Samyutta Nikaya XXXV.243

Avassutapariyaya Sutta

Discurso sobre o Corrompido

Somente para distribuio gratuita.
Este trabalho pode ser impresso para distribuio gratuita.
Este trabalho pode ser re-formatado e distribudo para uso em computadores e redes de computadores
contanto que nenhum custo seja cobrado pela distribuio ou uso.
De outra forma todos os direitos esto reservados.

 


Em certa ocasio, o Abenoado estava entre os Sakyas em Kapilavatthu, no Parque de Nigrodha. Agora, naquela ocasio um novo salo para assemblias havia sido construdo recentemente para os Sakyas de Kapilavatthu e ele ainda no havia sido habitado de modo nenhum por nenhum contemplativo ou brmane ou ser humano. Ento os Sakyas de Kapilavatthu foram at o Abenoado. Depois de cumpriment-lo eles sentaram a um lado e disseram:

Venervel senhor, um novo salo para assemblias foi recentemente construdo para os Sakyas de Kapilavatthu e ele ainda no foi habitado de modo nenhum por nenhum contemplativo ou brmane ou ser humano. Venervel senhor, que o Abenoado seja o primeiro a us-lo. Depois que o Abenoado tiver primeiro usado o salo, ento os Sakyas de Kapilavatthu iro us-lo. Isso ser para a felicidade e bem-estar deles por muito tempo. [1]

O Abenoado concordou em silncio. Ento, quando eles viram que ele havia concordado, eles levantaram dos seus assentos e depois de homenagear o Abenoado, mantendo-o sua direita, foram at o salo de assemblias. Eles cobriram o salo completamente com coberturas e prepararam assentos, e eles arranjaram um grande jarro com gua e penduraram uma lamparina de azeite. Ento eles foram at o Abenoado e depois de cumpriment-lo, ficaram em p a um lado e disseram: Que o Abenoado venha quando lhe for conveniente.

Ento o Abenoado se vestiu e tomando a sua tigela e o manto externo, foi com a Sangha dos bhikkhus at o salo de assemblias. Ao chegar, ele lavou os ps e depois entrou no salo e sentou prximo coluna central olhando para o leste. E os bhikkhus lavaram os ps e depois entraram no salo e sentaram na parede do lado oeste olhando para o leste, com o Abenoado sua frente. E os Sakyas de Kapilavatthu lavaram os ps e entraram no salo e sentaram na parede do lado leste olhando para o oeste, com o Abenoado sua frente.

Ento o Abenoado instruiu, motivou, estimulou e encorajou os Sakyas de Kapilavatthu com um discurso do Dhamma, durante a maior parte da noite, depois do que ele os dispensou dizendo: A noite terminou, Gotamas. [2] Vocs agora podem ir, quando lhes for conveniente.

Sim, venervel senhor, eles responderam. Ento eles levantaram dos seus assentos e depois de homenagear o Abenoado, mantendo-o sua direita, partiram. Ento, no muito tempo depois que os Sakyas de Kapilavatthu haviam partido, o Abenoado se dirigiu ao Venervel Mahamoggallana do seguinte modo: A Sangha dos bhikkhus est livre da preguia e do torpor, Moggallana. Faa um discurso do Dhamma para os bhikkhus. As minhas costas esto me incomodando. Eu irei descans-las.

Sim, venervel senhor, o venervel Mahamoggallana respondeu.

Ento, o Abenoado dobrou em quatro o seu manto feito de retalhos e deitou no seu lado direito, na postura do leo, com um p sobre o outro, atento e plenamente consciente, aps anotar na mente o horrio para levantar. Em seguida o Venervel Mahamoggallana se dirigiu aos bhikkhus do seguinte modo: Amigos, bhikkhus!

Amigo! Aqueles bhikkhus responderam. O Venervel Mahamoggallana disse o seguinte:

Eu ensinarei para vocs, amigos, um discurso sobre o corrompido e o incorrompido. Ouam e prestem muita ateno quilo que eu vou dizer. Sim, venervel senhor, os bhikkhus responderam. O Venervel Mahamoggallana disse o seguinte::

Como, amigos, algum corrompido? Aqui, ao ver uma forma com o olho, ele se empenha pela forma prazerosa e repele a forma des-prazerosa. Ele permanece sem estabelecer a ateno plena no corpo, com a mente limitada, e no compreende como na verdade a libertao da mente, a libertao atravs da sabedoria, na qual aqueles estados ruins e prejudiciais cessam sem deixar vestgio. Ao ouvir um som com o ouvido ... Ao conscientizar um objeto mental com a mente, ele se empenha pelo objeto mental prazeroso e repele o objeto mental des-prazeroso. Ele permanece sem estabelecer a ateno plena no corpo, com a mente limitada, e no compreende como na verdade a libertao da mente, a libertao atravs da sabedoria, na qual aqueles estados ruins e prejudiciais cessam sem deixar vestgio. [3]

Isso chamado, amigos, um bhikkhu que corrompido no meio de formas percebidas pelo olho, corrompido no meio de sons percebidos pelo ouvido, corrompido no meio de aromas percebidos pelo nariz, corrompido no meio de sabores percebidos pela lngua, corrompido no meio de tangveis percebidos pelo corpo, corrompido no meio de objetos mentais percebidos pela mente. Quando um bhikkhu assim permanece, se Mara se aproximar dele atravs do olho, Mara ter acesso a ele, Mara tomar posse dele. Se Mara se aproximar dele atravs do ouvido ... atravs da mente, Mara ter acesso a ele, Mara tomar posse dele.

Suponham, amigos, que houvesse uma cabana feita de junco ou de palha, seca, dessecada, envelhecida. Se um homem viesse do leste com uma tocha de capim em chamas, ou do oeste, ou do norte, ou do sul, ou por baixo, ou por cima, de qualquer modo que ele se aproximasse o fogo teria acesso cabana, o fogo tomaria posse da cabana. Da mesma forma, amigos, quando um bhikkhu assim permanece, se Mara se aproximar dele atravs do olho ... atravs da mente, Mara ter acesso a ele, Mara tomar posse dele.

Quando um bhikkhu assim permanece, as formas o subjugam; ele no subjuga as formas. Os sons o subjugam; ele no subjuga os sons. Os aromas o subjugam; ele no subjuga os aromas. Os sabores o subjugam; ele no subjuga os sabores. Os tangveis o subjugam; ele no subjuga os tangveis. Os objetos mentais o subjugam; ele no subjuga os objetos mentais. Isso chamado, amigos, um bhikkhu que subjugado pelas formas, subjugado pelos sons, subjugado pelos aromas, subjugado pelos sabores, subjugado pelos tangveis, subjugado pelos objetos mentais algum que est subjugado e que no subjuga. Estados ruins e prejudiciais o subjugam, estados que contaminam, que conduzem a uma renovada existncia, que trazem problemas, que resultam em sofrimento e que conduzem a um futuro nascimento, envelhecimento e morte.

dessa forma, amigos, que algum corrompido.

E como, amigos, algum incorrompido? Aqui, ao ver uma forma com o olho, ele no se empenha pela forma prazerosa e no repele a forma des-prazerosa. Ele permanece com a ateno plena no corpo estabelecida, com a mente ilimitada, e compreende como na verdade a libertao da mente, a libertao atravs da sabedoria, na qual aqueles estados ruins e prejudiciais cessam sem deixar vestgio. Ao ouvir um som com o ouvido ... Ao conscientizar um objeto mental com a mente, ele no se empenha pelo objeto mental prazeroso e no repele o objeto mental des-prazeroso. Ele permanece com a ateno plena no corpo estabelecida, com a mente ilimitada, e compreende como na verdade a libertao da mente, a libertao atravs da sabedoria, na qual aqueles estados ruins e prejudiciais cessam sem deixar vestgio.

Isso chamado, amigos, um bhikkhu que incorrompido no meio de formas percebidas pelo olho, incorrompido no meio de sons percebidos pelo ouvido, incorrompido no meio de aromas percebidos pelo nariz, incorrompido no meio de sabores percebidos pela lngua, incorrompido no meio de tangveis percebidos pelo corpo, incorrompido no meio de objetos mentais percebidos pela mente. Quando um bhikkhu assim permanece, se Mara se aproximar dele atravs do olho, Mara ir falhar em ter acesso a ele, Mara ir falhar em tomar posse dele. Se Mara se aproximar dele atravs do ouvido ... atravs da mente, Mara ir falhar em ter acesso a ele, Mara ir falhar em tomar posse dele.

Suponham, amigos, que houvesse uma casa ou salo com uma cumeeira no telhado, construdo com argila compacta e com as paredes recm revestidas. Se um homem viesse do leste com uma tocha de capim em chamas, ou do oeste, ou do norte, ou do sul, ou de abaixo, ou de acima, de qualquer modo que ele se aproximasse o fogo falharia em ter acesso casa ou salo, o fogo falharia em tomar posse da casa ou salo. Da mesma forma, amigos, quando um bhikkhu assim permanece, se Mara se aproximar dele atravs do olho ... atravs da mente, Mara ir falhar em ter acesso a ele, Mara ir falhar em tomar posse dele.

Quando um bhikkhu assim permanece, ele subjuga as formas; as formas no o subjugam. Ele subjuga os sons; os sons no o subjugam. Ele subjuga os aromas; os aromas no o subjugam. Ele subjuga os sabores; os sabores no o subjugam. Ele subjuga os tangveis; os tangveis no o subjugam. Ele subjuga os objetos mentais; os objetos mentais no o subjugam. Isso chamado, amigos, um bhikkhu que subjuga as formas, subjuga os sons, subjuga os aromas, subjuga os sabores, subjuga os tangveis, subjuga os objetos mentais algum que subjuga e que no subjugado. Ele subjugou aqueles estados ruins e prejudiciais que contaminam, que conduzem a uma renovada existncia, que trazem problemas, que resultam em sofrimento e que conduzem a um futuro nascimento, envelhecimento e morte.

dessa forma, amigos, que algum incorrompido.

Ento o Abenoado se levantou e se dirigiu ao Venervel Mahamoggallana do seguinte modo: Muito bem, Moggallana! Voc discursou bem para os bhikkhus o discurso sobre o corrompido e o incorrompido.

Isso foi o que disse o Venervel Mahamoggallana. O Mestre aprovou. Os bhikkhus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Venervel Mahamoggallana.

 


 

Notas:

[1] O MN 53 tambm descreve esta mesma cerimnia. [Retorna]

[2] O Buda se refere a eles como Gotamas porque eles faziam parte do cl Gotama ao qual ele mesmo pertencia. [Retorna]

[3] Igual ao SN XXXV.132. [Retorna]

>> Prximo Sutta

 

 

Revisado: 16 Abril 2013

Copyright © 2000 - 2021, Acesso ao Insight - Michael Beisert: editor, Flavio Maia: designer.