Samyutta Nikaya XXXV.88

Punna Sutta

Punna

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Ento o Venervel Punna [1] foi at o Abenoado e depois de cumpriment-lo sentou a um lado e disse: Venervel senhor, seria bom se o Abenoado pudesse me ensinar o Dhamma de maneira resumida, de modo que, tendo ouvido o Dhamma do Abenoado, eu possa permanecer s, isolado, diligente, ardente e decidido.

"Muito bem ento Punna, oua e preste muita ateno quilo que eu vou dizer."

"Sim, Venervel senhor," o Venervel Punna respondeu. O Abenoado disse o seguinte:

"Punna, existem formas conscientizadas atravs do olho que so desejveis, agradveis e fceis de serem gostadas, conectadas com o desejo sensual e que provocam a cobia. Se um bhikkhu sente prazer com elas, as acolhe e permanece atado a elas, o deleite ir surgir nele. Com o surgimento do deleite, Punna, ocorre o surgimento do sofrimento, eu digo. [2] Existem, Punna, sons conscientizados atravs do ouvido ... aromas conscientizados atravs do nariz ... sabores conscientizados atravs da lngua ... tangveis conscientizados atravs do corpoobjetos mentais conscientizados atravs da mente que so desejveis, agradveis e fceis de serem gostados, conectados com o desejo sensual e que provocam a cobia. Se um bhikkhu sente prazer com eles, os acolhe e permanece atado a eles, o deleite ir surgir nele. Com o surgimento do deleite, Punna, ocorre o surgimento do sofrimento, eu digo.

"Punna, existem formas conscientizadas atravs do olho ... sons conscientizados atravs do ouvido ... aromas conscientizados atravs do nariz ... sabores conscientizados atravs da lngua ... tangveis conscientizados atravs do corpo ... objetos mentais conscientizados atravs da mente que so desejveis, agradveis e fceis de serem gostados, conectados com o desejo sensual e que provocam a cobia. Se um bhikkhu no sente prazer com eles, no os acolhe e permanece atado a eles, o deleite ir cessar nele. Com o cessamento do deleite, Punna, ocorre o cessamento do sofrimento, eu digo.

"Agora que lhe dei esse breve conselho, Punna, em que pas voc ir viver?"

"Venervel senhor, agora que o Abenoado me deu esse breve conselho, irei viver no pas chamado Sunaparanta."

"Punna, as pessoas em Sunaparanta so brbaras e rudes. Se elas lhe maltratarem e ameaarem, o que voc ir pensar?"

"Venervel senhor, se as pessoas em Sunaparanta me maltratarem e ameaarem, eu pensarei que: "Essas pessoas de Sunaparanta so excelentes, verdadeiramente excelentes, j que no me golpearam com os seus punhos.' Assim como pensarei, Abenoado; assim como pensarei, Iluminado."

"Mas, Punna, se as pessoas de Sunaparanta lhe golpearem com os seus punhos, o que voc ir pensar ento?"

"Venervel senhor, se as pessoas em Sunaparanta me golpearem com os seus punhos, eu pensarei que: Essas pessoas de Sunaparanta so excelentes, verdadeiramente excelentes, j que no me golpearam com pedras. Assim como pensarei, Abenoado; assim como pensarei, Iluminado."

"Mas, Punna, se as pessoas de Sunaparanta lhe golpearem com pedras, o que voc ir pensar ento?"

"Venervel senhor, se as pessoas em Sunaparanta me golpearem com pedras, eu pensarei que: "Essas pessoas de Sunaparanta so excelentes, verdadeiramente excelentes, j que no me golpearam com paus.' Assim como pensarei, Abenoado; assim como pensarei, Iluminado."

"Mas, Punna, se as pessoas de Sunaparanta lhe golpearem com paus, o que voc ir pensar ento?"

"Venervel senhor, se as pessoas em Sunaparanta me golpearem com paus, eu pensarei que: "Essas pessoas de Sunaparanta so excelentes, verdadeiramente excelentes, j que no me golpearam com facas.' Assim como pensarei, Abenoado; assim como pensarei, Iluminado."

"Mas, Punna, se as pessoas de Sunaparanta lhe golpearem com facas, o que voc ir pensar ento?"

"Venervel senhor, se as pessoas em Sunaparanta me golpearem com facas, eu pensarei que: "Essas pessoas de Sunaparanta so excelentes, verdadeiramente excelentes, j que no me mataram com facas afiadas.' Assim como pensarei, Abenoado; assim como pensarei, Iluminado."

"Mas, Punna, se as pessoas de Sunaparanta lhe matarem com facas afiadas, o que voc ir pensar ento?"

"Venervel senhor, se as pessoas em Sunaparanta me matarem com facas afiadas, eu pensarei que: 'Houveram discpulos do Abenoado que sentindo horror, humilhao e repulsa pelo corpo e pela vida, buscaram um assassino. Mas eu obtive esse assassino mesmo sem uma busca.' Assim como pensarei, Abenoado; assim como pensarei, Iluminado."

Muito bem, Punna! Possuindo tal autocontrole e serenidade, voc ser capaz de viver em Sunaparanta. Agora Punna, o momento de fazer o que voc considera deva ser feito."

Assim, tendo ficado satisfeito e contente com as palavras do Abenoado, o Venervel Punna levantou-se do seu assento e depois de homenagear o Abenoado, mantendo-o sua direita, partiu. Em seguida ele arrumou a sua moradia, tomou a sua tigela e manto externo e saiu na direo de Sunaparanta. Caminhando em etapas, ele finalmente chegou em Sunaparanta para l viver. Ento, durante o retiro do perodo das chuvas, o Venervel Punna estabeleceu na prtica quinhentos discpulos leigos homens e quinhentas discpulas leigas mulheres e, ele prprio, realizou os trs verdadeiros conhecimentos. Mais tarde, o Venervel Punna realizou o parinibbana. [3]

8. Ento, um nmero de bhikkhus foram at o Abenoado e depois de cumpriment-lo, sentaram a um lado, e disseram: "Venervel senhor, o membro de um cl Punna, que havia recebido um breve conselho do Abenoado, morreu. Qual o seu destino? Qual o seu futuro percurso?

"Bhikkhus, o membro de um cl Punna era sbio. Ele praticava de acordo com o Dhamma e no me causou problemas na interpretao do Dhamma. O membro de um cl Punna realizou o parinibbana."

Isso foi o que disse o Abenoado. Os bhikkhus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Abenoado.

 


 

Notas:

[1] O Punna deste sutta no o mesmo Punna Mantaniputta do MN 24. Ele era de uma famlia de comerciantes que residiam na cidade porturia de Supparaka em Sunaparanta (Maharashtra na atualidade). Em uma viagem de negcios a Savathi ele ouviu um discurso do Buda e decidiu abandonar a vida em famlia para tornar-se um bhikkhu. [Retorna]

[2] MA explica esta orientao como sendo um breve ensinamento das quatro nobres verdades. Deleite (nandi) um dos aspectos de desejo. Atravs do surgimento do deleite com relao ao olho e as formas surge o sofrimento dos cinco agregados. Assim nesta primeira parte da instruo o Buda ensina o ciclo de existncias por meio das duas primeiras verdades - o sofrimento e a sua origem - tal como elas ocorrem atravs dos seis sentidos. Na segunda parte ele ensina o fim do ciclo por meio das duas ltimas verdades - cessao e o caminho - expressadas como o abandono do deleite nos seis sentidos e os seus objetos. [Retorna]

[3] Isto , ele morreu. Como o Buda ainda se refere a Punna como o membro de um cl (kulaputta), ele deve ter morrido aps um breve perodo depois de retornar a Sunaparanta. Os textos no possuem registro de como ele morreu.[Retorna]

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Revisado: 20 Dezembro 2014

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