Majjhima Nikaya 140

Dhatuvibhanga Sutta

A Anlise dos Elementos

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1.Assim ouvi. Em certa ocasio, o Abenoado estava perambulando pela regio de Magadha e acabou chegando em Rajagaha. L ele se dirigiu at o oleiro Bhaggava e lhe disse:

2. "Se no for inconveniente para voc, Bhaggava, eu ficarei por uma noite na sua oficina." "No nenhum inconveniente para mim, venervel senhor, porm h um errante que j est residindo l. Se ele concordar, ento fique por quanto tempo quiser, venervel senhor."

3. Agora, o membro de um cl com o nome de Pukkusati havia deixado a vida em famlia e partido para viver a vida santa por sua f no Abenoado, e naquela ocasio era ele quem j havia ocupado a oficina do oleiro.[1] Ento o Abenoado foi at Pukkusati e lhe disse: "Se no lhe for inconveniente, bhikkhu, eu ficarei por uma noite na oficina".
"A oficina espaosa, amigo.[2] Que o venervel fique pelo tempo que quiser."

4. Ento o Abenoado entrou na oficina do oleiro, arrumou uma cobertura de capim a um lado, sentou-se cruzando as pernas, mantendo seu corpo ereto, colocando a ateno plena sua frente. Ento o Abenoado passou a maior parte da noite sentado (em meditao) e Pukkusati tambm passou a maior parte da noite sentado (em meditao). Ento o Abenoado pensou: "Esse membro de um cl possui uma conduta que inspira confiana. E se eu o questionasse?" Assim ele perguntou:

5. "Por dedicao a quem, bhikkhu, voc adotou a vida santa? Quem o seu mestre? O Dhamma de quem voc professa?"[3]
"Existe, meu amigo, o contemplativo Gotama, um filho dos Sakyas, que adotou a vida santa deixando um cl Sakya. Agora, acerca desse contemplativo Gotama existe essa boa reputao: Esse Abenoado um arahant, perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um lder insupervel de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, desperto, sublime. Eu adotei a vida santa por dedicao a esse Abenoado. Esse Abenoado o meu mestre. o Dhamma desse Abenoado que eu professo."
"Mas, bhikkhu, onde est agora esse Abenoado um arahant, perfeitamente iluminado?"
"Existe, meu amigo, uma cidade nas terras do norte cujo nome Savatthi. L onde o Abenoado - um arahant, perfeitamente iluminado est agora."
"Mas, bhikkhu, voc j viu esse Abenoado antes? Vendo-o, voc o reconheceria?"
"No, amigo, eu nunca vi o Abenoado antes, e no o reconheceria se o visse."

6. Ento o pensamento ocorreu ao Abenoado: " por dedicao a mim que este membro de um cl adotou a vida santa. E se eu lhe ensinasse o Dhamma?" Assim ele disse o seguinte:
"Bhikkhu, eu lhe ensinarei o Dhamma. Oua e preste muita ateno ao que vou dizer."
"Sim, amigo," respondeu Pukkusati. O Abenoado disse o seguinte:

7. "Uma pessoa consiste de seis elementos, seis bases de contato e dezoito tipos de examinao mental e ela possui quatro fundamentos.[4] As torrentes das concepes no arrastam aquele que se mantm sobre eles [fundamentos] e quando as torrentes das concepes no o arrastam ele chamado um sbio em paz. A pessoa no deve negligenciar a sabedoria, deve preservar a verdade, deve cultivar a renncia e treinar para a paz. Esse o sumrio da anlise dos seis elementos.

8. "'Bhikkhu, uma pessoa consiste de seis elementos.'[5] Assim foi dito. Com referncia a que foi dito isso? H o elemento terra, o elemento gua, o elemento fogo, o elemento ar, o elemento espao, o elemento conscincia. Assim foi com referncia a isso que foi dito: Bhikkhu esta pessoa consiste de seis elementos.

9. "'Bhikkhu, uma pessoa consiste de seis bases de contato.' Assim foi dito. Com referncia a que foi dito isso? H a base de contato do olho, a base de contato do ouvido, a base de contato do nariz, a base de contato da lngua, a base de contato do corpo e a base de contato da mente. Assim foi com referncia a isso que foi dito: Bhikkhu esta pessoa consiste de seis bases de contato.

10. "'Bhikkhu, uma pessoa consiste de dezoito tipos de examinao mental.'[6] Assim foi dito. E com referncia a que foi dito isso? Ao ver uma forma com o olho, ele examina uma forma produtora de alegria, ele examina uma forma produtora de tristeza, ele examina uma forma produtora de equanimidade. Ao ouvir um som com o ouvido ... Ao cheirar um aroma com o nariz ... Ao saborear um sabor com a lngua ... Ao tocar um tangvel com o corpo ... Ao conscientizar um objeto mental com a mente, ele examina um objeto mental produtor de alegria, ele examina um objeto mental produtor de tristeza, ele examina um objeto mental produtor de equanimidade. Portanto, h seis tipos de examinao com alegria, seis tipos de examinao com tristeza e seis tipos de examinao com equanimidade. Assim foi com referncia a isso que foi dito: Os dezoito tipos de examinao mental devem ser compreendidos.

11. "'Bhikkhu, uma pessoa possui quatro fundamentos. Assim foi dito. Com referncia a que foi dito isso? Existe o fundamento da sabedoria, o fundamento da verdade, o fundamento da renncia, o fundamento da paz.[7] Assim foi com referncia a isso que foi dito: Bhikkhu esta pessoa possui quatro fundamentos.

12."'Uma pessoa no deve negligenciar a sabedoria, deve preservar a verdade, deve cultivar a renncia e deve treinar para a paz'[8] Assim foi dito. Com referncia a que foi dito isso?

13. Como, bhikkhu, uma pessoa no negligencia a sabedoria?[9] H esses seis elementos: o elemento terra, o elemento gua, o elemento fogo, o elemento ar, o elemento espao e o elemento conscincia.

14. O que, bhikkhu, o elemento terra? O elemento terra pode ser interno ou externo. O que o elemento terra interno? Qualquer coisa interna que pertena pessoa, que seja slida, solidificada e pela qual exista apego, isto , cabelos, plos do corpo, unhas, dentes, pele, carne, tendes, ossos, medula, rins, corao, fgado, diafragma, bao, pulmes, intestino grosso, intestino delgado, contedo do estmago, fezes ou qualquer outra coisa interna que pertena pessoa, que seja slida, solidificada e pela qual exista apego: chamada de elemento terra interno. Agora, tanto o elemento terra interno como o elemento terra externo so simplesmente elementos terra. E isso deve ser visto como na verdade , com correta sabedoria: Isso no meu, isso no sou eu, isso no o meu eu. Quando a pessoa v dessa forma, como na verdade , com correta sabedoria, a pessoa fica desencantada com o elemento terra e faz com que a mente fique desapegada em reao ao elemento terra.

15. O que, bhikkhu, o elemento gua? O elemento gua pode ser interno ou externo. Qual o elemento gua interno? Qualquer coisa interna que pertena pessoa, que seja liquida, aquosa e pela qual exista apego, isto , blis, fleuma, pus, sangue, suor, gordura, lgrimas, leo, saliva, muco, lquido sinovial, urina ou qualquer outra coisa interna na pessoa, que seja liquida, aquosa e pela qual exista apego: chamada de elemento gua interno. Agora, tanto o elemento gua interno como o elemento gua externo so simplesmente elementos gua. E isso deve ser visto como na verdade , com correta sabedoria: Isso no meu, isso no sou eu, isso no o meu eu. Quando a pessoa v dessa forma, como na verdade , com correta sabedoria, a pessoa fica desencantada com o elemento gua e faz com que a mente fique desapegada em reao ao elemento gua.

16. O que, bhikkhu, o elemento fogo? O elemento fogo pode ser interno ou externo. Qual o elemento fogo interno? Qualquer coisa interna que pertena pessoa, que seja fogo, ardente e pela qual exista apego, isto , aquilo pelo qual a pessoa aquecida, envelhece e consumida, aquilo pelo qual o que comido, bebido, consumido e saboreado digerido da maneira adequada ou qualquer outra coisa interna na pessoa, que seja fogo, ardente e pela qual exista apego: chamada de elemento fogo interno. Agora, tanto o elemento fogo interno como o elemento fogo externo so simplesmente elementos fogo. E isso deve ser visto como na verdade , com correta sabedoria: Isso no meu, isso no sou eu, isso no o meu eu. Quando a pessoa v dessa forma, como na verdade , com correta sabedoria, a pessoa fica desencantada com o elemento fogo e faz com que a mente fique desapegada em relao ao elemento fogo.

17. O que, bhikkhu, o elemento ar? O elemento ar pode ser interno ou externo. Qual o elemento ar interno? Qualquer coisa interna, que pertena pessoa, que seja ar, arejada e pela qual exista apego, isto , ventos que sobem, ventos que descem, ventos no estmago, ventos nos intestinos, ventos que percorrem o corpo, a inspirao e a expirao ou qualquer outra coisa interna na pessoa que seja ar, arejada e pela qual exista apego: chamada de elemento ar interno. Agora, tanto o elemento ar interno como o elemento ar externo so simplesmente elementos ar. E isso deve ser visto como na verdade , com correta sabedoria: Isso no meu, isso no sou eu, isso no o meu eu. Quando a pessoa v dessa forma, como na verdade , com correta sabedoria, a pessoa fica desencantada com o elemento ar e faz com que a mente fique desapegada em relao ao elemento ar.

18. O que, bhikkhu, o elemento espao? O elemento espao pode ser interno ou externo. Qual o elemento espao interno? Qualquer coisa interna na pessoa, que seja espao, espacial e pela qual exista apego, isto , os buracos das orelhas, as narinas, a boca e a abertura atravs da qual tudo o que comido, bebido, consumido e saboreado, engolido e agrupado excretado por baixo; ou qualquer outra coisa interna na pessoa, que seja espao, espacial e pela qual exista apego: chamada de elemento espao interno. Agora, ambos, o elemento espao interno e o elemento espao externo so simplesmente propriedades do espao. E isso deve ser visto como na verdade , com correta sabedoria: Isso no meu, isso no sou eu, isso no o meu eu. Quando a pessoa v dessa forma, como na verdade , com correta sabedoria, a pessoa fica desencantada com o elemento espao e faz com que a mente fique desapegada em relao ao elemento espao.

19. "Ento resta somente a conscincia, purificada e luminosa.[10] O que a pessoa conscientiza com essa conscincia? A pessoa conscientiza: Isto prazer. A pessoa conscientiza: Isto dor. A pessoa conscientiza: Isto nem prazer, nem dor. Na dependncia de um contato que para ser sentido como prazer, surge a sensao de prazer.[11] Quando sente uma sensao de prazer, a pessoa compreende que Eu estou sentindo uma sensao de prazer. A pessoa compreende que Com a cessao desse mesmo contato que para ser sentido como prazer, a sensao concomitante a sensao de prazer que surgiu na dependncia do contato que para ser sentido como prazer cessa, silenciada.' Na dependncia de um contato que para ser sentido como dor ... Na dependncia de um contato que para ser sentido nem como prazer nem como dor, surge a sensao nem de prazer nem de dor. Quando sente uma sensao nem de prazer nem de dor, a pessoa compreende que Eu estou sentindo uma sensao nem de prazer nem de dor. A pessoa compreende que Com a cessao desse mesmo contato que para ser sentido como nem prazer, nem dor, a sensao concomitante a sensao nem de prazer nem de dor que surgiu na dependncia do contato que para ser sentido nem como prazer nem como dor cessa, silenciada.'

"Bhikkhu, assim como do contato e frico de dois gravetos, o calor gerado e o fogo aparece e da separao e disjuno desses mesmos gravetos, o calor concomitante cessa, silenciado; da mesma forma na dependncia de um contato que para ser sentido como prazer, surge a sensao de prazer Na dependncia de um contato que para ser sentido como dor ... Na dependncia de um contato que para ser sentido nem como prazer nem como dor, surge uma sensao nem de prazer nem de dor ... A pessoa compreende que Com a cessao desse contato que para ser sentido nem como prazer nem como dor, a sensao concomitante ... cessa, silenciada.'

20. "Ento resta somente a equanimidade, purificada e luminosa, flexvel, malevel e luminosa.[12] Suponha, bhikkhu, que um ourives habilidoso ou seu aprendiz preparasse uma fornalha, aquecesse um cadinho, e tomando ouro com um par de tenazes, o colocasse no cadinho. Ele sopraria periodicamente, borrifaria gua periodicamente, examinaria periodicamente. Esse ouro se tornaria purificado, bem refinado, perfeitamente puro, sem defeitos, livre de impurezas, flexvel, malevel e luminoso. Ento, qualquer ornamento que o ourives queira fazer, quer seja uma diadema, brincos, um colar ou uma corrente, o ouro serviria aos seus propsitos. Da mesma forma, bhikkhu, resta somente equanimidade: purificada e luminosa, flexvel, malevel e luminosa.

21. Ele compreende que: Se eu fosse direcionar esta equanimidade assim purificada e luminosa, para a base do espao infinito e conseqentemente desenvolver a mente dessa forma, ento essa minha equanimidade, suportada por essa base, apegando-se a ela, permaneceria ali por muito tempo.[13] Ele compreende que: Se eu fosse direcionar esta equanimidade assim purificada e luminosa, para a base da conscincia infinita a base do nada a base da nem percepo nem no percepo, e conseqentemente desenvolver a mente dessa forma, ento essa minha equanimidade, suportada por essa base, apegando-se a ela, permaneceria ali por muito tempo.'

22. Ele compreende que: Se eu fosse direcionar esta equanimidade assim purificada e luminosa, para a base do espao infinito e conseqentemente desenvolver a mente dessa forma, isso seria condicionado.[14] Se eu fosse direcionar esta equanimidade assim purificada e luminosa, para a base da conscincia infinita a base do nada a base da nem percepo nem no percepo, e conseqentemente desenvolver a mente dessa forma, isto seria condicionado. Ele no forma nenhuma condio ou no gera nenhuma volio com o propsito de ser/existir ou no ser/existir.[15] J que ele no forma nenhuma condio ou no gera nenhuma volio com o propsito de ser/existir ou no ser/existir, ele no se apega a nada neste mundo. No se apegando, ele no fica agitado. Sem estar agitado, ele realiza Nibbana. Ele compreende que O nascimento foi destrudo, a vida santa foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, no h mais vir a ser a nenhum estado.'[16]

23. "Se ele sente uma sensao de prazer,[17] ele compreende: impermanente; no h que agarr-la; no existe prazer nela. Se ele sente uma sensao de dor, ele compreende: impermanente; no h que agarr-la; no existe prazer nela. Se ele sente uma sensao nem de prazer nem de dor, ele compreende: impermanente; no h que agarr-la; no existe prazer nela.

24. "Se ele sente uma sensao de prazer, ele a sente com imparcialidade; Se ele sente uma sensao de dor, ele a sente com imparcialidade; Se ele sente uma sensao nem de prazer nem de dor, ele a sente com imparcialidade. Quando ele sente uma sensao que d um fim ao corpo, ele compreende: Eu estou sentindo uma sensao que d um fim ao corpo. Quando ele sente uma sensao que d um fim vida, ele compreende: Eu estou sentindo uma sensao que d um fim vida. [18] Ele compreende: Com a dissoluo do corpo, com o fim da vida, tudo que sentido, no sendo deleitado, ir esfriar exatamente ali. [19] Bhikkhu, igual a uma lamparina que queima por fora do leo e do pavio, e se o leo e o pavio acabam, a chama se extingue por falta de combustvel; da mesma forma quando ele sente uma sensao que d um fim ao corpo ... uma sensao que d um fim vida, ele compreende: Eu estou sentindo uma sensao que d um fim vida. Ele compreende: Com a dissoluo do corpo, com o fim da vida, tudo que sentido, no sendo deleitado, ir esfriar exatamente ali.

25. Portanto um bhikkhu, possuindo essa sabedoria, possui o supremo fundamento da sabedoria. Pois isso, bhikkhu, a nobre sabedoria suprema, isto , o conhecimento da destruio de todo o sofrimento. [20]

26. "A sua libertao, estando fundamentada na verdade, inabalvel. Pois falso, bhikkhu, aquilo que possui uma natureza enganosa e verdadeiro aquilo que possui uma natureza no enganosa - Nibbana. Portanto, um bhikkhu, possuindo essa verdade possui o supremo fundamento da verdade. Pois isso, bhikkhu, a nobre verdade suprema, isto , Nibbana, que possui uma natureza no enganosa.

27. Antes, quando ele era ignorante, ele adquiriu e desenvolveu aquisies; [21] agora ele as abandonou, cortou pela raiz, fez como com um tronco de palmeira eliminando-as de tal forma que no estaro mais sujeitas a um futuro surgimento. Portanto um bhikkhu possuindo essa renncia possui o supremo fundamento da renncia. Pois isso, bhikkhu, a nobre renncia suprema, isto a renncia a todas as aquisies.

28. Antes, quando ele era ignorante, ele experimentou a cobia, desejo e paixo; agora ele os abandonou, cortou pela raiz, fez como com um tronco de palmeira eliminando-os de tal forma que no estaro mais sujeitos a um futuro surgimento. Antes, quando ele era ignorante, ele experimentou a raiva, m vontade e dio; agora ele os abandonou, cortou pela raiz, fez como com um tronco de palmeira eliminando-os de tal forma que no estaro mais sujeitos a um futuro surgimento. Antes, quando ele era ignorante, ele experimentou a ignorncia e a deluso; agora ele os abandonou, cortou pela raiz, fez como com um tronco de palmeira eliminando-os de tal forma que no estaro mais sujeitos a um futuro surgimento. Portanto um bhikkhu possuindo essa paz possui o supremo fundamento da paz. Pois isso, bhikkhu, a nobre paz suprema, isto a pacificao da cobia, raiva e deluso.

29. Assim foi com referncia a isso que foi dito: Ele no deve negligenciar a sabedoria, deve preservar a verdade, deve cultivar a renncia e deve treinar para a paz.

30. As torrentes das concepes no arrastam aquele que se mantm sobre eles (fundamentos) e quando as torrentes das concepes no o arrastam ele chamado um sbio em paz. [22] Assim foi dito. E com referncia a que foi dito isso?

31. Bhikkhu, 'Eu sou uma concepo; 'Eu sou isto' uma concepo; 'Eu serei uma concepo. 'Eu no serei' uma concepo; 'Eu possuirei forma' uma concepo; 'Eu no possuirei forma' uma concepo; 'Eu serei perceptivo' uma concepo; 'Eu serei no perceptivo' uma concepo; 'Eu serei nem perceptivo, nem no perceptivo' uma concepo. A concepo uma enfermidade, a concepo um cncer, a concepo uma flecha. Superando todas as concepes, se diz que ele um sbio em paz. E um sbio em paz no nasce, no envelhece, no morre, no agitado e est livre de desejos. Pois no existe nada presente nele pelo qual ele possa renascer.[23] No nascendo, como poder envelhecer? No envelhecendo, como poder morrer? No morrendo, como ficar agitado? No ficando agitado, o que ir desejar?

32. Portanto foi com referncia a isso que foi dito: 'As torrentes das concepes no arrastam aquele que se mantm sobre eles [fundamentos] e quando as torrentes das concepes no o arrastam ele chamado um sbio em paz. Bhikkhu, mantenha presente na sua mente esta breve anlise dos seis elementos."

33. Aps o que Pukkusati pensou: "Certamente o Mestre est comigo! Certamente o Abenoado est comigo! Certamente, o Iluminado est comigo!" Erguendo-se do seu assento, arrumando seu manto sobre um ombro, e curvando-se com a sua cabea aos ps do Abenoado, ele disse, "Venervel senhor, uma transgresso foi cometida por mim, em que como um tolo, confuso e atrapalhado em assumir que era adequado dirigir-me ao Abenoado como amigo. Venervel senhor, que o Abenoado perdoe a minha transgresso, de forma que eu possa me conter no futuro."

"Com certeza, bhikkhu, uma transgresso foi cometida por voc, em que como um tolo, confuso e atrapalhado em assumir que era adequado dirigir-se a mim como amigo. Porm como voc v a sua transgresso como tal e a corrige de acordo com o Dhamma, ns o perdoamos. Pois motivo para crescer na Disciplina do Abenoado quando vendo uma transgresso, a pessoa faz a correo de acordo com o Dhamma e exerce conteno no futuro."

34. Venervel senhor, eu receberia a admisso completa sob o Abenoado.
Mas os seus mantos e tigela esto completos?
Venervel senhor, meus mantos e tigela no esto completos.
Bhikkhu, os Tathagatas no do admisso completa para aqueles cujos mantos e tigela no esto completos.

35. Ento Pukkusati, tendo ficado satisfeito e contente com as palavras do Abenoado, levantou-se do seu assento e depois de homenagear o Abenoado, mantendo-o sua direita, saiu em busca de mantos e uma tigela. Ento, enquanto ele procurava pelos mantos e tigela, uma vaca descontrolada o matou.

36. Ento um grande nmero de bhikkhus foram at o Abenoado e depois de cumpriment-lo sentaram a um lado e disseram: "Venervel senhor, o membro de um cl Pukkusati, a quem o Abenoado instruiu com um ensino sumrio, morreu. Qual o seu destino? Qual o seu percurso futuro?"

"Bhikkhus, o membro de um cl Pukkusati era sbio. Ele praticava de acordo com o Dhamma e no me causou problemas na interpretao do Dhamma. Com a destruio dos cinco primeiros grilhes, ele renasceu espontaneamente (nas Moradas Puras) e l ir realizar o parinibbana sem nunca mais retornar desse mundo." [24]

Isso foi o que o Abenoado disse. Os bhikkhus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Abenoado.

 


 

Notas:

[1] De acordo com MA, Pukkusati havia sido rei em Gandhara, com a capital em Takkasila, e ele fez amizade com o rei Bimbisara de Magadha atravs de mercadores que viajavam entre os dois reinos para comerciar. Em uma troca de presentes Bimbisara enviou a Pukkusati folhas de ouro nas quais haviam sido gravadas descries das Trs Jias e ensinamentos do Dhamma, entre eles a prtica da ateno plena na respirao. Quando Pukkusati leu as inscries, ele sentiu uma imensa alegria e felicidade, e decidiu praticar a ateno plena na respirao, depois disso renunciando ao mundo. Sem tomar uma ordenao formal, ele raspou a cabea, vestiu mantos de cor ocre e deixou o palcio. Ele foi para Rajagaha com a inteno de encontrar o Buda que naquela ocasio se encontrava em Savathi, distante cerca de 500 quilmetros. O Buda viu Pukkusati com os seus poderes de clarividncia e vendo nele a capacidade de alcanar os caminhos supramundanos e os seus frutos, viajou sozinho a p at Rajagaha para encontr-lo. Para evitar ser reconhecido, por um ato da sua vontade, o Buda escondeu os seus atributos fsicos especiais tais como as marcas de um Grande Homem e apareceu tal como um monge errante comum. Ele chegou na cabana do oleiro pouco tempo depois que Pukkusati havia chegado, com a inteno de partir para Savathi no prximo dia para se encontrar com o Buda. [Retorna]

[2] Pukkusati, sem saber que quem havia chegado era o Buda, emprega o termo familiar avuso para dirigir-se a ele. [Retorna]

[3] MA: O Buda faz essas perguntas apenas como uma forma de iniciar a conversa pois ele j sabia que Pukkusati havia seguido a vida santa por conta prpria. [Retorna]

[4] MA: J que Pukkusati havia realizado a prtica preliminar do caminho e era capaz de alcanar o quarto jhana atravs da ateno plena na respirao, o Buda iniciou diretamente com um discurso acerca da meditao de insight, expondo o vazio ltimo que o fundamento para o estado de arahant. [Retorna]

[5] MA: Aqui o Buda explica o que na verdade no existe atravs daquilo que na verdade existe; pois os elementos na verdade existem mas a pessoa na verdade no existe. Este o significado: Aquilo que voc percebe como sendo uma pessoa consiste de seis elementos. Em ltima instncia no existe uma pessoa. Pessoa um mero conceito. [Retorna]

[6] Como no MN 137.8. [Retorna]

[7] Paadhitthana, saccadhitthana, cagadhitthana, upasamadhitthana. Nanamoli havia originalmente interpretado adhitthana como determinao e depois a substituiu com modo de expresso, nenhuma das quais parece adequada neste contexto. MA interpreta a palavra com patittha, que claramente quer dizer fundamento e explica o significado da frase da seguinte forma: Esta pessoa, que consiste dos seis elementos, das seis bases de contato e dos dezoito tipos de examinao mental quando ela se afasta deles e alcana o estado de arahant, a realizao suprema, ela assim o faz estabelecida sobre esses quatro fundamentos. Os quatro fundamentos sero elucidados individualmente na seqncia, versos 12-29. [Retorna]

[8] MA: Desde o incio a pessoa no deve negligenciar a sabedoria originada da concentrao e insight de modo a penetrar a sabedoria do fruto do estado de arahant. A pessoa deve preservar a linguagem que corresponda verdade de forma a realizar Nibbana, a verdade ltima. A pessoa deve cultivar o abandono de todas as contaminaes de forma a abandonar todas as contaminaes atravs do caminho de arahant. Desde o incio a pessoa deve treinar a pacificao de todas as contaminaes de forma a pacificar as contaminaes atravs do caminho de arahant. [Retorna]

[9] MA: No negligenciar a sabedoria explicado atravs da meditao dos elementos. Neste caso a anlise dos elementos idntica ao do MN 28.6, 11, 16, 21 e MN 62.8-12. [Retorna]

[10] MA: Este o sexto elemento, que resta no sentido de que ainda falta ser explicado pelo Buda e penetrado por Pukkusati. Aqui explicado como a conscincia que realiza o trabalho da contemplao de insight dos elementos. Sob o ttulo de conscincia, tambm introduzida a contemplao das sensaes. [Retorna]

[11] Este trecho mostra a condicionalidade da sensao e a sua impermanncia atravs da cessao da sua condio. [Retorna]

[12] MA identifica isto como sendo a equanimidade do quarto jhana. De acordo com MA, Pukkusati j tinha alcanado o quarto jhana e lhe tinha um forte apego. O Buda inicialmente elogia essa equanimidade para inspirar confiana em Pukkusati, ento gradualmente ele o conduz s realizaes imateriais e a alcanar os caminhos supramundanos e os seus frutos. [Retorna]

[13] O sentido : se ele alcana a base de espao infinito e falece estando ainda apegado a ela, ele renasce no mundo correspondente e vive ali pelo perodo de 20.000 ons. Nos trs mundos imateriais superiores o perodo de vida respectivamente de 40.000, 60.000 e 84.000 ons. [Retorna]

[14] MA: Isto dito de forma a mostrar o perigo das realizaes imateriais. Por esta frase, Isso seria condicionado, ele mostra que: Apesar de que ali o perodo de vida so 20.000 ons, isso condicionado, fabricado, composto. Dessa forma impermanente, instvel, que no dura, transitrio. Est sujeito ao falecimento, rompimento e dissoluo; est envolvido com o nascimento, envelhecimento e morte, enraizado no sofrimento. No um abrigo, um lugar seguro, um refgio. Tendo falecido ali na condio de mundano, ainda assim ele poder renascer num dos quatro estados de privao. [Retorna]

[15] So neva abhisankharoti nabhisancetayati bhavaya va vibhavaya. Os dois verbos sugerem a noo da volio como aquilo que mantm a continuidade da existncia condicionada. Cessando a volio de ser ou de no ser, mostra a extino do desejo pela existncia eterna e pela aniquilao, culminando no estado de arahant. Veja tambm o It.49. [Retorna]

[16] MA diz que neste ponto Pukkusati havia penetrado trs caminhos e frutos, tornando-se um que no retorna. Ele se deu conta de que o seu mestre era o prprio Buda, mas ele no podia expressar o que havia compreendido pois o Buda ainda continuava com o discurso. [Retorna]

[17] Este trecho mostra o arahant permanecendo no elemento Nibbana com algum resduo restante (dos fatores da existncia condicionada, sa-upadisesa nibbanadhatu). Embora ele continue experimentando sensaes, ele est livre da cobia por sensaes prazerosas, da averso por sensaes dolorosas e da ignorncia em relao a sensaes neutras. [Retorna]

[18] Isto , ele continua a experimentar as sensaes enquanto o corpo com as suas faculdades vitais existir, mas no alm disso. [Retorna]

[19] Isto se refere ao elemento Nibbana sem deixar nenhum resduo (anupadisesa nibbanadhatu) a cessao de toda a existncia condicionada. [Retorna]

[20] Isto completa a explicao do primeiro fundamento, que teve incio no verso 13. MA diz que o conhecimento da destruio de todo o sofrimento a sabedoria que pertence ao fruto do estado de arahant. [Retorna]

[21] MA menciona quatro tipos de aquisies (upadhi) os agregados, as contaminaes, as formaes volitivas, os prazeres sensuais. [Retorna]

[22] As torrentes das concepes (mannussava), como ser mostrado no pargrafo seguinte, so pensamentos e noes que se originam das trs fontes das concepes - desejo, presuno e idias. O sbio em paz (muni santo) o arahant. [Retorna]

[23] Aquilo que no est presente nele o desejo por ser, que conduz aqueles que no o erradicaram de regresso a um novo nascimento aps a morte. [Retorna]

[24] MA diz que ele renasceu na Morada Pura denominada Aviha e realizou o estado de arahant to pronto ali renasceu. [Retorna]

 

 

Revisado: 16 Abril 2013

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