigos sobre a meditao de abrir mo (letting go), de simplesmente no "fazer" nada. Para ser capaz de no "fazer" nada, voc tem que ser capaz de entender que no "fazer" nada algo importante. Que abrir mo algo valioso na mente. Simplesmente se sentar para meditar uma questo de vida e morte, mais importante do que qualquer outro assunto. A meditao mais importante do que nossas finanas, nossos relacionamentos, nossos filhos, nossos veculos, ou nossas posses. mais importante ainda do que sair de casa e trabalhar para a comunidade. mais importante do que qualquer outra coisa, porque a nica maneira de colocar um fim no sofrimento.

Acumulao de riqueza, que sentido tem isso? Tudo isso desaparece quando voc morre. Entregar-se aos prazeres da vida, mesmo que voc consiga obt-los em grandes quantidades, geralmente s trazem muitas frustraes. Se voc obtm muitos e muitos prazeres nessa vida, e da! Eles sempre desaparecem na dor e no nevoeiro do envelhecimento. Uma das coisas que voc percebe na vida, medida que voc envelhece, que a maioria dos prazeres da vida ocorre nas fases iniciais, e aquilo que lhe deixado para as fases finais so as dores da vida. Sabendo disso, vendo os perigos da vida, por que algum se envolve com todas essas perdas de tempo?

Podemos sair por a ensinando os outros, ou escrevendo livros para os outros, e divulgando o Dhamma, mas isso realmente o nosso dever nesta vida? Muitas pessoas esto divulgando o Dhamma, mas pouqussimas pessoas esto realizando o Dhamma. s vezes voc se pergunta o que elas esto divulgando, no final das contas. Se voc no realiza o Dhamma por experincia direta, voc corre o risco de divulgar sujeira. E as pessoas vo dedicar-se a essa sujeira, pensando que o Dhamma. s vezes as pessoas do ensinamentos sujos, e todos pensam o quo Iluminadas elas so; mas tudo Dhamma sujo. No o verdadeiro Dhamma. Elas no realizaram o Dhamma por si mesmos. Isso uma grande vergonha para este mundo. Ns realmente no precisamos tanto de pessoas divulgando o Dhamma, quanto precisamos de pessoas realizando o Dhamma.

O Propsito da Vida

Quando voc comea a refletir sobre a morte, tudo comea a ficar muito claro. Voc percebe o quo tolo voc tem sido. Durante minha vida desperdicei muito tempo, quando realmente no tinha tempo a perder. Quando olho para trs, para os meus primeiros anos como monge, eu desperdiava muito tempo. Mas, felizmente, tive tambm meditaes boas. Agora, como um monge de 49 anos de idade, no posso me dar ao luxo de perder mais tempo.

Eu olho para todas as oportunidades que os monges jovens tm, e, algumas vezes, bem, eles no fazem um bom uso dessas oportunidades. Eles no passam o tempo em suas cabanas, ou em seus caminhos hora aps hora, praticando andando e sentado, andando e sentado. Eles no usam o intervalo de tempo entre caminhar e sentar para estudar os suttas, e contemplar o seu significado. Se voc est perdendo tempo, isso no uma vergonha?!

Aqui temos um dos melhores monastrios no mundo e algumas das melhores instalaes. De todos os monastrios que j visitei, este um dos melhores. No h nada melhor. Algumas vezes, viver em uma floresta demanda muito esforo. Nos monastrios de floresta que conheci na Tailndia, voc tinha que dispender grande parte do dia apenas andando uma longa distncia para esmolar alimentos, e ento trabalhar no monastrio na parte da tarde. O tempo para meditar em recluso era muito limitado.

Dessa forma, reflitam o seguinte: "No sei por quanto tempo vou ter essas instalaes. No sei por quanto tempo vou estar saudvel o suficiente para fazer isso". H suficientes monges por aqui com problemas nas costas ou com problemas nos joelhos, com problemas nisso, com problemas naquilo. Se voc um monge saudvel, ou mesmo um monge razoavelmente saudvel, se voc pode fazer meditao sentada, cruzar as pernas e endireitar as costas, sem muita dor, voc extremamente favorecido. Voc no vai estar sempre assim. Aproveite esta oportunidade agora!

No apenas o seu corpo que vai morrer, a sua boa sade vai morrer, sua energia vai morrer, e as suas oportunidades vo morrer. Assim, reflitam sobre a morte, como se diz nos suttas, como se o seu turbante estivesse em chamas [NT4]. Em outras palavras, a morte d precedncia prtica, ela faz do Nobre Caminho ctuplo [3]a coisa mais importante do mundo. Ela d ao Caminho uma prioridade sobre todo o restante. Seria maravilhoso se as pessoas tivessem tal entendimento da morte ao nvel que elas estivessem conscientes desse fato (da morte) durante todo o tempo. Seria maravilhoso se elas tivessem tal nvel de ateno plena, que sempre as relembrasse que a morte est espreita. A morte pode acontecer a qualquer momento!

Portanto, o que importante para mim desenvolver o Nobre Caminho ctuplo o mximo que puder, to profundamente quanto puder, para que possa experimentar os jhanas. importante que eu possa realizar os Caminhos e Frutos supramundanos dessa prtica. importante que eu possa me libertar. Libertar-me, antes de tudo, dos renascimentos inferiores, e eventualmente, de todo tipo de renascimento. Caso contrrio, a morte se torna muito assustadora, mesmo para os grandes praticantes. Eles podem decair muito facilmente se no alcanarem essa segurana contra o cativeiro, esta segurana de ter colocado um fim em todos os renascimentos inferiores. Ns usamos estas reflexes sobre a morte para desenvolver um senso de urgncia (samvega). [NT5]

medida que caminhamos pelo Nobre Caminho ctuplo, no devemos usar "fora". Ns no "fazemos" a prtica, apenas permitimos que ela acontea. Ns renunciamos a todos os outros assuntos em nossas vidas. Eu frequentemente percebi que se voc apenas permitir que este caminho acontea, ele acontece de uma forma muito bela, muito poderosa e muito eficaz. O problema que no permitimos que o caminho acontea. Estamos muito ocupados fazendo outras coisas. bastante claro o que deveramos fazer.

Conhecemos a seo do Nobre Caminho ctuplo sobre a conduta virtuosa: Linguagem Correta, Ao Correta, Modo de Vida Correto. Todos neste monastrio, mesmo se voc estiver aqui temporariamente, podem marcar como cumpridos esses trs fatores do Nobre Caminho ctuplo. Voc os est cumprindo, isto , enquanto voc estiver mantendo as regras e os preceitos deste monastrio.

Agora, quanto ao Esforo Correto, ( uma pena que tenhamos que traduzir esses termos para o portugus), assim que voc fala "esforo correto", as pessoas pensam em lutar e se debater, forar, controlar e "fazer". Se pudermos de alguma forma transformar nossas mentes para o esforo sem "fazer", para a prtica de abrir mo, ento ganhamos alguma compreenso mais profunda sobre o que realmente significa o esforo correto. o esforo de abrir mo, no o esforo para acrescentar coisas ou para se livrar de coisas, essa uma das coisas mais difceis para a mente ocidental entender. Frequentemente as pessoas desperdiam muitos anos e muito do seu tempo s por se esforarem de forma demasiadamente dura.

So os arahants, e as pessoas que tm grande sabedoria, que no tm nenhuma dificuldade. Aqueles de vocs que estudaram Pali, j passaram por trechos assim vrias e vrias vezes. Jhanas so fceis para os sbios; estes so alcanados sem nenhuma dificuldade. [NT6] Voc deve refletir sobre como esses estados podem ser alcanados sem dificuldade. porque essas pessoas conhecem o caminho para entrar nos jhanas. Esse o caminho da "nenhuma dificuldade". Portanto no o torne difcil! Se voc puder abrir mo, desembaraar-se do passado e do futuro, ento no h dificuldade. Deixe o passado e o futuro morrer por voc, de modo que voc s tenha o momento presente. Deixe todos os pensamentos morrerem. Ento no h dificuldade. O que significa voc morrer para todo o seu passado? Todas as coisas que lhe aborreceram, e todas as preocupaes em relao ao passado, tudo passou. E quanto ao futuro, quem sabe?

Na Luz

O momento presente a nica coisa que voc realmente tem. Quando voc morrer, seu corpo e todas as suas preocupaes, so tiradas de voc. Com que voc estava preocupado? Abra mo de tudo isso. Permita que o seus pensamentos, pensamentos e mais pensamentos, morram. Quando uma pessoa est morta, ela tem morte cerebral, isto , no h atividade cerebral. Quando uma pessoa morre, frequentemente, nos primeiros momentos aps a morte, h um silncio na mente, antes do corpo feito pela mente (manomayakaya) [NT7] poder comear a nomear as coisas e conceitualizar sobre o que est sendo experienciado. Pelos primeiros segundos, ou at mesmo mais tempo, um tempo de silncio, um tipo diferente de percepo. Isto semelhante ao que se pode fazer na meditao, abra mo da tagarelice interior, deixe que ela morra, como se voc estivesse morrendo. Muitas pessoas tiveram experincias espirituais quando estiveram prximas da morte. Em muitas tradies, elas tm experincias de morrer para o mundo e, depois, se tornarem sbias. A experincia que os monges Theravada da nossa tradio tm que quando eles entram em jhanas, eles morrem para o corpo e tornam-se sbios para a natureza da mente.

Essa experincia de permitir que tudo desaparea to semelhante ao processo de morrer, que a reflexo sobre a morte pode muito facilmente ser incorporada na prtica que leva aos jhanas. Morra para o passado e para o futuro. Morra para os pensamentos. Morra para o corpo e, eventualmente, morra para a respirao. Quando voc for meditar como se voc fosse dar seu ltimo suspiro. Em outras palavras, seu corpo torna-se imvel igual a um cadver, voc se desapega completamente da respirao, e ento "mergulha" no nimitta. [NT8] muito parecido com a hora da morte de uma pessoa. Elas se desapegam do corpo e "mergulham" na luz que a mesma coisa que o nimitta.

Na verdade estamos falando de um estado amata (estado imortal). Amata uma palavra usada em Pali. A palavra morte, marana, sempre usada com relao morte de um corpo. A "morte" da mente chamada parinibbana, mas a morte do corpo sempre marana. O particpio passado de marana mata, morto ou morreu. Mas voc sabe o que realmente no morre? Se voc j contemplou isso atravs da meditao profunda, voc sabe que esse fluxo de conscincia. isso que segue aps a morte. Nesse sentido, o fluxo de conscincia amata, porque ele est alm da morte fsica. isso que pode renascer no reino material sutil (rupa) ou no reino imaterial (arupa). No entanto, isso no o fim das coisas. Acho que a palavra amata era popular na poca do Buda, porque, assim como a maioria das pessoas mesmo na atualidade, quando falavam sobre algum tipo de salvao, era sempre uma idia materialista. Era a idia de entrar em um estado de amata, de imortalidade, onde elas poderiam "ser" para sempre e sempre e sempre, sem ter que se preocupar com a morte. Algum tipo de reino celestial, uma espcie de reino da eternidade. Talvez a forma como o Buda usou a palavra amata foi extraindo-a desse uso popular e dando-lhe um significado diferente. Mas pela experincia, o que no morre o fluxo de conscincia, a mano-viana ou conscincia na mente. Nos jhanas voc pode realmente saber o que a conscincia na mente atravs da experincia direta.

Nos jhanas como se o corpo tivesse morrido junto com todas as concepes do mundo, todas as sensaes, todos os assuntos relacionados com o mundo e o corpo. Ento, realmente, os jhanas so estados parecidos com a morte, no sentido do corpo ter "desaparecido" para a mente. Os mundos do passado e do futuro se foram, eles desapareceram. Todas as suas aquisies se foram, elas desapareceram. Todos os seus pensamentos se foram, eles desapareceram, juntamente com todo o "lutar" e "fazer". O ir e o vir se foram, eles desapareceram. Voc pode me entender? Voc consegue entender o que a palavra "morte" significa? Significa transcender este corpo. abrir mo desse corpo. O problema , obviamente, que quando a maioria das pessoas morrem elas vo nascer de novo, e ento tm de morrer mais uma vez. Elas continuam fazendo isso porque elas no morrem totalmente para o mundo, morrem um pouco, mas ainda querem experienciar um pouco mais.

Ento voc tem que aprender a desenvolver a meditao de abrir mo, esse esforo que abandona todo os planos e ocupaes, todos esses grilhes pequenos, todos aqueles pequenos ns, que amarram voc a este corpo mundano. fascinante algumas vezes refletir sobre o quo sabiamente voc dispendeu o seu dia. Do que sua mente se ocupou hoje? Faa uma anlise estatstica. Quanto a sua mente se ocupou hoje com esse corpo, ou com o mundo, ou com o monastrio, ou com seus prprios assuntos? E quanto a sua mente se ocupou hoje com assuntos do Imortal (Nibbana)? Isso lhe dar uma boa ideia de por que voc no est conseguindo realizar a iluminao. Temos que nos ocupar mais com o Imortal!

Um Lugar de Simplicidade

Esforcei-me por muitos anos para tentar fazer deste monastrio um lugar onde ningum precise se preocupar muito. Para organiz-lo de modo que todas as necessidades humanas bsicas sejam fornecidas. L fora no mundo, as pessoas tm de lutar muito para sobreviverem, para terem uma casa e para obterem comida. muito complexo l fora. Todo o carter e significado por trs de um monastrio ser um local de simplicidade. Um lugar onde o tempo que voc gasta cuidando deste corpo, alimentando-o, lavando-o, e alojando-o seja to pequeno, que voc possa dedicar a maioria do seu tempo para o Imortal, que est para alm do corpo. No entanto, as pessoas sempre tendem a tornar a vida mais complexa. Elas sempre tornam as coisas mais difceis: levando o corpo de um lugar para outro, mantendo-o saudvel, alimentando-o, e lavando-o, ou qualquer outra coisa que faamos com nossos corpos. H to pouco tempo para a mente. Quando desenvolvemos a percepo da morte, e seu oposto, o Imortal, podemos nos inclinar e dedicar mais tempo quilo que est alm da morte. Muito embora voc ainda no tenha experimentado esses estados, nesta vida pelo menos, h algo que reconhece a existncia de um estado mental que est alm do corpo. Apenas saber isso, como uma lufada de perfume. o suficiente para lhe mostrar em que direo seguir.

Lembre-se que todo o "fazer", que pensamos ser o esforo correto, mantm-nos nesse corpo, mantm-nos com o passado e com o futuro; portanto, no o tipo correto de "fazer. um esforo que leva a mais complicaes. O esforo que leva ao desapego se lembrar de que "isso no meu". [NT9] caga, abrir mo, renunciar. por essa razo que se voc no quiser estar aqui este monastrio pode ser uma priso. Mas se voc estiver completamente contente aqui, se voc estiver completamente feliz, ento ele no ser mais uma priso. o contentamento que lhe liberta. O abrir mo considerar "que isso no meu". Estou contente com o que quer que esteja acontecendo. analaya, despegar. a mente de "Teflon", nada gruda sobre ela, nada pode pousar sobre ela, e ela patinissagga, sempre descartando; indo na direo oposta ao apego. realmente jogar as coisas fora, em vez de permitir que as coisas pousem em voc e que elas se relacionem com voc. Esse o esforo de abrir mo. Esse o esforo que leva superao da morte. [NT10]

Quando voc abre mo de todas essas coisas, tudo desaparece: o corpo se vai, o mundo se vai, as cabanas se vo, os livros se vo, as doenas se vo, a Buddhist Society of Western Australia desaparece. Tudo se vai, e voc entende o que realmente significa a vida monstica. A vida santa, pelo menos o comeo, est relacionada com ir para os "mundos" da mente. E se voc entrou nos jhanas, um insight que vem automaticamente depois desses estados de jhana que o fluxo de conscincia mental morreu para o corpo. Ocorreu uma separao. semelhante ideia crist da alma deixar o corpo. O fluxo de conscincia deixa o corpo, no fisicamente, porque estes so planos diferentes. O "mundo" da mente, o espao da mente, no algo que voc pode medir num espao fsico. Se voc quiser, voc pode consider-lo como se fosse um universo paralelo, o espao da mente independente. Se voc quiser, voc tambm pode consider-lo como algo que no afetado pelo mundo quadrimensional do espao e tempo.

Nibbana

Saber tudo isso significa nunca ter medo da morte, j que voc entende o que a morte. a morte do corpo. a morte dos cinco sentidos, o fim de todo aquele mundo exterior. Tal entendimento lhe d uma perspectiva completamente diferente. um dos maiores tesouros, uma das maiores felicidades, que voc j encontrou. Todos os prazeres do mundo parecem ser to inteis, to triviais e mesquinhos. Voc realmente se pergunta por que est brincando: com relacionamentos, com sexo, com casamento, com o acmulo e manuteno de riquezas. Que coisa tola passar essa vida dando voltas para trs e para frente, quando voc poderia ter esses belos estados de xtase da mente! por isso que sempre encorajo as pessoas, por "bem ou por mal", de uma forma ou de outra, para sentirem pelo menos o gostinho daqueles estados. Um gostinho que vai mudar a sua vida e lhe dar uma nova perspectiva. Mesmo que tenha sido apenas um gostinho h muitos anos, voc no consegue se esquecer dele. Voc no consegue ignor-lo porque uma poderosa experincia de transformao. Ele lhe d uma ideia, uma experincia do que possvel, do que significa abrir mo do reino da esfera sensual (kama-loka), o mundo do corpo, o mundo do nascimento, envelhecimento, enfermidade e morte.

Quando voc olha para o mundo da mente, voc v que a mente no envelhece, e que ela no precisa ficar doente. A mente realmente s fica doente se voc a deixar ficar doente. por isso que o Buda disse que mesmo que o corpo esteja doente, a mente no precisa estar doente (SN XXII.1). Dessa forma, mesmo que o corpo esteja doente, no deixe que a mente tambm fique doente. O fluxo de conscincia pode estar completamente alheio a isso. Se voc puder fazer isso e completamente abrir mo do mundo do corpo, ento voc pelo menos vai ser um Anagami [NT11]], um que No-Retorna. Quando voc morrer, voc renascer nas Moradas Puras, vai "brincar" l por alguns poucos ons e, de l, Nibbana. Eu realmente no deveria dizer isso, mas no uma m maneira de sair do samsara. O Buda estaria bem correto em me criticar por advogar algum tipo de existncia, mesmo que seja nos mundos dos Anagami. O Buda diz que no algo que vale a pena, melhor realizar Nibbana o quanto antes voc puder.

Nibbana como um outro nvel de morte. o fim da mente. A morte comum a morte das coisas relativas ao corpo, a morte deste mundo, o abandono de todas as aquisies e a separao de tudo aquilo que voc amava. Envelhecimento e enfermidade so apenas os mensageiros da morte, os precursores, apenas os sinais de que a morte est chegando. [NT12] "A morte est chegando!" So como aquelas primeiras cobranas que voc recebe, os primeiros lembretes, dizendo que se voc no pagar, dentro de poucos dias voc ser levado ao tribunal. Eles so os sinais de advertncia, e de repente a morte simplesmente ocorre.

Envelhecimento e enfermidade, as duas fazem parte da morte. incrvel como as pessoas podem completamente negligenciar e negar esses sinais de alerta. Elas envelhecem, envelhecem, envelhecem e acham que ainda vo viver por muito tempo, elas ficam doentes, doentes, doentes e elas pensam que vo sempre melhorar. Estes so os sinais de alerta de que: "A morte est chegando. A morte est chegando. A morte est chegando." Se voc tem um problema nas costas hoje, isso um sinal de alerta de que a morte est chegando. Se voc tiver uma dor de cabea ou dor de estmago, se voc se sentir com falta de energia ou mesmo se voc teve apenas um resfriado, a morte chegando. Sempre se lembre disso. Estes sintomas so como a morte batendo na porta, voc pode ainda no estar completamente preparado para ela, mas isso realmente no importa. A morte simplesmente vai arrombar, assim como um invasor de casas, e vai arrast-lo, esteja voc pronto ou no.

Resumo e Concluses

Ento bom estar preparado. Voc faz isso se preparando para abrir mo desse mundo. Este mundo til na medida em que fornece um meio para a vida santa ser vivida. Este corpo til na medida em que fornece um veculo para que voc possa se sentar e meditar, e realizar os jhanas e os insights que se seguem, que permitem a superao do samsara. Esse todo o propsito do corpo, o objetivo dos sentidos e o propsito dessa vida. No entanto, as pessoas que no conhecem o propsito da vida, o sentido da vida, apenas desperdiam seu tempo e fazem coisas tolas. Eles do voltas e voltas, como crianas num carrossel, pensando que to bom, to maravilhoso e to agradvel. Fazer a reflexo sobre a morte repetidas vezes, permite que voc abra mo de um monte de buscas inteis em sua vida. [NT13]

Mesmo aqueles de vocs que so monges sniores neste monastrio, o que vocs realmente querem realizar? Vocs podem morrer nesta noite. O que importante para vocs? terminar aquela carta, ou meditar e realizar um jhana. Voc pode ter apenas uma semana ou duas, quem sabe? O que realmente importante para voc? Pouco antes da sua morte, voc quer olhar para trs e poder dizer: "Eu usei essa vida adequadamente? Pelo menos realizei um jhana, (ou ainda melhor) realizei um caminho ou fruto supramundano." Ento, voc pode morrer tranquilo, porque voc usou esta vida da forma como ela deveria ser usada. Voc aproveitou as suas oportunidades. Ento, seja diligente. Conhea o caminho e saiba o que funciona!

Faa aquele esforo, que abrir mo. Lembre-se, "isto no meu". O corpo no meu. Este monastrio no meu. Minhas cartas no so minhas. Minha famlia no minha. Meu passado, minha histria, no so meus, e nem mesmo o futuro meu. [NT14] Voc no possui nada neste mundo. A morte ensina o quo pouco voc realmente possui. O corpo pertence natureza. O passado pertence fantasia. O futuro pertence estupidez. Voc no possui nada. Todos os seus pensamentos pertencem aos seus condicionamentos. Voc no possui nada, nada, nada. Meus mantos apenas pertencem terra. Todas as minhas posses em minha cabana pertencem terra tambm. Tudo o que meu, um dia, ir para o lixo. E ser incinerado.

Quando vim aqui pela primeira vez, pensei que iria construir este monastrio de forma to resistente que ele iria durar por centenas e milhares de anos. E vocs j podem v-lo desmoronando. Trincas esto aparecendo nas paredes de suas cabanas. O monge que disse ter visto trincas na parede de sua cabana deve tambm olhar para seu prprio corpo e ver as "trincas" exatamente em seu prprio corpo. Ns estamos desmoronando. Ns estamos nos desintegrando. Logo viraremos poeira como aquela cabana.

Quando olhamos para as coisas desta forma, vemos tudo em perspectiva. A trinca na parede de sua cabana est lhe revelando a morte. Voc deve ser grato a esses mensageiros da morte por eles lhe incentivarem a abrir mo e desenvolver as meditaes profundas. Voc est morrendo para o corpo, morrendo para o mundo, e morrendo para as impurezas que o mantm nesse mundo. Voc est se libertando, no possuindo nada, e se contentando por no possuir nada. Quando voc est contente, voc no precisa de nada. Quando voc estiver contente voc est morto para os desejos. Quando as pessoas morrem, escreve-se em seu tmulo, "Descanse em paz" (Rest in peace). Quando voc est nos jhanas voc est descansando em paz, e Nibbana a nica paz verdadeira.

Estas so algumas reflexes sobre a morte, reflexes sobre Nibbana, reflexes sobre o corpo, sobre o mundo, sobre a mente. Portanto, por favor, seja diligente, a vida est passando muito rpido.

 


 

Notas:

Traduzido do ings por Raryel Costa Souza a quem agradecemos por mais esta contribuio ao Dhamma.

[1] Adaptado do Asokavadana, John S. Strong: New Delhi, Motilal Banasidass, 1989. [Retorna]

[2] As Dez Reflexes de um monge: (AN X.48)

1. Eu entrei numa condio desprovida de castas.
2. A minha vida depende da generosidade dos outros.
3. Meu comportamento deve ser diferente [dos leigos].
4. Posso encontrar algum defeito na minha virtude?
5. Os meus sbios companheiros na vida santa, ao me examinarem, podem encontrar algum defeito na minha virtude?
6. Eu me tornarei diferente, separado de tudo o que para mim querido e amado.
7. Eu sou o dono das minhas aes (kamma), herdeiro das minhas aes, nascido das minhas aes, relacionado atravs das minhas aes e tenho as minhas aes como rbitro. O que quer que eu faa, para o bem ou para o mal, disso me tornarei o herdeiro.
8. No que estou me tornando na medida em que os dias e as noites voam?
9. Eu me deleito com cabanas vazias?
10. Eu alcancei alguma realizao supra-humana, alguma distino no conhecimento e viso digna dos nobres, de modo que se for questionado pelos meus companheiros na vida santa no momento da minha morte eu no me sentirei envergonhado? [Retorna]

[3] O Nobre Caminho ctuplo consiste de:

(Sabedoria)
1. Entendimento Correto.
2. Pensamento Correto.

(Virtude)
3. Linguagem Correta.
4. Ao Correta.
5. Modo de Vida Correto.

(Concentrao)
6. Esforo Correto.
7. Ateno Plena Correta.
8. Concentrao Correta = jhana [Retorna]

Notas do Tradutor:

[NT 1] Entrar na Correnteza (Sotapanna) o primeiro dos quatro nveis do Despertar ou Libertao, Iluminao. Esta denominao tem origem no fato de que a pessoa que tenha conquistado este nvel entrou na correnteza que flui inevitavelmente em direo a Nibbana. A pessoa obtm a certeza de alcanar o pleno Despertar em no mximo sete vidas e nesse meio tempo tem a garantia de que no ir renascer em nenhum dos planos inferiores. Leia mais no Guia de Estudo Sotapanna. [Retorna]

[NT2] Alm do sutta referido pelo autor, no MN 136.20 o Buda tambm menciona a possibilidade de que mesmo uma pessoa virtuosa e dotada do entendimento correto durante uma vida pode ter um renascimento desfavorvel. Nesse sutta, inclusive so mencionadas as causas para tal renascimento inferior. [Retorna]

[NT3] Sobre diligncia, leia mais no Captulo 2 do Dhammapada. [Retorna]

[NT4] AN VI.20. [Retorna]

[NT5] Leia mais sobre samvega no glossrio. [Retorna]

[NT6] Um exemplo dessas passagens do cnone encontrado no MN53.6. [Retorna]

[NT7] Sobre o corpo feito pela mente (manomayakaya) veja a Nota 1 do SN LI.22. [Retorna]

[NT8] Leia mais sobre nimitta no cap. Os Jhanas por Ajahn Brahmavamso. [Retorna]

[NT9] Essa instruo est relacionada com o ensinamento do Buda sobre no-eu. Leia mais no SN XXII.59. [Retorna]

[NT10] Os termos em pali caga, analaya e patinissaga aparecem no Dhammacakkapavattana Sutta Colocando a Roda do Dhamma em Movimento (SN LVI.11), mais especificamente na terceira nobre verdade:
Agora, bhikkhus, esta a nobre verdade da cessao do sofrimento: o desaparecimento e cessao sem deixar vestgios daquele mesmo desejo, abrir mo (caga), descartar (patinissaga), libertar-se (mutti), despegar (analaya) desse mesmo desejo.
Veja a interpretao completa de Ajahn Brahm para esses termos na nota 1 do SN LVI.11. [Retorna]

[NT11] Leia mais sobre anagami, que no retorna, no glossrio. [Retorna]

[NT12] No MN130 aborda-se esse tema dos mensageiros da morte, s que sob o nome de Mensageiros Divinos. [Retorna]

[NT13] O Buda explica qual a busca nobre e qual a busca ignbil no MN26. [Retorna]

[NT14] Passagem com algum grau de ressonncia com o verso 62 do Dhammapada. Veja o verso e a nota do verso. [Retorna]

 

 

Revisado: 18 Agosto 2012

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