Majjhima Nikaya 26

Ariyapariyesana Sutta

A Busca Nobre

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1. Assim ouvi. Em certa ocasio o Abenoado estava em Savathi no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika.

2. Ento, ao amanhecer, o Abenoado se vestiu e tomando a tigela e o manto externo, foi para Savathi para esmolar alimentos. Ento um grande nmero de bhikkhus foram at o venervel Ananda e lhe disseram: Amigo Ananda, j faz bastante tempo desde que ouvimos um discurso do Dhamma da prpria boca do Abenoado. Seria bom se pudssemos ouvir um discurso, amigo Ananda. Ento que os venerveis sigam at o retiro do brmane Rammaka. Talvez vocs venham a ouvir um discurso do Dhamma da prpria boca do Abenoado. Sim, amigo, eles responderam.

3. Ento, aps o Abenoado ter esmolado alimentos em Savathi e de haver retornado, aps a refeio, ele se dirigiu ao venervel Ananda: Ananda, vamos at o Parque do Oriente, ao Palcio da me de Migara, para passar o resto do dia. Sim venervel senhor, o venervel Ananda respondeu. Ento o Abenoado foi com o venervel Ananda at o Parque do Oriente, ao Palcio da me de Migara, para passar o resto do dia.

Depois, ao anoitecer, o Abenoado levantou-se da meditao e disse para o venervel Ananda: Ananda, vamos at o Local de Banhos do Oriente para tomar banho. Sim, venervel senhor, o venervel Ananda respondeu. Ento o Abenoado foi com o venervel Ananda at a Local de Banhos do Oriente para tomar banho. Quando ele havia terminado, ele saiu da gua e se secou com um manto. Ento o venervel Ananda disse para o Abenoado: Venervel senhor, o retiro do brmane Rammaka est prximo daqui. um retiro agradvel e prazeroso. Venervel senhor, seria bom se o Abenoado fosse at l por compaixo. O Abenoado concordou em silncio.

4. Ento, o Abenoado foi at o retiro do brmane Rammaka. Agora naquela ocasio um grande nmero de bhikkhus estavam no retiro juntos, sentados, discutindo o Dhamma. O Abenoado ficou do lado de fora da porta esperando que a discusso terminasse. Ao perceber que havia terminado, ele limpou a garganta e bateu na porta e os bhikkhus abriram a porta. O Abenoado entrou e sentou num assento que havia sido preparado e se dirigiu aos bhikkhus da seguinte forma: Bhikkhus, qual o assunto que faz com que vocs estejam sentados juntos aqui agora? Qual a discusso que foi interrompida?

Venervel senhor, nossa discusso sobre o Dhamma que foi interrompida era sobre o prprio Abenoado. Ento o Abenoado chegou.

Bom, bhikkhus. apropriado que vocs, membros de cls, que pela f deixaram a vida em famlia pela vida santa, se renam para discutir o Dhamma. Quando vocs se reunirem, bhikkhus, vocs devem fazer uma de duas coisas: discutir o Dhamma ou observar o nobre silncio. [1]

(Dois tipos de Busca)

5. Bhikkhus, existem esses dois tipos de busca: a busca nobre e a busca ignbil. E o que a busca ignbil? Nesse caso, algum que, estando ele mesmo sujeito ao nascimento, busca aquilo que tambm est sujeito ao nascimento; estando ele mesmo sujeito ao envelhecimento, busca aquilo que tambm est sujeito ao envelhecimento; estando ele mesmo sujeito enfermidade, busca aquilo que tambm est sujeito enfermidade; estando ele mesmo sujeito morte, busca aquilo que tambm est sujeito morte; estando ele mesmo sujeito tristeza, busca aquilo que tambm est sujeito tristeza; estando ele mesmo sujeito s contaminaes, busca aquilo que tambm est sujeito s contaminaes.

6. E o que pode ser dito como estando sujeito ao nascimento? Esposa e filhos esto sujeitos ao nascimento, escravos e escravas, bodes e ovelhas, aves e porcos, elefantes, gado, cavalos e guas, ouro e prata esto sujeitos ao nascimento. Essas aquisies [2] esto sujeitas ao nascimento; e aquele que est preso a essas coisas, apaixonado por elas e totalmente comprometido com elas, estando ele mesmo sujeito ao nascimento, busca aquilo que tambm est sujeito ao nascimento.

7. E o que pode ser dito como estando sujeito ao envelhecimento? Esposa e filhos esto sujeitos ao envelhecimento, escravos e escravas, bodes e ovelhas, aves e porcos, elefantes, gado, cavalos e guas, ouro e prata esto sujeitos ao envelhecimento. Essas aquisies esto sujeitas ao envelhecimento; e aquele que est preso a essas coisas, apaixonado por elas e totalmente comprometido com elas, estando ele mesmo sujeito ao envelhecimento, busca aquilo que tambm est sujeito ao envelhecimento.

8. E o que pode ser dito como estando sujeito enfermidade? Esposa e filhos esto sujeitos enfermidade, escravos e escravas, bodes e ovelhas, aves e porcos, elefantes, gado, cavalos e guas esto sujeitos enfermidade. Essas aquisies esto sujeitas enfermidade; e aquele que est preso a essas coisas, apaixonado por elas e totalmente comprometido com elas, estando ele mesmo sujeito enfermidade, busca aquilo que tambm est sujeito enfermidade. [3]

9. E o que pode ser dito como estando sujeito morte? Esposa e filhos esto sujeitos morte, escravos e escravas, bodes e ovelhas, aves e porcos, elefantes, gado, cavalos e guas esto sujeitos morte. Essas aquisies esto sujeitas morte; e aquele que est preso a essas coisas, apaixonado por elas e totalmente comprometido com elas, estando ele mesmo sujeito morte, busca aquilo que tambm est sujeito morte.

10. E o que pode ser dito como estando sujeito tristeza? Esposa e filhos esto sujeitos tristeza, escravos e escravas, bodes e ovelhas, aves e porcos, elefantes, gado, cavalos e guas esto sujeitos tristeza. Essas aquisies esto sujeitas tristeza; e aquele que est preso a essas coisas, apaixonado por elas e totalmente comprometido com elas, estando ele mesmo sujeito tristeza, busca aquilo que tambm est sujeito tristeza.

11. E o que pode ser dito como estando sujeito s contaminaes? Esposa e filhos esto sujeitos s contaminaes, escravos e escravas, bodes e ovelhas, aves e porcos, elefantes, gado, cavalos e guas, ouro e prata esto sujeitos s contaminaes. Essas aquisies esto sujeitas s contaminaes; e aquele que est preso a essas coisas, apaixonado por elas e totalmente comprometido com elas, estando ele mesmo sujeito s contaminaes, busca aquilo que tambm est sujeito s contaminaes. Essa a busca ignbil.

12. E o que a busca nobre? Nesse caso, algum que, estando ele mesmo sujeito ao nascimento, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao nascimento, busca o que no nasce, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando ele mesmo sujeito ao envelhecimento, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao envelhecimento, busca o que no envelhece, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando ele mesmo sujeito enfermidade, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito enfermidade, busca o que no se enferma, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando ele mesmo sujeito morte, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito morte, busca o imortal, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando ele mesmo sujeito tristeza, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito tristeza, busca o que no est sujeito tristeza, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando ele mesmo sujeito s contaminaes, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito s contaminaes, busca o que no contaminado, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana. Essa a busca nobre.

(A Busca pela Iluminao)

13. Bhikkhus, antes da minha iluminao, quando eu ainda era um Bodisatva no iluminado, eu tambm, estando eu mesmo sujeito ao nascimento, busquei aquilo que tambm estava sujeito ao nascimento; estando eu mesmo sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes, busquei aquilo que tambm estava sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes. Ento considerei o seguinte: Por que, estando eu mesmo sujeito ao nascimento, busco aquilo que tambm est sujeito ao nascimento? Por que, estando eu mesmo sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes, busco aquilo que tambm est sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes? E se eu, estando eu mesmo sujeito ao nascimento, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao nascimento, buscasse o que no nasce, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana. E se eu, estando eu mesmo sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes, buscasse o que no envelhece, o que no est sujeito enfermidade, o imortal, o que no est sujeito tristeza, o que no contaminado, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana.

14. Mais tarde, ainda jovem, um homem jovem com o cabelo negro, dotado com as bnos da juventude, na flor da juventude, embora minha me e meu pai desejassem outra coisa e chorassem com o rosto coberto de lgrimas, eu raspei meu cabelo e barba, vesti o manto de cor ocre e deixei a vida em famlia e segui a vida santa.

15. "Tendo seguido a vida santa em busca do que benfico, buscando o insupervel estado de paz sublime procurei por Alara Kalama e lhe disse: 'Amigo Kalama, quero viver a vida santa neste Dhamma e Disciplina.' Alara Kalama respondeu, O venervel pode ficar aqui, meu amigo. Este Dhamma tal que uma pessoa sbia pode em pouco tempo entrar e permanecer nele, compreendendo por si mesmo atravs do conhecimento direto a doutrina do seu mestre.' Em breve aprendi aquele Dhamma. No que diz respeito mera recitao e repetio dos seus ensinamentos, eu falava com conhecimento e segurana e reivindicava, Eu sei e vejo e havia outros que assim tambm diziam.

Eu pensei: No somente pela mera f que Alara Kalama declara, Tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto, eu entro e permaneo neste Dhamma. Com certeza Alara Kalama permanece conhecendo e vendo este Dhamma. Ento fui at Alara Kalama e perguntei: Amigo Kalama, de que forma, tendo compreendido por voc mesmo com conhecimento direto, voc declara que entra e permanece nesse Dhamma? Em resposta, ele declarou a esfera do nada. [4]

"Eu pensei: 'No somente Alara Kalama tem f, energia, ateno plena, concentrao e sabedoria. Eu, tambm, tenho f, energia, ateno plena, concentrao e sabedoria. E se eu me esforasse para realizar por mim mesmo o Dhamma no qual Alara Kalama declara entrar e permanecer, tendo compreendido por ele mesmo atravs do conhecimento direto?'

Assim em pouco tempo eu entrei e permaneci naquele Dhamma, tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto. Eu fui at Alara Kalama e perguntei, 'Amigo Kalama, dessa forma que voc declara que entra e permanece neste Dhamma, tendo compreendido por voc mesmo atravs do conhecimento direto?' Essa a forma, amigo.' dessa forma, amigo, que eu tambm entro e permaneo nesse Dhamma, tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto.' um ganho para ns, meu amigo, um grande ganho para ns, que tenhamos um tal venervel como companheiro na vida santa. Portanto, o Dhamma no qual eu declaro que entro e permaneo, tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto, o Dhamma no qual voc declara entrar e permanecer, tendo compreendido por voc mesmo atravs do conhecimento direto. E o Dhamma no qual voc declara entrar e permanecer, tendo compreendido por voc mesmo atravs do conhecimento direto, o Dhamma no qual eu declaro que entro e permaneo, tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto. Portanto, voc conhece o Dhamma que eu conheo e eu conheo o Dhamma que voc conhece. Como eu sou, assim voc; como voc , assim eu sou. Venha amigo, vamos agora liderar esta comunidade juntos.'

Dessa forma Alara Kalama, meu mestre, colocou-me, seu pupilo, no mesmo nvel que ele e me concedeu a maior honra possvel. Porm, o pensamento me ocorreu, Este Dhamma no conduz ao desencantamento, ao desapego, cessao, paz, ao conhecimento direto, iluminao, a Nibbana, mas somente ao renascimento na esfera do nada.[5] Dessa forma, no estando satisfeito com esse Dhamma, eu parti.

16. "Ainda em busca, bhikkhus, do que benfico, buscando o insupervel estado de paz sublime procurei por Uddaka Ramaputta e ao chegar, eu lhe disse: 'Amigo Uddaka, quero viver a vida santa neste Dhamma e Disciplina.' [6] Uddaka Ramaputta respondeu, O venervel pode ficar aqui, meu amigo. Este Dhamma tal que uma pessoa sbia pode em pouco tempo entrar e permanecer nele, compreendendo por si mesmo atravs do conhecimento direto a doutrina do seu mestre.' Em breve aprendi aquele Dhamma. No que diz respeito mera recitao e repetio dos seus ensinamentos, eu falava com conhecimento e segurana e reivindicava, Eu sei e vejo e havia outros que assim tambm diziam.

"Eu pensei: 'No foi somente pela mera f que Rama declarava, "Tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto, eu entro e permaneo neste Dhamma. Com certeza Rama permanecia conhecendo e vendo este Dhamma.' Ento fui at Uddaka Ramaputta e perguntei: Amigo, de que forma Rama, tendo compreendido por ele mesmo atravs do conhecimento direto, declarou que entrou e permaneceu nesse Dhamma?' Em resposta, Uddaka Ramaputta declarou a esfera da nem percepo, nem no percepo.

"Eu pensei: 'No somente Rama tinha f, energia, ateno plena, concentrao e sabedoria. Eu, tambm, tenho f, energia, ateno plena, concentrao e sabedoria. E se eu me esforasse para realizar por mim mesmo o Dhamma no qual Rama, tendo compreendido por ele mesmo atravs do conhecimento direto, declarou que entrou e permaneceu?'

Assim em pouco tempo eu entrei e permaneci naquele Dhamma, tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto. Ento eu fui at Uddaka Ramaputta e perguntei, 'Amigo, dessa forma que Rama declarou que entrou e permaneceu neste Dhamma, tendo compreendido por ele mesmo atravs do conhecimento direto?' Essa a forma, amigo.' dessa forma, amigo, que eu tambm entro e permaneo nesse Dhamma, tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto.' um ganho para ns, meu amigo, um grande ganho para ns, que tenhamos um tal venervel como companheiro na vida santa. Portanto, o Dhamma no qual Rama declarou que entrou e permaneceu, tendo compreendido por ele mesmo atravs do conhecimento direto, o Dhamma no qual voc entra e permanece, tendo compreendido por voc mesmo atravs do conhecimento direto. E o Dhamma que voc entra e permanece tendo compreendido por voc mesmo atravs do conhecimento direto, o Dhamma no qual Rama declarou que entrou e permaneceu, tendo compreendido por ele mesmo atravs do conhecimento direto. Portanto, voc conhece o Dhamma que Rama conhecia e Rama conhecia o Dhamma que voc conhece. Como Rama era, assim voc; como voc , assim era Rama. Venha amigo, agora lidere esta comunidade.'

Dessa forma, Uddaka Ramaputta, meu companheiro na vida santa, colocou-me na posio de mestre e me concedeu a maior honra possvel. Porm, o pensamento me ocorreu, Este Dhamma no conduz ao desencantamento, ao desapego, cessao, paz, ao conhecimento direto, iluminao, a Nibbana, mas somente ao renascimento na esfera da nem percepo, nem no percepo. Dessa forma, no estando satisfeito com esse Dhamma, eu parti. [7]

17. Ainda em busca, bhikkhus, do que benfico, buscando o insupervel estado de paz sublime, eu andei perambulando pelas terras de Magadha at que por fim cheguei em Senanigama prximo a Uruvela. L eu encontrei um pedao de terreno adequado, com um bosque prazeroso e um rio lmpido com as margens planas e agradveis e um vilarejo prximo para esmolar comida. Eu pensei: Este um pedao de terreno adequado, com um bosque prazeroso e um rio lmpido com as margens planas e agradveis e um vilarejo prximo para esmolar comida. Isso adequado para um membro de um cl que possui a inteno de se esforar. E eu me sentei ali pensando: Isso adequado para o esforo.[7a]

(Iluminao)

18. Ento, bhikkhus, estando eu mesmo sujeito ao nascimento, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao nascimento, buscando o que no nasce, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, eu alcancei o que no nasce, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando eu mesmo sujeito ao envelhecimento, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao envelhecimento, buscando o que no envelhece, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, eu alcancei o que no envelhece, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando eu mesmo sujeito enfermidade, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito enfermidade, buscando o que no est sujeito enfermidade, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, eu alcancei o que no est sujeito enfermidade, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando eu mesmo sujeito morte, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito morte, buscando o imortal, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, eu alcancei o imortal, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando eu mesmo sujeito tristeza, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito tristeza, buscando o que no est sujeito tristeza, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, eu alcancei o que no est sujeito tristeza, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando eu mesmo sujeito s contaminaes, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito s contaminaes, buscando o que no est sujeito s contaminaes, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, eu alcancei o que no est sujeito s contaminaes, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana. Surgiram em mim a viso e o conhecimento: Inabalvel a libertao da minha mente. Este o ltimo nascimento. No h mais vir a ser a nenhum estado.

19. Eu pensei: Este Dhamma que eu alcancei profundo, difcil de ver e difcil de compreender, pacfico e sublime, que no pode ser alcanado atravs do mero raciocnio, ele sutil, para ser experimentado pelos sbios. [8] Mas, esta populao se delicia com a adeso, est excitada com a adeso, desfruta da adeso.[9] difcil para uma populao como esta ver esta verdade, isto , a condicionalidade isto/aquilo e a origem dependente. E tambm difcil de ver esta verdade, isto , o cessar de todas as formaes, o abandono de todas aquisies, o fim do desejo, desapego, cessao, Nibbana. Se eu fosse ensinar o Dhamma, os outros no me entenderiam e isso seria fatigante, problemtico para mim . Ento, estes versos nunca antes ouvidos, me ocorreram:

Basta com a idia de ensinar o Dhamma
que at para mim foi difcil alcanar;
pois ele nunca ser entendido
por aqueles que vivem com a cobia e a raiva.

Aqueles tingidos pela cobia, envoltos na escurido
nunca iro discernir este Dhamma difcil de ser compreendido
que vai contra a torrente do mundo,
sutil, profundo e difcil de ser visto.

Pensando dessa forma, minha mente tendia inao ao invs do ensino do Dhamma.[10]

20. Ento, bhikkhus, o Brahma Sahampati, soube com a mente dele o pensamento na minha mente e pensou: O mundo estar perdido, o mundo estar destrudo, j que a mente do Tathagata, um arahant, perfeitamente iluminado, se inclina inao ao invs do ensino do Dhamma. Ento, com a mesma rapidez com que um homem forte pode estender o seu brao flexionado ou flexionar o seu brao estendido, Brahma Sahampati desapareceu do mundo de Brahma e apareceu na minha frente. Ele arrumou o seu manto externo sobre o ombro e juntou as mos numa reverenciosa saudao, dizendo: Venervel senhor, que o Abenoado ensine o Dhamma, que o Iluminado ensine o Dhamma. H seres com pouca poeira sobre os olhos que esto decaindo por no ouvir o Dhamma. H aqueles que entendero o Dhamma. Depois de dizer isso, Brahma Sahampati disse ainda mais:

Em Magadha surgiram at agora
ensinamentos contaminados formulados por aqueles que ainda esto poludos.
Abram as portas para o Imortal! Que eles ouam
o Dhamma que o Imaculado encontrou.

Tal como algum que esteja no pico de uma montanha
capaz de ver todas as pessoas embaixo,
da mesma forma, Oh sbio, sbio que tudo v,
suba ao palcio do Dhamma.
Que o Conquistador da Tristeza inspecione esta raa humana,
engolfada na tristeza, subjugada pelo nascimento e envelhecimento.

Levante-se, Oh heri, vitorioso na batalha!
Oh lder da caravana, sem dvidas, saia pelo mundo.
Ensine o Dhamma, Oh Abenoado:
Existem aqueles que iro compreender.

21. Ento, tendo ouvido o pedido de Brahma e por compaixo pelos seres, inspecionei o mundo com o olho de um Buda. Inspecionando o mundo com o olho de um Buda, eu vi seres com pouca poeira sobre os olhos e com muita poeira sobre os olhos, com faculdades aguadas e com faculdades embotadas, com boas qualidades e com ms qualidades, fceis de serem ensinados e difceis de serem ensinados e alguns que permaneciam sentindo medo e responsabilidade pelo outro mundo. Tal como num lago com flores de ltus azuis ou vermelhas ou brancas, algumas flores de ltus nascem e crescem na gua e prosperam imersas na gua sem sair fora da gua, enquanto que algumas outras flores de ltus nascem e crescem na gua e pousam sobre a superfcie da gua, e ainda, algumas outras flores de ltus nascem e crescem na gua e sobem acima do nvel da gua permanecendo sem serem molhadas pela gua; assim tambm, inspecionando o mundo com o olho de um Buda, eu vi seres com pouca poeira sobre os olhos e com muita poeira sobre os olhos, com faculdades aguadas e com faculdades embotadas, com boas qualidades e com ms qualidades, fceis de serem ensinados e difceis de serem ensinados e alguns que permaneciam sentindo medo e responsabilidade pelo outro mundo. Ento respondi ao Brahma Sahampati em versos:

Para eles esto abertas as portas para o Imortal,
que aqueles com ouvidos mostrem agora a sua f.
Pensando que seria problemtico, Oh Brahma,
eu no quis falar o Dhamma sutil e sublime.

Ento o Brahma Sahampati pensou: Eu criei a oportunidade para que o Abenoado ensine o Dhamma. E depois de me homenagear, mantendo-me sua direita, ele ento desapareceu.

22. Eu pensei: Para quem devo primeiro ensinar o Dhamma? Quem ir compreender este Dhamma com rapidez? Ento me ocorreu: Alara Kalama sbio, inteligente e com sabedoria; faz muito tempo que ele possui pouca poeira sobre os olhos. E se eu ensinasse o Dhamma primeiro para Alara Kalama. Ele ir compreend-lo com rapidez. Ento alguns devas se aproximaram de mim e disseram: Venervel senhor, Alara Kalama morreu faz sete dias. E o conhecimento e viso surgiram em mim: Alara Kalama morreu faz sete dias. Eu pensei: A perda de Alara Kalama significativa. Se ele tivesse ouvido este Dhamma, ele o teria compreendido com rapidez.

23. Eu pensei: Para quem devo primeiro ensinar o Dhamma? Quem ir compreender este Dhamma com rapidez? Ento me ocorreu: Uddaka Ramaputta sbio, inteligente e com sabedoria; faz muito tempo que ele possui pouca poeira sobre os olhos. E se eu ensinasse o Dhamma primeiro para Uddaka Ramaputta. Ele ir compreend-lo com rapidez. Ento alguns devas se aproximaram de mim e disseram: Venervel senhor, Uddaka Ramaputta morreu na noite passada. E o conhecimento e viso surgiram em mim: Uddaka Ramaputta morreu na noite passada. Eu pensei: A perda de Uddaka Ramaputta significativa. Se ele tivesse ouvido este Dhamma, ele o teria compreendido com rapidez.

24. Eu pensei: Para quem devo primeiro ensinar o Dhamma? Quem ir compreender este Dhamma com rapidez? Ento me ocorreu: Os cinco bhikkhus que me acompanharam e que foram de grande ajuda enquanto eu estava engajado na minha busca. [11] E se eu ensinasse o Dhamma primeiro para eles. Ento pensei: Onde estaro vivendo agora os cinco bhikkhus? E com o olho divino, que purificado e sobrepuja o humano, eu vi que eles estavam vivendo em Benares no Parque do Gamo em Isipatana.

(O ensinamento do Dhamma)

25. Ento, bhikkhus, tendo permanecido em Uruvela pelo tempo que queria, sai caminhando em direo a Benares. Entre Gaya e o lugar da Iluminao, o Ajivaka Upaka me viu na estrada e disse: Amigo, as suas faculdades esto claras, a sua complexo est pura e brilhante. Sob qual mestre voc adotou a vida santa, amigo? Quem o seu mestre? Qual Dhamma voc professa? Eu respondi ao Ajivaka Upaka em versos:

Eu sou aquele que transcendeu tudo, aquele que tudo conhece,
imaculado entre todas as coisas, renunciando a tudo,
libertado pela cessao do desejo. Tendo conhecido tudo isso
por mim mesmo, a quem devo apontar como mestre?

Eu no tenho mestre, e outro como eu
no existe em nenhum lugar do mundo,
com todos os seus devas, porque no tenho
outra pessoa como equivalente.

Eu sou o Consumado no mundo,
eu sou o Mestre Supremo.
Eu sozinho sou um Perfeitamente Iluminado
cujo fogo est saciado e extinto.

Eu vou agora para Kasi (Benares)
para colocar a Roda do Dhamma em movimento.
Num mundo que se tornou cego
eu vou proclamar o Imortal.

Pela sua declarao, amigo, voc deve ser o Vitorioso Universal. [12]

Os vitoriosos so como eu
que venceram destruindo as contaminaes.
Eu derrotei todos os estados ruins,
portanto, Upaka, eu sou um vitorioso.

Quando isso foi dito, o Ajivaka Upaka disse: Pode ser que assim seja, amigo. Balanando a cabea, ele tomou um desvio e partiu. [13]

26. Ento, bhikkhus, prosseguindo na caminhada por fim cheguei em Benares, no Parque do Gamo em Isipatana e me aproximei do grupo de cinco bhikkhus. Os bhikkhus me viram chegando distncia e combinaram entre si o seguinte: Amigos, ali vem o contemplativo Gotama que vive gratificado pelos sentidos, que deixou de lado a sua busca e reverteu ao luxo. Ns no deveramos homenage-lo, ou nos levantarmos para ele, ou receber a sua tigela e manto externo. Mas um assento poder ser preparado para ele. Se ele quiser, poder sentar. No entanto, medida que eu me aproximava, aqueles bhikkhus foram incapazes de manter o acordo. Um veio se encontrar comigo e tomou minha tigela e o manto externo, outro preparou um assento e um outro preparou gua para os meus ps; no entanto, eles se dirigiam a mim pelo meu nome e como amigo. [14]

27. Como resultado eu lhes disse: Bhikkhus, no se dirijam ao Tathagata pelo nome e como amigo. O Tathagata um arahant, perfeitamente iluminado. Ouam bhikkhus, o Imortal foi alcanado. Eu os instruirei, eu lhes ensinarei o Dhamma. Praticando da forma instruda, realizando por vocs mesmos atravs do conhecimento direto vocs logo entraro e permanecero no objetivo supremo da vida santa pelo qual membros de cls abandonam a vida em famlia pela vida santa.

Quando isso foi dito, os bhikkhus me responderam o seguinte: Amigo Gotama, atravs da conduta, da prtica e da realizao das austeridades s quais voc se dedicou, voc no alcanou nenhum estado supra-humano, nenhuma distino em conhecimento e viso digna dos nobres. [15] Como agora voc vive gratificado pelos sentidos, tendo deixado de lado a sua busca e revertido ao luxo, como poderia voc ter atingido algum estado supra-humano, alguma distino em conhecimento e viso dignos dos nobres? Quando isso foi dito, eu lhes disse: O Tathagata no vive gratificado pelos sentidos, nem deixou de lado a sua busca e reverteu ao luxo. O Tathagata um arahant, perfeitamente iluminado. Ouam bhikkhus, o Imortal foi alcanado ... abandonam a vida em famlia pela vida santa.

Uma segunda vez os bhikkhus me disseram: Amigo Gotama...como poderia voc ter atingido algum estado supra-humano, alguma distino em conhecimento e viso dignos dos nobres? Uma segunda vez eu lhes disse: O Tathagata no vive gratificado pelos sentidos ... abandonam a vida em famlia pela vida santa.

Uma terceira vez os bhikkhus me disseram: Amigo Gotama...como poderia voc ter atingido algum estado supra-humano, alguma distino em conhecimento e viso dignos dos nobres?

28. Quando isso foi dito eu lhes perguntei: Bhikkhus, vocs j me viram falar desta forma antes? No, venervel senhor. [16] Bhikkhus, o Tathagata um arahant, perfeitamente iluminado. Ouam bhikkhus, o Imortal foi alcanado. Eu os instruirei, eu lhes ensinarei o Dhamma. Praticando da forma instruda, realizando por vocs mesmos atravs do conhecimento direto vocs logo entraro e permanecero no objetivo supremo da vida santa pelo qual membros de cls abandonam a vida em famlia pela vida santa.

29. Eu fui capaz de convencer o grupo de cinco bhikkhus. [17] Ento, algumas vezes eu instrua dois bhikkhus enquanto que os outros trs esmolavam alimentos e todos ns seis vivamos daquilo que aqueles trs bhikkhus traziam de esmolas. Algumas vezes eu instrua trs bhikkhus enquanto que os outros dois esmolavam alimentos e todos ns seis vivamos daquilo que aqueles dois bhikkhus traziam de esmolas.

30. Ento o grupo de cinco bhikkhus ensinados e instrudos por mim, estando eles mesmos sujeitos ao nascimento, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao nascimento, buscando o que no nasce, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, alcanaram o que no nasce, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando eles mesmos sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes, buscando o que no envelhece, o que no est sujeito enfermidade, o imortal, o que no est sujeito tristeza, o que no contaminado, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, alcanaram o que no envelhece, o que no est sujeito enfermidade, o imortal, o que no est sujeito tristeza, o que no contaminado, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana. Surgiram neles a viso e o conhecimento: Inabalvel a libertao da minha mente. Este o ltimo nascimento. No h mais vir a ser a nenhum estado.

(Prazer Sensual)

31. Bhikkhus, existem esses cinco elementos do prazer sensual. [18] Quais so os cinco? Formas percebidas pelo olho que so desejveis, agradveis e fceis de serem gostadas, conectadas com o desejo sensual e que provocam a cobia. Sons percebidos pelo ouvido ... Aromas percebidos pelo nariz ... Sabores percebidos pela lngua ... Tangveis percebidos pelo corpo que so desejveis, agradveis e fceis de serem gostados, conectados com o desejo sensual e que provocam a cobia. Esses so os cinco elementos do prazer sensual.

32. Quanto a esses contemplativos e brmanes que esto atados a esses cinco elementos do prazer sensual, apaixonados por eles e totalmente comprometidos com eles e que os utilizam sem ver o perigo que eles contm ou sem compreender como escapar deles, desses contemplativos e brmanes se pode compreender o seguinte: Eles encontraram a calamidade, encontraram o desastre, o Senhor do Mal poder fazer deles o que quiser. Suponham um gamo da floresta que esteja atado preso numa armadilha; dele se pode compreender o seguinte: Ele encontrou a calamidade, encontrou o desastre, o caador poder fazer dele o que quiser. Assim tambm com relao queles contemplativos e brmanes que esto atados a esses cinco elementos do prazer sensual ... deles se pode compreender o seguinte: Eles encontraram a calamidade, encontraram o desastre, o Senhor do Mal poder fazer deles o que quiser.

33. Quanto a esses contemplativos e brmanes que no esto atados a esses cinco elementos do prazer sensual, que no esto apaixonados por eles nem totalmente comprometidos com eles e que os utilizam vendo o perigo que eles contm, compreendendo como escapar deles, desses contemplativos e brmanes se pode compreender o seguinte: Eles no encontraram a calamidade, no encontraram o desastre, o Senhor do Mal no poder fazer deles o que quiser.[19] Suponham um gamo da floresta que no esteja atado, preso numa armadilha; dele se pode compreender o seguinte: Ele no encontrou a calamidade, no encontrou o desastre, o caador no poder fazer dele o que quiser, e quando o caador vier o gamo poder ir onde quiser. Assim tambm com relao queles contemplativos e brmanes que no esto atados a esses cinco elementos do prazer sensual ... deles se pode compreender o seguinte: Eles no encontraram a calamidade, no encontraram o desastre, o Senhor do Mal no poder fazer deles o que quiser.

34. Suponham um gamo da floresta que perambula pela regio inexplorada da floresta: ele caminha sem medo, fica em p sem medo, senta sem medo, deita sem medo. Por que isso? Porque ele se encontra fora do alcance do caador. Assim tambm, um bhikkhu afastado dos prazeres sensuais, afastado das qualidades no hbeis, entra e permanece no primeiro jhana, que caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o xtase e felicidade nascidos do afastamento. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara, se tornou invisvel para o Senhor do Mal ao privar o olho de Mara da sua oportunidade. [20]

35. Novamente, abandonando o pensamento aplicado e sustentado, um bhikkhu entra e permanece no segundo jhana, que caracterizado pela segurana interna e perfeita unicidade da mente, sem o pensamento aplicado e sustentado, com o xtase e felicidade nascidos da concentrao. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara...

36. Novamente, abandonando o xtase, um bhikkhu entra e permanece no terceiro jhana que caracterizado pela felicidade sem o xtase, acompanhada pela ateno plena, plena conscincia e equanimidade, acerca do qual os nobres declaram: Ele permanece numa estada feliz, equnime e plenamente atento. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara...

37. Novamente, com o completo desaparecimento da felicidade, um bhikkhu entra e permanece no quarto jhana, que possui nem felicidade nem sofrimento, com a ateno plena e a equanimidade purificadas. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara...

38. Novamente, com a completa superao das percepes da forma, com o desaparecimento das percepes de impacto sensual, com a no ateno na percepo da diversidade, consciente que o espao infinito, um bhikkhu entra e permanece na base do espao infinito. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara...

39. Novamente, com a completa superao da base do espao infinito, consciente que a conscincia infinita, um bhikkhu entra e permanece na base da conscincia infinita. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara...

40. Novamente, com a completa superao da base da conscincia infinita, consciente que no h nada, um bhikkhu entra e permanece na base do nada. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara...

41. Novamente, com a completa superao da base do nada, um bhikkhu entra e permanece na base da nem percepo, nem no percepo. Este bhikkhu, diz- se que vendou os olhos de Mara, se tornou invisvel para a Senhor do Mal ao privar o olho de Mara da sua oportunidade.

42. Novamente, com a completa superao da base da nem percepo, nem no percepo, um bhikkhu entra e permanece na cessao da percepo e sensao. E as suas impurezas so destrudas atravs da viso com sabedoria. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara, se tornou invisvel para o Senhor do Mal ao privar o olho de Mara da sua oportunidade e de ter cruzado para o outro lado do apego ao mundo. [21] Ele caminha sem medo, fica em p sem medo, senta sem medo, deita sem medo. Por que isso? Porque ele se encontra fora do alcance da Senhor do Mal.

Isso foi o que disse o Abenoado. Os bhikkhus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Abenoado.

 


 

Notas:

[1] MA aponta que o segundo jhana e o objeto de meditao de cada pessoa so ambos chamados de nobre silncio (ariyo tunhibhavo). Aqueles que no conseguem alcanar o segundo jhana so aconselhados a manter o nobre silncio ocupando-se com o seu objeto de meditao. Para ter uma idia dos assuntos de conversaco considerados inteis, veja o MN 76.4. [Retorna]

[2] Upadhi: Esta uma palavra de difcil traduo e talvez a interpretao que melhor se aproxime seja ativos ou bens, coisas que so adquiridas, acumuladas e usadas como base para fabricar a noo de uma identidade pessoal. Nos comentrios so enumerados vrios tipos de upadhi, entre eles os cinco agregados, os objetos do prazer sensual, as contaminaes e o kamma. De modo a capturar as distintas conotaes da palavra, a interpretao aquisies d destaque ao aspecto objetivo, e apego quando o aspecto subjetivo proeminente. No verso 19, Nibbana chamado de abandono de todas aquisies (sabbupadhipatinissagga), em que a inteno abranger ambos os significados. [Retorna]

[3] Ouro e prata no fazem parte das coisas sujeitas enfermidade, morte e tristeza, mas eles esto sujeitos s impurezas, de acordo com MA, porque eles podem ser combinados com metais de menor valor. [Retorna]

[4] A meditao da tranqilidade pode conduzir a oito tipos de realizaes: os quatro jhanas e as quatro realizaes imateriais. De acordo com MA, Alara Kalama ensinou sete realizaes culminando na base do nada, a terceira das quatro realizaes imateriais. Embora essas realizaes sejam louvveis do ponto de vista espiritual, elas ainda so mundanas e em si mesmas no conduzem a Nibbana. [Retorna]

[5] Isto , conduz ao renascimento no plano de existncia chamado de base do nada, a contrapartida objetiva da stima realizao meditativa. Nesse plano a expectativa de vida supostamente de 64.000 ons, mas quando esse tempo passar o ser ir falecer e retornar a um outro plano inferior. Assim quem alcana esta realizao ainda no est livre do nascimento e morte mas est aprisionado na armadilha de Mara (MA). [Retorna]

[6] Uddaka era o filho (putta) biolgico ou espiritual de Rama. Rama provavelmente j havia falecido antes que o Bodisatva encontrasse Uddaka. Deve ser notado que todas as referncias a Rama so feitas no tempo passado e na terceira pessoa e que ao final Uddaka coloca o Bodisatva na posio de mestre. Embora o texto no permita concluses definitivas, isso sugere que o prprio Uddaka ainda no havia alcanado a quarta realizao imaterial. [Retorna]

[7] O MN 36, que inclui o relato do encontro do Bodisatva com Alara Kalama e Udaka Ramaputta, continua a partir deste ponto com a histria das prticas ascticas extremas que o levaram prximo da morte e a subseqente descoberta do caminho do meio que o conduziu Iluminao. [Retorna]

[7a] Esforo neste caso padhana que tem o significado de esforo energtico e tambm de concentrao da mente. Veja o DN 33.1.11(10). [Retorna]

[8] MA identifica este Dhamma com as Quatro Nobres Verdades. As duas verdades, ou estados, mencionadas em seguida origem dependente e Nibbana so as verdades da origem do sofrimento e da cessao do sofrimento, que respectivamente implicam as verdades do sofrimento e do caminho. [Retorna]

[9] Alaya. difcil encontrar para essa palavra um equivalente adequado em Portugus que j no tenha sido dado a um outro termo em Pali, que aparece com mais freqncia. MA explica alaya como compreendendo ambos, o prazer sensual objetivo e os pensamentos de desejo associados a ele; assim adeso foi escolhido para transmitir esse duplo significado. [Retorna]

[10] MA coloca a questo, devido ao fato do Bodisatva h muito tempo atrs ter tido o desejo de alcanar o estado de Buda para libertar os outros seres, porque agora a sua mente se inclinava para a inao. A razo, diz o comentarista, que somente agora, depois de alcanar a iluminao, ele reconheceu plenamente a fora das impurezas nas mentes das pessoas e a profundidade do Dhamma. E ele queria tambm que Brahma lhe implorasse para ensinar para que os seres que veneram Brahma reconhecessem o precioso valor do Dhamma e desejassem ouvi-lo. [Retorna]

[11] Esses cinco bhikkhus acompanhavam o Bodisatva durante o seu perodo de mortificao convencidos de que ele alcanaria a iluminao e ento lhes ensinaria o Dhamma. No entanto, quando ele abandonou as austeridades e voltou a ingerir comida slida, eles deixaram de ter f nele, acusando-o de ter revertido ao luxo e o abandonaram. Veja o MN 36.33. [Retorna]

[12] Anantajina: talvez este fosse um epteto dos Ajivakas para o indivduo com a espiritualidade perfeita. [Retorna]

[13] De acordo com MA, depois disso Upaka se apaixonou pela filha de um caador e casou com ela. Quando ficou evidente que o seu casamento no era feliz, ele voltou a procurar o Buda, ingressou na Sangha e se tornou um que no retorna. Ele renasceu no paraso de Aviha onde alcanou o estado de arahant. [Retorna]

[14] Avuso: um termo familiar empregado entre pessoas com a mesma posio social. [Retorna]

[15] Veja o MN 12 - Nota 2. [Retorna]

[16] A mudana na forma de se dirigir de amigo para venervel senhor (bhante) indica que eles agora aceitaram a reivindicao do Buda e esto preparados a aceit-lo como superior. [Retorna]

[17] Neste ponto o Buda discursou o seu primeiro sermo, o Dhammacakkappavattana Sutta, Colocando a Roda do Dhamma em Movimento, sobre as quatro nobres verdades. Duas semanas mais tarde, depois que todos haviam alcanado o estado de entrar na correnteza, ele discursou o Anattalakkhana Sutta, As Caractersticas do No-Eu, ao ouv-lo todos alcanaram o estado de arahant. A narrativa completa destes eventos pode ser encontrada no Mahavagga (Vin i.7-14). [Retorna]

[18] Esta seo retoma o tema da busca nobre e ignbil com as quais o Buda comeou o discurso. A inteno mostrar que a adoo da vida monstica no garantia automtica de que a pessoa tenha embarcado na busca nobre, pois a busca ignbil tambm pode estar presente na vida monstica. [Retorna]

[19] Isto se refere ao uso dos quatro requisitos refletindo sobre o seu propsito numa vida de renncia. Veja o MN 2.13-16. [Retorna]

[20] As oito realizaes meditativas devem ser compreendidas neste caso, como explicado no MA, como bases para o insight. Quando um bhikkhu alcanou um desses jhanas, Mara no pode ver o que est ocorrendo na sua mente. Essa imunidade da influncia de Mara, no entanto, ainda temporria. [Retorna]

[21] Este ltimo bhikkhu, ao destruir as impurezas, no se tornou apenas invisvel temporariamente mas permanentemente inacessvel para Mara. Quanto cessao da percepo e sensao veja o MN 43 e MN 44. [Retorna]

 

 

Revisado: 29 Setembro 2007

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