Majjhima Nikaya 43

Mahavedalla Sutta

A Grande Seqncia de Perguntas e Respostas

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1. Assim ouvi. Em certa ocasio o Abenoado estava em Savathi, no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika.

Ento, ao anoitecer, o Venervel Maha Kotthita levantou-se da meditao, foi at o Venervel Sariputta e ambos se cumprimentaram. [1] Depois que a conversa corts e amigvel havia terminado, ele sentou a um lado e disse para o Venervel Sariputta:

(Sabedoria)

2. "'Algum que no sbio, algum que no sbio' se diz, amigo. Com referncia a que se diz, 'algum que no sbio'?"

"'A pessoa no compreende, a pessoa no compreende', amigo; por isso que se diz , 'algum que no sbio'. E o que a pessoa no compreende? A pessoa no compreende: 'Isto sofrimento'; a pessoa no compreende: 'Esta a origem do sofrimento'; a pessoa no compreende: 'Esta a cessao do sofrimento'; a pessoa no compreende: 'Este o caminho que conduz cessao do sofrimento'. 'A pessoa no compreende, a pessoa no compreende', amigo; por isso que se diz , 'algum que no sbio'".

Dizendo, "Muito bem, amigo", o Venervel Maha Kotthita ficou satisfeito e contente com as palavras do Venervel Sariputta. Em seguida ele fez outra pergunta:

3. "'Algum que sbio, algum que sbio', se diz, amigo. Com referncia a que se diz, 'algum que sbio'?"

"'A pessoa compreende, a pessoa compreende', amigo; por isso que se diz , 'algum que sbio'. E o que a pessoa compreende? A pessoa compreende: 'Isto sofrimento'; a pessoa compreende: 'Esta a origem do sofrimento'; a pessoa compreende: 'Esta a cessao do sofrimento'; a pessoa compreende: 'Este o caminho que conduz cessao do sofrimento'. 'A pessoa compreende, a pessoa compreende', amigo; por isso que se diz , 'algum que sbio'". [2]

(Conscincia)

4. "'Conscincia, conscincia,' se diz, amigo. Com referncia a que se diz, 'conscincia'?"

" conscientizar, conscientizar, amigo; por isso que se diz, 'conscincia'. [3] E o que conscientizado? conscientizado: '(Isto ) prazeroso'; conscientizado: '(Isto ) doloroso'; conscientizado: '(Isto ) nem prazeroso, nem doloroso'. ' conscientizar, conscientizar, amigo; por isso que se diz, 'conscincia'. [4]

5. "Sabedoria e conscincia, amigo - esses estados so associados ou dissociados? possvel separar cada um desses estados um do outro de modo a descrever a diferena entre eles?'

"Sabedoria e conscincia, amigo - esses estados so associados, no dissociados, e impossvel separar cada um desses estados um do outro de modo a descrever a diferena entre eles. Pois aquilo que a pessoa compreende com sabedoria, isso ela conscientiza, e aquilo que ela conscientiza, isso ela compreende com sabedoria. por isso que esses estados so associados, no dissociados e impossvel separar cada um desses estados do outro de modo a descrever a diferena entre eles". [5]

6. Qual a diferena, amigo, entre a sabedoria e a conscincia, esses estados que so associados, no dissociados?"

"A diferena, amigo, entre a sabedoria e a conscincia, estados esses que so associados, no dissociados, esta: a sabedoria deve ser desenvolvida, a conscincia deve ser plenamente compreendida". [6]

(Sensao)

7. "'Sensao, sensao', se diz, amigo. Com referncia a que se diz, 'sensao'?"

" o sentir, o sentir', amigo; por isso que se diz, 'sensao'. E o que sentido? sentido prazer, sentido dor, sentido nem prazer nem dor. ' o sentir, o sentir', amigo; por isso que se diz, 'sensao'". [7]

(Percepo)

8. "'Percepo, percepo', se diz, amigo. Com referncia a que se diz, 'percepo'?"

" o perceber, o perceber', amigo; por isso que se diz, 'percepo'. E o que percebido? percebido o azul, percebido o amarelo, percebido o vermelho e percebido o branco. ' o perceber, o perceber', amigo; por isso que se diz, 'percepo'". [8]

9. " Sensao, percepo e conscincia, amigo - esses estados so associados ou dissociados? possvel separar cada um desses estados um do outro de modo a descrever a diferena entre eles?'

"Sensao, percepo e conscincia, amigo - esses estados so associados, no dissociados, e impossvel separar cada um desses estados um do outro de modo a descrever a diferena entre eles. Pois aquilo que a pessoa sente, isso ela percebe; e aquilo que ela percebe, isso ela conscientiza. por isso que esses estados so associados, no dissociados e impossvel separar cada um desses estados um do outro de modo a descrever a diferena entre eles". [9]

(Que s pode ser conhecido pela mente)

10. Amigo, o que pode ser conhecido pela conscincia na mente purificada e libertada das cinco faculdades?"

"Amigo, atravs da conscincia na mente purificada e libertada das cinco faculdades a base do espao infinito pode ser conhecida assim: 'O espao infinito'; a base da conscincia infinita pode ser conhecida assim: 'A conscincia infinita'; e a base do nada pode ser conhecida assim: 'No h nada'". [10]

11. Amigo, com que a pessoa compreende um estado que pode ser compreendido?"

"Amigo, a pessoa compreende um estado que pode ser compreendido com o olho da sabedoria". [11]

12. Amigo, qual o propsito da sabedoria?"

"O propsito da sabedoria, amigo, o conhecimento direto, o seu propsito a completa compreenso, o seu propsito o abandono". [12]

(Entendimento Correto)

13. Amigo, quantas condies existem para o surgimento do entendimento correto?"

"Amigo, existem duas condies para o surgimento do entendimento correto: a voz de uma outra pessoa e a ateno com sabedoria. Essas so as duas condies para o surgimento do entendimento correto". [13]

14. Amigo, quantos fatores suportam o entendimento correto quando este tem a libertao da mente como o seu fruto, a libertao da mente como o seu fruto e benefcio, quando tem a libertao atravs da sabedoria como o seu fruto, a libertao atravs daa sabedoria como seu fruto e benefcio?"

"Amigo, o entendimento correto suportado por cinco fatores quando tem a libertao da mente como o seu fruto, a libertao da mente como o seu fruto e benefcio, quando tem a libertao atravs da sabedoria como o seu fruto, a libertao atravs da sabedoria como seu fruto e benefcio. Nesse caso, amigo, o entendimento correto suportado pela virtude, aprendizado, discusso, tranquilidade e insight. O entendimento correto suportado por esses cinco fatores tem a libertao da mente como o seu fruto, a libertao da mente como o seu fruto e benefcio, quando tem a libertao atravs da sabedoria como o seu fruto, a libertao atravs da sabedoria como seu fruto e benefcio." [14]

(Ser/existir)

15. "Amigo, quantos tipos de seres existem?"

"Existem trs tipos de seres, amigo: seres do reino da esfera sensual, seres do reino da matria sutil e seres do reino imaterial."

16. "Amigo, como gerada a renovao dos seres no futuro?"

"Amigo, a renovao dos seres no futuro gerada atravs do deleite com isto e com aquilo por parte dos seres que so atrapalhados pela ignorncia e agrilhoados pelo desejo." [15]

17. "Amigo, como a renovao dos seres no futuro no gerada?"

"Amigo, com a dissoluo da ignorncia, com o surgimento do verdadeiro conhecimento e com a cessao do desejo, a renovao dos seres no futuro no gerada."

(O Primeiro Jhana)

18. "Amigo, o que o primeiro jhana?"

"Neste caso, amigo, um bhikkhu afastado dos prazeres sensuais, afastado das qualidades no hbeis, entra e permanece no primeiro jhana, que caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o xtase e felicidade nascidos do afastamento. A isto se denomina o primeiro jhana."

19. "Amigo, quantos fatores possui o primeiro jhana?"

"Amigo, o primeiro jhana possui cinco fatores. Quando um bhikkhu entra no primeiro jhana, ocorrem o pensamento aplicado, o pensamento sustentado, o xtase, a felicidade e a unificao da mente. Esses so os cinco fatores do primeiro jhana."

20. 'Amigo, quantos fatores so abandonados no primeiro jhana e quantos fatores so possudos?"

"Amigo, no primeiro jhana cinco fatores so abandonados e cinco fatores so possudos. Quando um bhikkhu entra no primeiro jhana, o desejo sensual abandonado, a m vontade abandonada, o torpor e a preguia so abandonados, a inquietao e a ansiedade so abandonadas, e a dvida abandonada; e ocorrem o pensamento aplicado, o pensamento sustentado, o xtase, a felicidade e a unificao da mente. Assim como no primeiro jhana cinco fatores so abandonados e cinco fatores so possudos."

(As Cinco Faculdades)

21. "Amigo, essas cinco faculdades possuem cada uma um campo separado, um domnio separado e no experimentam o campo e o domnio das demais, isto , a faculdade do olho, a faculdade do ouvido, a faculdade do nariz, a faculdade da lngua e a faculdade do corpo. Agora, essas cinco faculdades, cada uma possuindo um campo separado, um domnio separado e no experimentando o campo e o domnio das demais, a que elas recorrem, o que que experimenta os seus campos e os seus domnios?" [16]

"Amigo, estas cinco faculdades possuem cada uma um campo separado, um domnio separado e no experimentam o campo e o domnio das demais, isto , a faculdade do olho, a faculdade do ouvido, a faculdade do nariz, a faculdade da lngua e a faculdade do corpo. Agora, essas cinco faculdades, cada uma possuindo um campo separado, um domnio separado e no experimentando o campo e o domnio das demais, recorrem mente e a mente experimenta os seus campos e os seus domnios."

22. "Amigo, quanto a essas cinco faculdades - isto , a faculdade do olho, a faculdade do ouvido, a faculdade do nariz, a faculdade da lngua e a faculdade do corpo - do que dependem essas cinco faculdades?"

"Amigo, quanto a essas cinco faculdades - isto , a faculdade do olho, a faculdade do ouvido, a faculdade do nariz, a faculdade da lngua e a faculdade do corpo - essas cinco faculdades dependem da vitalidade." [17]

" Amigo, e do que depende a vitalidade?"

"A vitalidade depende do calor." [18]

" Amigo, e do que depende o calor?"

"O calor depende da vitalidade."

"Agora mesmo, amigo, entendemos que o Venervel Sariputta havia dito : 'A vitalidade depende do calor'; e agora entendemos que ele disse: 'O calor depende da vitalidade.' Como deve ser interpretado o significado desses enunciados?"

"Nesse caso, amigo, eu explicarei com um smile pois alguns sbios compreendem o significado de um enunciado atravs de um smile. Como quando uma lmpada de leo est queimando, o seu brilho visto na dependncia da sua chama e a sua chama vista na dependncia do seu brilho; da mesma forma, a vitalidade depende do calor e o calor depende da vitalidade."

(Formaes Vitais)

23. "Amigo, as formaes vitais so sensaes ou as formaes vitais so uma coisa e as sensaes outra?"

"As formaes vitais, amigo, no so sensaes. [19] Se as formaes vitais fossem sensaes, ento quando um bhikkhu entrasse na cessao da percepo e da sensao, ele no seria visto emergir dela. Como as formaes vitais so uma coisa e as sensaes outra, quando um bhikkhu entra na cessao da percepo e da sensao, ele pode ser visto emergir dela."

24. "Amigo, quando este corpo estiver despojado de quantos estados, ele ser ento descartado e abandonado, largado deitado sem sentidos como um tronco de madeira?" [20]

"Amigo, quando este corpo estiver despojado de trs estados - vitalidade, calor e conscincia - ele ser ento descartado e abandonado, largado deitado sem sentidos como um tronco de madeira."

25. "Amigo, qual a diferena entre algum que esteja morto, que completou o seu tempo e um bhikkhu que entrou na cessao da percepo e da sensao?"

"Amigo, no caso de algum que esteja morto, que completou o seu tempo, as suas formaes corporais se acalmaram e cessaram, as suas formaes verbais se acalmaram e cessaram, as suas formaes mentais se acalmaram e cessaram, a sua vitalidade se exauriu, o seu calor se dissipou e as suas faculdades se desmancharam. No caso de um bhikkhu que entrou na cessao da percepo e da sensao, as suas formaes corporais se acalmaram e cessaram, as suas formaes verbais se acalmaram e cessaram, as suas formaes mentais se acalmaram e cessaram, mas a sua vitalidade no se exauriu, o seu calor no se dissipou e as suas faculdades se tornaram excepcionalmente ntidas. [21] Essa a diferena entre algum que esteja morto, que completou o seu tempo e um bhikkhu que entrou na cessao da percepo e da sensao."

(Libertao da Mente)

26. "Amigo, quantas condies existem para realizar a libertao nem dolorosa, nem prazerosa da mente ?"

"Amigo, h quatro condies para realizar a libertao nem dolorosa, nem prazerosa da mente: aqui, com o completo desaparecimento da felicidade, um bhikkhu entra e permanece no quarto jhana, que possui nem felicidade nem sofrimento, com a ateno plena e a equanimidade purificadas. Essas so as quatro condies para realizar a libertao nem dolorosa, nem prazerosa da mente."

27. "Amigo, quantas condies existem para realizar a libertao da mente sem sinais?"

"Amigo, h duas condies para realizar a libertao da mente sem sinais: no-ateno para todos os sinais e ateno para o elemento sem sinal. Essas so as duas condies para realizar a libertao da mente sem sinais" [22]

28. "Amigo, quantas condies existem para a persistncia da libertao da mente sem sinais?"

"Amigo, h trs condies para a persistncia da libertao da mente sem sinais: no-ateno a todos os sinais, ateno ao elemento sem sinal e a determinao anterior (quanto sua durao). Essas so as trs condies para a persistncia da libertao da mente sem sinais."

29. "Amigo, quantas condies existem para emergir da libertao da mente sem sinais?"

"Amigo, h duas condies para emergir da libertao da mente sem sinais: ateno a todos os sinais e no-ateno ao elemento sem sinal. Essas so as duas condies para emergir da libertao da mente sem sinais."

30. Amigo, a libertao imensurvel da mente, a libertao da mente atravs do nada, a libertao da mente atravs do vazio e a libertao da mente sem sinais: esses estados so distintos no seu significado e no nome, ou eles so uma coisa s em significado e distintos apenas no nome?"

"Amigo, a libertao imensurvel da mente, a libertao da mente atravs do nada, a libertao da mente atravs do vazio e a libertao da mente sem sinais: existe uma forma em que esses estados so distintos no seu significado e distintos no nome, e existe uma forma em que eles so uma coisa s no significado e distintos apenas no nome.

31. "Qual, amigo, a forma em que esses estados so distintos no seu significado e distintos no nome? Neste caso, um bhikkhu permanece com o corao pleno de amor bondade, permeando o primeiro quadrante com a mente imbuda de amor bondade, da mesma forma o segundo, da mesma forma o terceiro, da mesma forma o quarto; assim acima, abaixo, em volta e em todos os lugares e para todos bem como para si mesmo, ele permanece permeando o mundo todo com a mente imbuda de amor bondade, abundante, transcendente, imensurvel, sem hostilidade e sem m vontade. Ele permanece com o corao pleno de compaixo, permeando o primeiro quadrante com a mente imbuda de compaixo ... com a mente imbuda de alegria altrusta ... com a mente imbuda de equanimidade, da mesma forma o segundo, da mesma forma o terceiro, da mesma forma o quarto; assim acima, abaixo, em volta e em todos os lugares e para todos bem como para si mesmo, ele permanece permeando o mundo todo com a mente imbuda de equanimidade, abundante, transcendente, imensurvel, sem hostilidade e sem m vontade. A isto se denomina a libertao imensurvel da mente.

32. "E como, amigo, a libertao da mente atravs do nada? Neste caso, com a completa superao da base da conscincia infinita, consciente de que 'no existe nada', um bhikkhu entra e permanece na base do nada. A isto se denomina a libertao da mente atravs do nada.

33. "E como, amigo, a libertao da mente atravs do vazio? Neste caso um bhikkhu, dirigindo-se floresta, ou sombra de uma rvore, ou a um local isolado, reflete da seguinte forma: 'Isto vazio de um eu ou daquilo que pertena a um eu'. A isto se denomina a libertao da mente atravs do vazio. [23]

34. "E como, amigo, a libertao da mente sem sinais? Neste caso, atravs da no-ateno a todos os sinais, um bhikkhu entra e permanece na concentrao da mente sem sinais. A isto se denomina a libertao da mente sem sinais. [24] Assim como esses estados so distintos no seu significado e distintos no nome.

35. "E qual, amigo, a forma em que esses estados so uma coisa s em significado e distintos apenas no nome? A cobia que tira medidas, a raiva que tira medidas, a deluso que tira medidas. [25] No bhikkhu em que as impurezas foram destrudas, estas foram abandonadas, cortadas pela raiz, feitas como com um tronco de palmeira, eliminadas de tal forma que no mais estaro sujeitas a um futuro surgimento. De todas as libertaes imensurveis da mente, a libertao inabalvel da mente pronunciada como a melhor. Agora, essa libertao inabalvel da mente est vazia de cobia, vazia de raiva, vazia de deluso. [26]

36. "A cobia algo, a raiva algo, a deluso algo. [27] No bhikkhu em que as impurezas foram destrudas, elas foram abandonadas, cortadas pela raiz, feitas como com um tronco de palmeira, eliminadas de tal forma que no mais estaro sujeitas a surgirem no futuro. De todas as libertaes da mente atravs do nada, a libertao inabalvel da mente pronunciada como a melhor. [28] Agora, essa libertao inabalvel da mente est vazia de cobia, vazia de raiva, vazia de deluso.

37. "A cobia fazedora dos sinais, a raiva fazedora dos sinais, a deluso fazedora dos sinais. [29] No bhikkhu em que as impurezas foram destrudas, elas foram abandonadas, cortadas pela raiz, feitas como um tronco de palmeira, eliminadas de tal forma que no mais estaro sujeitas a surgirem no futuro. De todas as libertaes da mente sem sinais, a libertao inabalvel da mente pronunciada como a melhor. [30] Agora, essa libertao inabalvel da mente est vazia de cobia, vazia de raiva, vazia de deluso. Assim como esses estados so uma s coisa em significado e distintos apenas no nome." [31]

Isso foi o que disse o Venervel Sariputta. O Venervel Maha Kotthita ficou satisfeito e contente com as palavras do Venervel Sariputta.

 


 

Notas:

[1] O Ven. Maha Kotthita foi declarado pelo Buda como sendo o primeiro discpulo entre aqueles que haviam adquirido o conhecimento analtico (patisambhida). [Retorna]

[2] De acordo com MA, a compreenso das Quatro Nobres Verdades que est sendo discutida o entendimento do caminho supramundano. Portanto a pessoa no nvel mais baixo descrita como 'algum que sbio' (pannava) a pessoa que est no caminho daquele que 'entrou na correnteza'. [Retorna]

[3] A frase em Pali que define conscincia utiliza apenas o verbo, vijanati, vijanati, que pode ser interpretado como discernimento, conhecimento discriminador. [Retorna]

[4] MA: A questo diz respeito conscincia, com a qual a pessoa descrita como 'algum que sbio', examina as formaes; isto , a conscincia do insight atravs da qual a pessoa obteve aquela realizao, a mente que executa a tarefa da meditao. O Ven. Sariputta responde explicando a sensao como objeto de meditao da forma como apresentado no Discurso dos Fundamentos da Ateno Plena (MN 10.32). A construo em Pali, sukhan ti pi vijanati, indica que a sensao est sendo tratada como um objeto direto da conscincia ao invs do aspecto emocional daquilo que experimentado; para mostrar isso as palavras "isto " foram acrescentadas em parntesis e toda a frase foi colocada entre aspas. [Retorna]

[5] Este enunciado se refere sabedoria e conscincia em ambos os eventos, insight e o caminho supramundano. Ambas so associadas, no sentido de que surgem e cessam simultaneamente e compartem a mesma base sensual e objeto. No entanto, ambas no esto inseparavelmente associadas j que a sabedoria sempre requer a conscincia mas a conscincia pode ocorrer sem a sabedoria. [Retorna]

[6] A sabedoria, sendo um dos fatores do caminho (entendimento correto), deve ser desenvolvida. A conscincia, sendo parte dos cinco agregados que pertencem nobre verdade do sofrimento, deve ser plenamente compreendida - como impermanente, insatisfatria e no-eu. [Retorna]

[7] MA diz que a pergunta e a resposta se referem s sensaes mundanas que so objeto alvo do insight. A construo em Pali, sukham pi vedeti, etc., mostra a sensao como sendo simultaneamente uma qualidade do objeto e o tom emocional da experincia atravs da qual ela apreendida. MA destaca que a prpria sensao sente; no existe um outro (separado) que sinta. [Retorna]

[8] MA: A pergunta e a resposta se referem s percepes mundanas que compem o escopo do insight. [Retorna]

[9] MA: A sabedoria foi excluda desta resposta porque a inteno mostrar somente os estados que esto associados em cada momento da conscincia. [Retorna]

[10] MA: A conscincia na mente purificada (parisuddha manoviana) a conscincia do quarto jhana. Ela pode conhecer as realizaes imateriais na medida em que algum estabelecido no quarto jhana seja capaz de alcan-las. A base da nem-percepo, nem no-percepo excluda neste caso porque, devido sua sutileza, ela no faz parte do escopo da contemplao para alcanar o insight. [Retorna]

[11] MA: O olho da sabedoria (paacakkhu) a prpria sabedoria, chamada de olho no sentido que um rgo de viso espiritual. [Retorna]

[12] A distino entre conhecimento direto (abhia) e a completa compreenso (paria) pode ser encontrada no MN 1.27. [Retorna]

[13] MA: "A voz de uma outra pessoa" (parato ghosa) representa o ensinamento benfico do Dhamma. Essas duas so condies necessrias para que os discpulos obtenham o entendimento correto do insight e o entendimento correto do caminho supramundano. No entanto, os paccekabuddhas e os Budas perfeitamente iluminados alcanam a iluminao e a oniscincia somente atravs da ateno com sabedoria, sem "a voz de outra pessoa." [Retorna]

[14] MA: O entendimento correto, neste caso, o que pertence ao caminho do arahant. "Libertao da mente" e "libertao atravs da sabedoria", ambos se referem ao fruto do estado de arahant. Quando algum realiza esses cinco fatores, o caminho do arahant surge e produz os seus frutos. [Retorna]

[15] "A renovao dos seres no futuro" (ayatim punabbhavabhinibbatti) o renascimento, a continuao do ciclo. Esta questo e a seguinte podem ser interpretadas como uma abordagem resumida da frmula de doze elos da cadeia da origem dependente descrita no MN 38.17 e 20. [Retorna]

[16] As cinco faculdades sensuais externas possuem cada uma o seu objeto exclusivo - formas para o olho, sons para o ouvido, etc - mas a faculdade da mente capaz de experimentar os objetos de todos os cinco sentidos bem como os objetos mentais exclusivos dela mesma. Por conseguinte as outras cinco faculdades recorrem mente (manopatisaranam). [Retorna]

[17] MA identifica a vitalidade (ayu) com a faculdade vital, (jivitindriya), que tem a funo de manter e vitalizar os demais fenmenos materiais do corpo vivo. [Retorna]

[18] Calor (usma) o calor nascido do kamma intrnseco ao corpo vivo. [Retorna]

[19] As " formaes vitais" (ayusankhara), de acordo com MA, denotam a prpria vitalidade. Elas no podem ser sensaes porque delas se exige que mantenham o corpo de um bhikkhu vivo quando ele atinge a cessao da percepo e da sensao. Essa realizao especial meditativa, na qual toda a atividade mental cessa, s pode ser alcanada por 'aqueles que no retornam' e arahants que tambm tm o domnio sobre os oito jhanas. A cessao da percepo e da sensao tambm aparece no MN 44. [Retorna]

[20] Isto , morte. O abandono do corpo pela conscincia no suficiente para caracterizar a morte; a vitalidade e o calor vital tambm precisam se extinguir. [Retorna]

[21] As formaes corporais so a respirao, as formaes verbais so o pensamento aplicado e sustentado, as formaes mentais so a percepo e a sensao - veja o MN 44.14-15. MA diz que as faculdades ao longo do curso de uma vida comum, sendo invadidas pelos objetos dos sentidos, so atormentadas e manchadas como um espelho colocado em uma encruzilhada; porm as faculdades de algum empenhado na cessao se tornam excepcionalmente ntidas da mesma forma como um espelho colocado em um estojo dentro de uma caixa. [Retorna]

[22] MA: A "libertao da mente sem sinais" (animittacetovimutti) a realizao do fruto supramundano; os "sinais" so objetos tal como as formas, etc.; o elemento sem sinal" Nibbana, onde todos os sinais dos fenmenos condicionados esto ausentes. [Retorna]

[23] MA identifica suata cetovimutti como o insight do vazio de um eu (ou essncia inerente) em pessoas e coisas. [Retorna]

[24] Da mesma forma como mencionado acima, MA identifica a libertao da mente sem sinais com a realizao do fruto supramundano. Das quatro libertaes da mente mencionadas no verso 30, somente esta supramundana. As trs primeiras - os brahmaviharas, a terceira realizao imaterial e o insight do vazio de todas as formaes - todas pertencem ao nvel mundano. [Retorna]

[25] Cobia, raiva e deluso podem ser compreendidos como "aqueles que tiram medidas" (pamanakarana) no sentido de que impem limitaes sobre o escopo e profundidade da mente; MA, no entanto, explica esta frase como significando que as impurezas permitem que algum mea uma pessoa como uma pessoa comum, como uma que entrou na correnteza, como uma que retorna uma vez ou como uma que no retorna. [Retorna]

[26] MA: Existem doze libertaes imensurveis da mente: os quatro brahmaviharas, os quatro caminhos supramundanos e os seus quatro frutos. A libertao da mente inabalvel o fruto do estado de arahant. A afirmao de que essa libertao inabalvel est vazia de cobia, raiva e deluso - tambm repetida ao final dos versos 36 e 37 - tambm a identifica como a libertao supramundana da mente atravs do vazio. [Retorna]

[27] MA explica a palavra kincana como significando "impedimento" ou "obstculo". [Retorna]

[28] MA: Existem nove libertaes da mente atravs do nada: a base do nada e os quatro caminhos supramundanos e os seus frutos. [Retorna]

[29] MA interpreta a frase "fazedor dos sinais" (nimittakarana) como significando que a cobia, a raiva e a deluso marcam algum como sendo uma pessoa comum ou nobre, como cobiosa, raivosa ou deludida. Mas, tambm pode significar que essas impurezas fazem com que a mente atribua um significado falso s coisas como sendo permanentes, agradveis, possuindo um eu ou belas. [Retorna]

[30] MA: H treze libertaes da mente sem sinais: insight, porque remove os sinais de permanncia, prazer e eu; as quatro realizaes imateriais, porque elas no possuem o sinal da forma material; e os quatro caminhos supramundanos e os seus frutos, por causa da ausncia do sinal das impurezas. [Retorna]

[31] Todas as quatro libertaes da mente possuem um nico significado, pois todas se referem realizao do estado de arahant. MA tambm indica que as quatro libertaes possuem um nico significado, porque os termos - imensurvel, nada, vazio e a ausncia de sinal so, todos, nomes para Nibbana que o objeto da realizao do estado de arahant. [Retorna]

 

 

Revisado: 22 Agosto 2012

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