Majjhima Nikaya 95

Canki Sutta

Canki

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1. Assim ouvi. [1] Em certa ocasio o Abenoado estava perambulando por Kosala com uma grande sangha de bhikkhus at que por fim acabou chegando em um vilarejo brmane denominado Opasada. L o Abenoado ficou no Bosque dos Devas, [2] o Bosque da rvore Sal ao norte de Opasada.

2. Agora naquela ocasio o brmane Canki era o regente de Opasada, uma propriedade real com muitos habitantes, rica em pastagens, rvores, rios e gros, uma concesso real, uma doao sagrada que lhe foi dada pelo rei Pasenadi de Kosala.

3. Os brmanes chefes de famlia de Opasada ouviram: Gotama o contemplativo, o filho dos Sakyas, que adotou a vida santa deixando o cl dos Sakyas, andava perambulando em Kosala com um grande nmero de bhikkhus, com quinhentos bhikkhus, chegou em Opasada. E acerca desse mestre Gotama existe essa boa reputao: Esse Abenoado um arahant, perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um lder insupervel de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, desperto, sublime. Ele declara - tendo realizado por si prprio com o conhecimento direto - este mundo com os seus devas, maras e brahmas, esta populao com seus contemplativos e brmanes, seus prncipes e povo. Ele ensina o Dhamma, com o significado e fraseado corretos, que admirvel no incio, admirvel no meio, admirvel no final; e ele revela uma vida santa que completamente perfeita e imaculada. bom poder encontrar algum to nobre.

4. Assim, os brmanes chefes de famlia de Opasada saram de Opasada em grupos e bandos e se dirigiram para o norte, para o Bosque dos Devas, o Bosque da rvore Sal.

5. Agora naquela ocasio o brmane Canki havia se retirado para o andar superior do seu palcio para a sesta. Ento ele viu os brmanes chefes de famlia de Opasada saindo de Opasada em grupos e bandos e se dirigindo para o norte, para o Bosque dos Devas, o Bosque da rvore Sal. Ao v-los ele perguntou ao seu ministro: Estimado ministro, porque os brmanes chefes de famlia de Opasada esto saindo de Opasada em grupos e bandos e se dirigindo para o norte, para o Bosque dos Devas, o Bosque da rvore Sal?

6. Senhor, ali se encontra Gotama o contemplativo, o filho dos Sakyas, que adotou a vida santa deixando o cl dos Sakyas, que andava perambulando em Kosala...(igual ao verso 3)...Eles esto indo ver esse Mestre Gotama.

Ento, estimado ministro, v at os brmanes chefes de famlia de Opasada e lhes diga: Senhores, o brmane Canki diz o seguinte: Por favor esperem, senhores. O Brmane Canki tambm ir ver o contemplativo Gotama.

Sim, senhor, o ministro respondeu e foi at os brmanes chefes de famlia de Opasada e lhes disse a mensagem.

7. Agora naquela ocasio quinhentos brmanes de vrias regies estavam em Opasada por questes de negcios. Eles ouviram: Esto dizendo, que o brmane Canki est indo ver o contemplativo Gotama. Eles foram at o brmane Canki e lhe perguntaram: Senhor, verdade que voc ir ver o contemplativo Gotama? Assim , senhores. Eu irei ver o contemplativo Gotama.

8. Senhor, no v ver o contemplativo Gotama. No apropriado, Mestre Canki, que voc v ver o contemplativo Gotama; ao invs disso, apropriado que o contemplativo Gotama venha v-lo. Pois voc, senhor, bem nascido pelos dois lados, com a descendncia pura por parte da me e do pai por sete geraes, inatacvel e impecvel com respeito ao nascimento. Sendo assim, Mestre Canki, no apropriado que voc v ver o contemplativo Gotama; ao invs disso, apropriado que o contemplativo Gotama venha v-lo. Voc, senhor, rico, com grande riqueza e grandes posses. Voc, senhor, um mestre dos trs Vedas com os seus mantras, liturgia, fonologia e etimologia e as histrias como quinto elemento; hbil em filologia e gramtica, voc um perito em filosofia natural e nas marcas de um grande homem. Voc, senhor, belo, atraente e elegante, possuindo uma complexo de beleza suprema, com uma beleza e uma presena sublime, digno de ser contemplado. Voc, senhor, virtuoso, com a virtude madura, possuindo virtude amadurecida. Voc, senhor, um bom orador com boa comunicao; voc diz palavras que so corteses, distintas, imaculadas e que transmitem o significado. Voc, senhor, ensina os mestres de muitos e ensina a recitao dos mantras para trezentos estudantes brmanes. Voc, senhor, honrado, respeitado, reverenciado, venerado e estimado pelo brmane Pokkharasati. [3] Voc, senhor, governa Opasada, uma propriedade real com muitos habitantes...uma doao sagrada que lhe foi dada pelo rei Pasenadi de Kosala. Sendo assim, Mestre Canki, no apropriado que voc v ver o contemplativo Gotama; ao invs disso, apropriado que o contemplativo Gotama venha v-lo.

9. Quando isso foi dito, o brmane Canki disse para aqueles brmanes: Agora, senhores, ouam de mim porque apropriado que eu v ver o contemplativo Gotama e porque no apropriado que o Mestre Gotama venha me ver. Senhores, o contemplativo Gotama bem nascido pelos dois lados, com a descendncia pura por parte da me e do pai por sete geraes, inatacvel e impecvel com respeito ao nascimento. Sendo assim, apropriado que eu v ver o contemplativo Gotama e no apropriado que o Mestre Gotama venha me ver. Senhores, o contemplativo Gotama adotou a vida santa abandonando muito ouro e riquezas armazenados em cofres e depsitos. Senhores, o contemplativo Gotama deixou a vida em famlia e seguiu a vida santa ainda jovem, um homem jovem com o cabelo negro, dotado com as bnos da juventude, na flor da juventude. Senhores, o contemplativo Gotama raspou o cabelo e barba, vestiu o manto de cor ocre e deixou a vida em famlia e seguiu a vida santa embora a sua me e o seu pai desejassem outra coisa e chorassem com o rosto coberto de lgrimas. Senhores, o contemplativo Gotama belo, atraente e elegante, possuindo uma complexo de beleza suprema, com uma beleza e uma presena sublime, digno de ser contemplado. Senhores, o contemplativo Gotama virtuoso, com a virtude madura, possuindo virtude amadurecida. Senhores, o contemplativo Gotama um bom orador com boa comunicao; ele diz palavras que so corteses, distintas, imaculadas e que transmitem o significado. Senhores, o contemplativo Gotama o mestre dos mestres de muitos. Senhores, o contemplativo Gotama est livre da cobia sensual e sem vaidade pessoal. Senhores, o contemplativo Gotama possui a doutrina da eficcia moral da ao, a doutrina da eficcia moral dos atos; ele no busca prejudicar os brmanes. Senhores, o contemplativo Gotama deixou uma famlia aristocrtica, uma das famlias nobres originais. Senhores, o contemplativo Gotama deixou uma famlia rica, uma famlia com grande riqueza e grandes posses. Senhores, as pessoas vm de reinos remotos, de distritos remotos para inquirir o contemplativo Gotama. Senhores, muitos milhares de devas buscaram refgio pelo resto da vida no contemplativo Gotama. Senhores, acerca desse contemplativo Gotama existe essa boa reputao: Esse Abenoado um arahant, perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um lder insupervel de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, desperto, sublime. Senhores, o contemplativo Gotama possui as trinta e duas marcas de um Grande Homem. Senhores, o rei Seniya Bimbisara de Magadha e a sua esposa e filhos buscaram refgio pelo resto da vida no contemplativo Gotama. Senhores, o rei Pasenadi de Kosala e a sua esposa e filhos buscaram refgio pelo resto da vida no contemplativo Gotama. Senhores, o brmane Pokkharasati e a sua esposa e filhos buscaram refgio pelo resto da vida no contemplativo Gotama. Senhores, o contemplativo Gotama chegou em Opasada e est no Bosque dos Devas, o Bosque da rvore Sal ao norte de Opasada. Agora todos os contemplativos e brmanes que chegam na nossa cidade so nossos hspedes e hspedes devem ser honrados, respeitados, reverenciados e venerados por ns. Visto que o contemplativo Gotama chegou em Opasada, ele nosso hspede e como nosso hspede ele deve ser honrado, respeitado, reverenciado e venerado por ns. Sendo assim, senhores no apropriado que o Mestre Gotama venha me ver; ao invs disso, apropriado que eu v ver o Mestre Gotama.

Senhores, esse o tanto de mritos do Mestre Gotama que eu aprendi, mas o mrito do Mestre Gotama no est limitado a isso, pois o mrito do Mestre Gotama imensurvel. Visto que o Mestre Gotama possui cada um desses fatores, no apropriado que ele venha me ver; ao invs disso, apropriado que eu v ver o Mestre Gotama. Portanto, senhores, vamos todos ver o contemplativo Gotama.

10. Ento o brmane Canki, junto com um grande grupo de brmanes, foi at o Abenoado e ambos se cuprimentaram. Quando a conversa amigvel e corts havia terminado ele sentou a um lado.

11. Agora naquela ocasio o Abenoado estava sentado concluindo uma conversa amigvel com um grupo de brmanes eminentes. Sentado na assemblia estava um estudante brmane chamado Kapathika. Jovem, com a cabea raspada, dezesseis anos de idade, ele era um mestre nos trs Vedas, os seus mantras, liturgia, fonologia e etimologia e as histrias como quinto elemento; hbil em filologia e gramtica, um perito em filosofia natural e nas marcas de um grande homem. Enquanto os brmanes eminentes estavam conversando com o Abenoado ele com freqncia interrompia a conversa. Ento o Abenoado censurou o estudante brmane Kapathika da seguinte forma: Que o venervel Bharadvaja no interrompa a conversa dos eminentes brmanes. Que o venervel Bharadvaja espere at que a conversa termine.

Quando isso foi dito, o brmane Canki disse para o Abenoado: Que o Mestre Gotama no censure o estudante brmane Kapathika, o estudante brmane Kapathika um membro de um cl, ele um erudito, ele comunica bem, ele sbio; ele tem capacidade para participar desta discusso com o Mestre Gotama.

12. Ento o Abenoado pensou: Com certeza, j que os brmanes o respeitam dessa forma, o estudante brmane Kapathika deve ter maestria nas escrituras dos trs Vedas.

Ento o estudante brmane Kapathika pensou: Quando o contemplativo Gotama olhar nos meus olhos, eu lhe farei uma pergunta.

Ento, sabendo com a sua prpria mente do pensamento na mente do estudante brmane Kapathika, o Abenoado virou os olhos na direo dele. Ento o estudante brmane Kapathika pensou: O contemplativo Gotama virou na minha direo. E se eu lhe fizesse uma pergunta. Ento ele disse para o Abenoado: Mestre Gotama com relao aos antigos mantras e a coleo de escrituras dos brmanes que foram transmitidas oralmente, os brmanes chegam a uma concluso definitiva: Somente isto verdadeiro, todo o restante falso. O que o Mestre Gotama diz disso?

13. Como ento, Bharadvaja, entre os brmanes existe pelo menos um brmane que diga isto: Eu conheo isso, eu vi isso: somente isso verdadeiro, todo o restante falso? No, Mestre Gotama.

Como ento, Bharadvaja, entre os brmanes existe pelo menos um mestre ou um mestre de um mestre nas ltimas sete geraes de mestres que tenha dito isto: Eu conheo isso, eu vi isso: somente isso verdadeiro, todo o restante falso? No, Mestre Gotama.

Como ento, Bharadvaja, os antigos brmanes videntes, os criadores dos mantras, os compositores dos mantras antigos, que antigamente eram recitados, falados e compilados, e que ainda hoje os brmanes recitam e repetem, repetindo o que foi dito e recitando o que foi recitado isto , Atthaka, Vamaka, Vamadeva, Vessamitta, Yamataggi, Angirasa, Bharadvaja, Vasettha, Kassapa e Bhagu [4] pelo menos esses antigos brmanes videntes diziam isto: Ns conhecemos isso, ns vimos isso: somente isso verdadeiro, todo o restante falso? No, Mestre Gotama.

Portanto, Bharadvaja, parece que entre os brmanes no existe nem pelo menos um que diga isto: Eu conheo isso, eu vi isso: somente isso verdadeiro, todo o restante falso. E entre os brmanes no existe nem pelo menos um mestre ou um mestre de um mestre nas ltimas sete geraes de mestres que tenha dito isto: Eu conheo isso, eu vi isso: somente isso verdadeiro, todo o restante falso. E entre os antigos brmanes videntes, os criadores dos mantras, os compositores dos mantras ... at mesmo esses antigos brmanes videntes no diziam isto: Ns conhecemos isso, ns vimos isso: somente isso verdadeiro, todo o restante falso. Suponha que houvesse uma fila de homens cegos cada um em contato com o seguinte: o primeiro no v, o do meio no v, e o ltimo no v. Da mesma forma, Bharadvaja, em relao s suas afirmaes os brmanes se parecem a uma fila de homens cegos: o primeiro no v, o do meio no v, e o ltimo no v. O que voc pensa, Bharadvaja, em sendo assim, a f dos brmanes no se torna sem fundamento?

14. Os brmanes honram isso no somente pela f, Mestre Gotama. Eles tambm honram isso como tradio oral.

Bharadvaja, primeiro voc tomou uma posio com a f, agora voc fala de tradio oral. Existem cinco coisas, Bharadvaja, que podem ter dois tipos de resultados no aqui e agora. Quais cinco? [Conhecimento baseado na] F, preferncia, tradio, razo e idias. [5] Essas cinco coisas podem ter dois tipos de resultados no aqui e agora. Agora, algo pode ser completamente aceito pela f e ainda assim ser vazio, oco e falso; mas, alguma outra coisa pode no ser completamente aceita pela f e mesmo assim pode ser factual, verdadeira e certa. Novamente, algo pode ser preferido ... pode ser tradicional ... pode ser cogitado com base na razo ... pode ser baseado em idias e no entanto ser vazio, oco e falso; mas alguma outra coisa pode no ser preferida ... pode no ser tradicional ... pode no ser cogitada com base na razo ... pode no ser baseada em idias e mesmo assim ser factual, verdadeira e certa. Sob essas condies no apropriado que um homem sbio, que preserva a verdade, chegue a essa concluso definitiva: Somente isso verdadeiro, todo o restante falso.[6]

15. Mas, Mestre Gotama, de que forma ocorre a preservao da verdade? [7] De que forma uma pessoa preserva a verdade? Ns perguntamos ao Mestre Gotama sobre a preservao da verdade.

Se uma pessoa possui f, Bharadvaja, ela preserva a verdade quando ela diz: Minha f assim; mas ela ainda no chega a esta concluso definitiva: Somente isso verdadeiro, todo o restante falso. Dessa forma, Bharadvaja, ocorre a preservao da verdade; dessa forma ela preserva a verdade; dessa forma ns descrevemos a preservao da verdade. Mas at esse ponto no existe a descoberta da verdade. [8]

Se uma pessoa prefere algo ... se ela aceita uma tradio ... se ela chega a uma concluso baseada na razo ... se ela aceita alguma idia, ela preserva a verdade quando ela diz: Eu prefiro isso ... aceito esta tradio oral ... cheguei a esta concluso baseado na razo ... aceito esta idia; mas ela ainda no chega a esta concluso definitiva: Somente isso verdadeiro, todo o restante falso. Dessa forma, Bharadvaja, ocorre a preservao da verdade; dessa forma ela preserva a verdade; dessa forma ns descrevemos a preservao da verdade. Mas at esse ponto no existe a descoberta da verdade.

16. Dessa forma, Mestre Gotama, ocorre a preservao da verdade; dessa forma uma pessoa preserva a verdade; dessa forma ns reconhecemos a preservao da verdade. Mas de que forma, Mestre Gotama, ocorre a descoberta da verdade? De que forma uma pessoa descobre a verdade? Ns perguntamos ao Mestre Gotama sobre a descoberta da verdade.

17. Aqui, Bharadvaja, um bhikkhu pode estar vivendo na dependncia de algum vilarejo ou cidade. [9] Ento, um chefe de famlia, ou o filho de um chefe de famlia vai at ele e o examina em relao a trs tipos de estados: em relao aos estados baseados na cobia, em relao aos estados baseados na raiva e em relao aos estados baseados na deluso: Nesse venervel existe algum estado baseado na cobia de tal forma que com a mente obcecada por esse estado e apesar de no saber, ele possa dizer, Eu sei, ou sem ver, ele possa dizer, Eu vejo, ou ele possa incitar os outros a agirem de forma a causar o prprio dano e sofrimento por muito tempo? Ao examin-lo ele chega concluso: No existem estados baseados na cobia neste venervel. O comportamento corporal e o comportamento verbal deste venervel no so aqueles de algum afetado pela cobia. E o Dhamma que este venervel ensina profundo, difcil de ser visto e difcil de ser compreendido, pacfico, sublime, que no pode ser alcanado pelo mero raciocnio, sutil, para ser experimentado por um sbio. Este Dhamma no pode ser facilmente ensinado por algum afetado pela cobia.

18. Ao t-lo examinado e visto que ele est purificado de estados baseados na cobia, ele em seguida o examina com relao a estados baseados na raiva: Nesse venervel existe algum estado baseado na raiva de tal forma que com a mente obcecada por esse estado e apesar de no saber, ele possa dizer, Eu sei, ou sem ver ele possa dizer, Eu vejo, ou ele possa incitar os outros a agirem de forma a causar o seu prprio dano e sofrimento por muito tempo? Ao examin-lo ele chega concluso: No existem estados baseados na raiva neste venervel. O comportamento corporal e o comportamento verbal deste venervel no so aqueles de algum afetado pela raiva. E o Dhamma que este venervel ensina profundo, difcil de ser visto e difcil de ser compreendido, pacfico, sublime, que no pode ser alcanado pelo mero raciocnio, sutil, para ser experimentado por um sbio. Este Dhamma no pode ser facilmente ensinado por algum afetado pela raiva.

19. Ao t-lo examinado e visto que ele est purificado de estados baseados na raiva, ele em seguida o examina com relao a estados baseados na deluso: Nesse venervel existe algum estado baseado na deluso de tal forma que com a mente obcecada por esse estado e apesar de no saber, ele possa dizer, Eu sei, ou sem ver ele possa dizer, Eu vejo, ou ele possa incitar os outros a agirem de forma a causar o seu prprio dano e sofrimento por muito tempo? Ao examin-lo ele chega concluso: No existem estados baseados na deluso neste venervel. O comportamento corporal e o comportamento verbal deste venervel no so aqueles de algum afetado pela deluso. E o Dhamma que este venervel ensina profundo, difcil de ser visto e difcil de ser compreendido, pacfico, sublime, que no pode ser alcanado pelo mero raciocnio, sutil, para ser experimentado por sbio. Este Dhamma no pode ser facilmente ensinado por algum afetado pela deluso.

20. Ao t-lo examinado e visto que ele est purificado de estados baseados na deluso, ento ele deposita f nele; cheio de f ele o visita e o homenageia; ao homenage-lo, ele lhe d ouvidos; ao dar ouvidos, ele ouve o Dhamma; ao ouvir o Dhamma, ele o memoriza e examina o significado dos ensinamentos que ele memorizou; ao examinar o significado, ele aceita esses ensinamentos com base na reflexo; ao obter a aceitao desses ensinamentos baseado na reflexo, a aspirao brota; ao brotar a aspirao, ele aplica a sua vontade; ao aplicar a sua vontade, ele examina cuidadosamente; [10] ao examinar cuidadosamente, ele se esfora; [11] com esforo decidido, ele realiza com o corpo a verdade suprema, vendo-a e penetrando-a com sabedoria.[12] Dessa forma, Bharadvaja, ocorre a descoberta da verdade; dessa forma uma pessoa descobre a verdade; dessa forma descrevemos a descoberta da verdade. Mas ainda no existe a chegada final verdade. [13]

21. Dessa forma, Mestre Gotama, ocorre a descoberta da verdade; dessa forma uma pessoa descobre a verdade; dessa forma ns reconhecemos a descoberta da verdade. Mas de que forma, Mestre Gotama, ocorre a chegada final verdade? De que forma uma pessoa chega finalmente verdade? Ns perguntamos ao Mestre Gotama sobre a chegada final verdade.

A chegada final verdade, Bharadvaja, encontra-se na repetio, desenvolvimento e cultivo dessas mesmas coisas. Dessa forma, Bharadvaja, ocorre a chegada final verdade; dessa forma uma pessoa chega finalmente verdade; dessa forma descrevemos a chegada final verdade.

22. Dessa forma, Mestre Gotama, ocorre a chegada final verdade; dessa forma uma pessoa chega finalmente verdade; dessa forma ns reconhecemos a chegada final verdade. Mas o que, Mestre Gotama, de maior auxlio para a chegada final verdade? Ns perguntamos ao Mestre Gotama qual a coisa de maior auxlio para a chegada final verdade.

O esforo o que mais auxilia para a chegada final verdade, Bharadvaja. Se a pessoa no se esforar, ela no ir chegar finalmente verdade; mas porque a pessoa se esfora, ela ir chegar finalmente verdade. por isso que o esforo o maior auxlio para a chegada final verdade.

23. Mas o que, Mestre Gotama, de maior auxlio no esforo? Ns perguntamos ao Mestre Gotama qual a coisa de maior auxlio no esforo.

O exame cuidadoso o que mais auxilia no esforo, Bharadvaja. Se a pessoa no examinar cuidadosamente, ela no ir se esforar; mas porque a pessoa examina cuidadosamente, ela se esfora. por isso que o exame cuidadoso o maior auxlio no esforo.

24. Mas o que, Mestre Gotama, de maior auxlio para o exame cuidadoso? Ns perguntamos ao Mestre Gotama qual a coisa de maior auxlio no exame cuidadoso.

Aplicao da vontade o que mais auxilia no exame cuidadoso, Bharadvaja. Se a pessoa no aplicar a vontade, ela no ir examinar cuidadosamente; mas porque a pessoa aplica a vontade, ela examina cuidadosamente. por isso que a aplicao da vontade o maior auxlio no exame cuidadoso.

25. Mas o que, Mestre Gotama, de maior auxlio na aplicao da vontade? Ns perguntamos ao Mestre Gotama qual a coisa de maior auxlio na aplicao da vontade.

Aspirao o que mais auxilia na aplicao da vontade, Bharadvaja. Se a pessoa no despertar a aspirao, ela no ir aplicar a vontade; mas porque a pessoa desperta a aspirao, ela aplica a vontade. por isso que a aspirao o maior auxlio na aplicao da vontade.

26. Mas o que, Mestre Gotama, de maior auxlio para a aspirao? Ns perguntamos ao Mestre Gotama qual a coisa de maior auxlio para a aspirao.

A aceitao dos ensinamentos com base na reflexo o que mais auxilia a aspirao, Bharadvaja. Se a pessoa no aceitar os ensinamentos com base na reflexo, a aspirao no ir brotar; mas porque a pessoa aceita os ensinamentos com base na reflexo, a aspirao brota. por isso que a aceitao dos ensinamentos com base na reflexo o maior auxlio para a aspirao.

27. Mas o que, Mestre Gotama, de maior auxlio na aceitao dos ensinamentos com base na reflexo? Ns perguntamos ao Mestre Gotama qual a coisa de maior auxlio na aceitao dos ensinamentos com base na reflexo.

O exame do significado o que mais auxilia a aceitao dos ensinamentos com base na reflexo, Bharadvaja. Se a pessoa no examinar o seu significado, a pessoa no ir obter a aceitao dos ensinamentos baseada na reflexo; mas porque a pessoa examina o seu significado, ela obtm a aceitao dos ensinamentos baseada na reflexo. por isso que o exame do significado o maior auxlio na aceitao dos ensinamentos com base na reflexo.

28. Mas o que, Mestre Gotama, de maior auxlio no exame do significado? Ns perguntamos ao Mestre Gotama qual a coisa de maior auxlio no exame do significado.

Memorizar os ensinamentos o que mais auxilia no exame do significado, Bharadvaja. Se a pessoa no memoriza os ensinamentos, a pessoa no ir examinar o seu significado; mas porque a pessoa memoriza os ensinamentos, ela examina o seu significado. por isso que memorizar os ensinamentos o maior auxlio para o exame do seu significado.

29. Mas o que, Mestre Gotama, de maior auxlio para memorizar os ensinamentos? Ns perguntamos ao Mestre Gotama qual a coisa de maior auxlio para memorizar os ensinamentos.

Ouvir o Dhamma o que mais auxilia a memorizar os ensinamentos, Bharadvaja. Se a pessoa no ouve o Dhamma, ela no ir memorizar os ensinamentos; mas porque a pessoa ouve o Dhamma, ela memoriza os ensinamentos. por isso que ouvir o Dhamma o maior auxlio para memorizar os ensinamentos.

30. Mas o que, Mestre Gotama, de maior auxlio para ouvir o Dhamma? Ns perguntamos ao Mestre Gotama qual a coisa de maior auxlio para ouvir o Dhamma.

Dar ouvidos o que mais auxilia para ouvir o Dhamma, Bharadvaja. Se a pessoa no d ouvidos, ela no ir ouvir o Dhamma; mas porque a pessoa d ouvidos, ela ouve o Dhamma. por isso que dar ouvidos o maior auxlio para ouvir o Dhamma.

31. Mas o que, Mestre Gotama, de maior auxlio para dar ouvidos? Ns perguntamos ao Mestre Gotama qual a coisa de maior auxlio para dar ouvidos.

Homenagear o que mais auxilia a dar ouvidos, Bharadvaja. Se a pessoa no homenageia, ela no ir dar ouvidos; mas porque a pessoa homenageia, ela d ouvidos. por isso que para dar ouvidos o maior auxlio homenagear.

32. Mas o que, Mestre Gotama, de maior auxlio para homenagear? Ns perguntamos ao Mestre Gotama qual a coisa de maior auxlio para homenagear.

Visitar o que mais auxilia homenagear, Bharadvaja. Se a pessoa no visita um mestre, ela no ir homenage-lo; mas porque a pessoa visita um mestre, ela o homenageia. por isso que visitar o maior auxlio para homenagear.

33. Mas o que, Mestre Gotama, de maior auxlio para visitar? Ns perguntamos ao Mestre Gotama qual a coisa de maior auxlio para visitar.

F o que mais auxilia a visitar, Bharadvaja. Se a f em um mestre no surgir, a pessoa no ir visit-lo; mas porque a f em um mestre surge, ela o visita. por isso que f o maior auxlio para visitar.

34. Ns perguntamos ao Mestre Gotama sobre a preservao da verdade e o Mestre Gotama respondeu sobre a preservao da verdade; ns aprovamos e aceitamos a resposta e assim estamos satisfeitos. Ns perguntamos ao Mestre Gotama sobre a descoberta da verdade e o Mestre Gotama respondeu sobre a descoberta da verdade; ns aprovamos e aceitamos a resposta e assim estamos satisfeitos. Ns perguntamos ao Mestre Gotama sobre a chegada final verdade e o Mestre Gotama respondeu sobre a chegada final verdade; ns aprovamos e aceitamos a resposta e assim estamos satisfeitos. Ns perguntamos ao Mestre Gotama sobre a coisa que mais auxilia para finalmente chegar verdade e o Mestre Gotama respondeu sobre a coisa que mais auxilia para finalmente chegar verdade; ns aprovamos e aceitamos a resposta e assim estamos satisfeitos. Tudo que perguntamos ao Mestre Gotama, ele nos respondeu; ns aprovamos e aceitamos a resposta e assim estamos satisfeitos. Antes, Mestre Gotama, costumvamos pensar: Quem so esses contemplativos carecas, esses subalternos com a tez escura, descendentes dos ps do Ancestral, que seriam capazes de entender o Dhamma? [14] Mas o Mestre Gotama incutiu em mim amor por esses contemplativos, confiana nesses contemplativos, reverncia por esses contemplativos.

35. Magnfico, Mestre Gotama! Magnfico! Mestre Gotama esclareceu o Dhamma de vrias formas, como se colocasse em p o que estava de cabea para baixo, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para algum perdido ou segurasse uma lmpada no escuro para aqueles que possuem viso pudessem ver as formas. Eu busco refgio no Mestre Gotama, no Dhamma e na comunidade de bhikkhus. Que o Mestre Gotama se lembre de mim como o discpulo leigo que tomou refgio, deste dia em diante para o resto da sua vida.

 


 

Notas:

[1] At o verso 10 este sutta quase idntico ao Sonadanda Sutta (DN 4). [Retorna]

[2] MA: era assim chamado porque ali se faziam oferendas aos devas. [Retorna]

[3] Pokkharasati era um outro prspero brmane que residia em Ukkattha, uma propriedade real que lhe havia sido dada pelo rei Pasenadi. No DN 3 ele ouve um discurso do Buda, alcana o estado de entrar na correnteza e busca refgio no Buda, Dhamma e Sangha junto com toda a famlia e os seus acompanhantes. [Retorna]

[4] Esses eram os antigos rishis que os brmanes consideravam como sendo os autores, mediante inspirao divina, dos mantras vdicos. [Retorna]

[5] Em Pali: saddha, ruci, anussava, akaraparivitakka, ditthinijjhanakkhanti. Dessas cinco razes para estabelecer uma convico, as duas primeiras parecem ser na essncia emotivas, a terceira uma aceitao cega da tradio e as duas ltimas em sua essncia racionais ou cognitivas. Os dois tipos de resultados que cada uma pode ter verdadeiro ou falso. [Retorna]

[6] No apropriado que ele chegue a essa concluso porque ele no verificou pessoalmente a verdade da sua convico mas apenas a aceita baseado numa razo que no capaz de produzir a certeza. [Retorna]

[7] Saccanurakkhana: ou a salvaguarda da verdade, a proteo da verdade. [Retorna]

[8] Saccanubodha: ou o despertar para a verdade. [Retorna]

[9] O procedimento para a descoberta da verdade recomendado neste sutta parece ser um aprimoramento da abordagem descrita no MN 47. [Retorna]

[10] Aplica a vontade com o sentido de desenvolver a mente, fazer aquilo que necessrio para desenvolver a mente. Examina cuidadosamente, tuleti,de acordo com MA, ele investiga as coisas em termos das trs caractersticas: impermanncia, sofrimento e no-eu. Este estgio portanto corresponde meditao de insight. Tuleti tambm pode ser interpretado como contempla, pesa, compara. [Retorna]

[11] Embora a aplicao da vontade (ussahati) parea ser similar ao esforo (padahati), o primeiro pode ser entendido como o esforo realizado antes do insight e o ltimo como o esforo que leva o insight at o nvel dos caminhos supramundanos. [Retorna]

[12] MA: Ele realiza nibbana com o caminho de entrar na correnteza e tendo penetrado as impurezas, ele v nibbana com sabedoria, fazendo com que se torne claro e evidente. [Retorna]

[13] Enquanto a descoberta da verdade neste contexto parea significar realizar o estado de entrar na correnteza, a chegada final verdade a realizao completa do estado de arahant. [Retorna]

[14] O ancestral (bandhu) Brahma, que assim era chamado pelos brmanes porque eles o consideravam como o seu ancestral. MA explica que os brmanes acreditavam que eles eram originrios da boca de Brahma, os khattiyas do peito, os vessas da barriga, os suddas das pernas e os samanas, (contemplativos), das solas dos ps. [Retorna]

 

 

Revisado: 20 Fevedreiro 2008

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