Potthapada Sutta DN 9

Por

Ajaan Thanissaro

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Este sutta retrata os dois modos atravs dos quais o Buda respondia s questes controvrsas da sua poca. O primeiro modo ilustrado pela sua contribuio na discusso sobre a cessao ltima da percepo era adotar os termos da discusso mas investi-los com os significados por ele atribudos e depois tentar dirigir a discusso para a prtica que conduz cessao do sofrimento. O segundo modo ilustrado atravs do tratamento dado pergunta se o mundo eterno, etc. era de declarar que esse tipo de pergunta no conduz iluminao e recusar-se a tomar uma posio com relao a ela.

Vrios outros suttas tal como o MN 63, MN 72 e AN X.93 retratam o Buda e os seus discpulos adotando o segundo modo. Este sutta incomum no retrato prolongado do Buda adotando o primeiro. Muitos dos termos tcnicos empregados aqui, como por exemplo: a verdadeira e refinada percepo, o pico da percepo, passos atentos sucessivos, a realizao da cessao ltima da percepo, aquisies de um eu - no so encontrados em nenhum outro lugar do Cnone. Ao final do sutta ele os descreve como apenas nomes, expresses, modos de linguagem, designaes de uso corrente no mundo, que o Tathagata usa sem se agarrar nelas. Em outras palavras, ele as toma tendo em vista o propsito imediato e depois as deixa de lado. Portanto elas no devem ser tomadas como parte do ncleo dos seus ensinamentos. Ao invs disso elas devem ser lidas como exemplos da sua habilidade em adaptar a linguagem dos seus interlocutores aos seus prprios objetivos. Por essa razo, este sutta melhor ser lido depois que a pessoa tenha lido outros suttas e esteja mais familiarizada com os conceitos centrais dos ensinamentos do Buda.

O que h de particularmente interessante neste sutta o tratamento dado pelo Buda s trs aquisies de um eu. O primeiro o eu grosseiro se refere noo comum, normal, de identificar-se com o prprio corpo. As duas ltimas o eu feito pela mente e o eu sem forma se referem noo de um eu que pode ser desenvolvida com a meditao. O eu feito pela mente pode resultar de uma experincia do corpo feito pela mente o corpo astral que constitui um dos poderes que pode ser desenvolvido atravs da prtica da concentrao. O eu sem forma pode resultar de qualquer uma das realizaes imateriais, os estados de concentrao cujo objeto sem forma, tal como a experincia do espao infinito, da conscincia infinita, do nada. Embora os meditadores, ao experimentarem esses estados possam assumir terem encontrado o seu eu verdadeiro, o Buda cuidadoso ao observar que essas so aquisies, e que elas no so um eu mais verdadeiro do que o prprio corpo. Elas so uma aquisio do eu apenas durante o tempo em que a pessoa com elas se identifique. O Buda segue dizendo que ele ensina o Dhamma com o propsito de abandonar todas aquisies de um eu de tal modo que ao pratic-lo, as qualidades mentais impuras sejam abandonadas e as qualidades mentais luminosas se fortaleam, e voc entre e permanea na culminao e perfeio da sabedoria aqui e agora, tendo realizado e alcanado isso por voc mesmo."

 

 

Revisado: 27 Dezembro 2008

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