Um Corao Liberto

Por

Ajaan Mun Bhuridatto

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Introduo

Os Ensinamentos de Phra Ajaan Mun Bhuridatta Thera por Phra Ajaan Suwat Suvaco.
Traduzido do tailands por Ajaan Thanissaro

Um Corao Liberto (Muttodaya) o registro de trechos de discursos, feitos durante os anos de 1944-1945 por dois monges que estavam sob orientao de Ajaan Mun, e editado por um terceiro monge, um funcionrio eclesistico que freqentemente o visitava para obter instrues de meditao. A primeira edio deste livro foi impressa com a permisso dele, para distribuio gratuita para as pessoas. O ttulo do livro foi tirado de um comentrio feito pelo Ven. Chao Khun Upali Gunumacariya (Jan Siricando) que, depois de ouvir o discurso dado por Phra Ajaan Mun sobre os temas fundamentais de meditao, elogiou o discurso como sendo dado com 'muttodaya' - um corao liberto - e por transmitir o cerne/corao da libertao.

O estilo incomum dos discursos de Phra Ajaan Mun pode ser em parte explicado pelo fato de que na poca anterior sua ordenao ele havia sido muito habilidoso numa forma popular de entretenimento informal do vilarejo, chamada maw lam. Maw lam uma competio de improviso de rimas, geralmente reproduzindo a luta entre os sexos, na qual a disputa sagaz pode se tornar bastante acirrada. feito largo uso de jogos de palavras: enigmas, trocadilhos, insinuaes, metforas, e simples brincadeiras com os sons das palavras. O senso de linguagem que Ajaan Mun desenvolveu no maw lam foi levada por ele aos seus ensinamentos depois de se tornar monge. Freqentemente ele instrua seus discpulos com o improviso de trocadilhos e rimas. Esse tipo de jogo com as palavras ele aplicava at mesmo na lngua Pali, e alguns exemplos podem ser citados em Muttodaya: no 3, o trocadilho com a palavra dhatu, que pode significar tanto o elemento fsico como o elemento de linguagem (fonema); o uso dos fonemas na mo ba dha (os elementos bsicos da frase namo buddhaya, homenagem ao Buda) significando os 4 elementos fsicos; o jogo com namo e mano no 4; o uso do Patthana como uma imagem para a mente no 5; a extrao da palavra santo (pacfico) de pavessanto no 13 e 16; o trocadilho gramtico em loke no 14 e santo no 13; os trs no 12; os oito no 16; e assim por diante.

Esse tipo de estilo retrico saiu de moda no Ocidente e est saindo de moda at mesmo na Tailndia, mas na Tailndia do tempo de Ajaan Mun isso era algo de grande estima, um sinal de inteligncia aguada e mente astuta. Ajaan Mun era capaz de usar esse estilo com sutileza, como um mtodo efetivo de ensino, forando seus discpulos a se tornarem mais rpidos no raciocnio e alertas s implicaes, correspondncias, mltiplos nveis de significado e qualidade elusiva da linguagem; para serem menos dogmticos em seus apegos aos significados das palavras e menos inclinados a buscarem a verdade em termos de palavras. Assim como Ajaan Mun certa vez disse a um par de monges visitantes que tinham orgulho do seu domnio do texto medieval, O Caminho para a Purificao (Visuddhimagga), as niddesa (exposies analticas) contidas nesse texto sobre a virtude, concentrao e sabedoria eram simplesmente nidana (fbulas ou histrias). Se eles quisessem conhecer a verdade sobre a virtude, concentrao e sabedoria eles deveriam experimentar essas qualidades nos seus prprios coraes e mentes.

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1. A prtica aquilo que mantm puro o verdadeiro Dhamma

O Buda ensinou que o seu Dhamma, quando colocado no corao de uma pessoa comum, est destinado a ser profundamente corrompido (saddhamma-patirupa); mas se for colocado no corao de um Nobre, ele est destinado a ser genuinamente puro e autntico, algo que ao mesmo tempo no pode ser nem obliterado nem obscurecido.

Portanto enquanto estivermos nos dedicando apenas ao estudo terico do Dhamma, ele no nos trar benefcios. Somente quando treinarmos nossos coraes para eliminar seus "camalees" (ver 10) - suas imperfeies (upakkilesa) - que ele nos beneficiar de forma plena. E somente depois disso que o verdadeiro Dhamma ser mantido puro, livre de distores e desvios de seus princpios originais.

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2. Para seguirmos o Buda, devemos treinar bem a ns mesmos, antes de treinar os outros

purisadamma-sarathi sattha deva-manussanam buddho bhagavati
(um lder insupervel de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, desperto, sublime)

O Buda primeiro treinou e subjugou a si mesmo at o ponto em que realizou a incomparvel perfeita iluminao (anuttara-sammasambodhiana), tornando-se buddho, aquele que sabe, antes de se tornar bhagava, aquele que divulga o ensinamento para aqueles capazes de serem ensinados. Somente ento ele se tornou sattha, o mestre e treinador dos seres humanos e divinos cujo estgio de desenvolvimento os qualifica para serem treinados. E assim, kalyano kittisaddo abbhuggato: seu bom nome se espalhou pelos quatro pontos cardeais mesmo at os dias de hoje.

O mesmo verdadeiro para todos os Nobres Discpulos do passado. Eles treinaram bem e subjugaram a si mesmos, antes de ajudarem o Mestre a divulgar os seus ensinamentos para as multides, e assim, o bom nome deles se espalhou bem como o do Buda.

Se, no entanto, uma pessoa divulga o ensinamento sem antes ter treinado bem a si mesma, papako saddo hoti: seu mau nome se espalhar pelos quatro pontos cardeais, devido ao seu erro de no seguir o exemplo do Buda e de todos os Nobres Discpulos do passado.

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3. A herana raiz, o capital inicial para o auto-treinamento

Por que as pessoas sbias - antes de recitarem, tomarem os preceitos, ou fazerem qualquer outro ato meritrio - sempre tomam namo como ponto de partida? Por que esse namo nunca omitido ou descartado? Isso sugere que namo deve ser algo importante. Se investigarmos isso, vamos descobrir que na est relacionado com o elemento gua, e mo est relacionado com o elemento terra - e com isso, um enunciado das escrituras vem mente:

mata-petika-sambhavo odana-kummasa-paccayo:

'Quando os elementos geradores da me e do pai so combinados, o corpo surge. Quando este nasce do tero materno, nutrido com arroz e po, e assim capaz de se desenvolver e crescer.' Na o elemento materno; mo o elemento paterno. Quando esses dois elementos so combinados, o elemento fogo da me aquece a combinao at que esta se torne aquilo que chamado kalala, uma gotcula de leo. Esse o ponto em que a conscincia de renascimento (patisandhi-viana) pode fazer sua ligao, para que a mente se junte com o elemento namo. Uma vez que a conscincia tenha se instalado, a gotcula de leo se desenvolve at se tornar um ambuja, um glbulo de sangue. De um glbulo de sangue este se torna ghana, uma haste, e ento pesi, um pedao de carne. Depois este se expande numa forma que se parece um lagarto, com cinco prolongamentos: dois braos, duas pernas e uma cabea.

J os elementos ba, respirao, e dha, fogo, estes se instalam mais tarde, porque no nisso que a mente est apegada. Se a mente abandonar a gotcula de leo, a gotcula de leo ir desaparecer ou ir ser descartada como intil. A respirao ou o fogo no esto presentes, tal como quando uma pessoa morre, a respirao e o fogo desaparecem do corpo. Essa a razo porque dizemos que eles so elementos secundrios. Os fatores importantes so os dois elementos originais, namo.

Depois que a criana nasce, ela tem que depender de na, sua me, e mo, seu pai, para cuidarem dela, para educ-la e aliment-la com comidas tais como arroz e po e, ao mesmo tempo ensin-la e trein-la em todas as formas de bondade. A me e o pai portanto so considerados os primeiros e mais proeminentes mestres da criana. O amor e a benevolncia que a me e o pai sentem por seu filho no pode ser medido ou calculado. O legado que eles nos do - este corpo - nossa herana primordial. A riqueza externa, prata ou ouro, se origina deste corpo. Se no tivssemos este corpo, no poderamos fazer nada, o que significa que no poderamos ter absolutamente nada. Por essa razo, nosso corpo a raiz de toda a nossa herana proveniente de nossa me e nosso pai, por isso que dizemos que o bem que eles nos fizeram no pode ser medido ou calculado. Pessoas sbias portanto no desprezam ou se esquecem deles.

Primeiro temos de tomar este corpo, este namo, e somente depois nos curvamos prestando homenagem. Traduzir namo como "homenagem" traduzir apenas o ato, no a origem do ato.

Essa mesma herana raiz o "capital inicial" que usamos para treinar a ns mesmos, portanto no precisamos nos sentir carentes ou pobres no que diz respeito aos recursos necessrios para a prtica.

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4. A fundao bsica para a prtica

Os dois elementos, namo, quando mencionados por si mesmos, no so adequados ou completos. Temos que rearranjar as vogais e consoantes da forma seguinte: tire o 'a' do 'n' e o d ao 'm'; tire o 'o' do 'm' e o d ao 'n', e ento coloque o 'ma' na frente do 'no'. Com isso obtemos mano, a mente-corao. Agora temos o corpo junto com a mente-corao, e isso o suficiente para ser usado como fundao bsica para a prtica. Mano, a mente-corao, fundamental, uma grande fundao. Tudo que fazemos ou dizemos vem da mente-corao, assim como registrado nas palavras do Buda.

mano-pubbangama dhamma
mano-settha mano-maya:

'Todos os dhammas so precedidos pela mente-corao, a mente-corao o seu senhor, a mente-corao quem os fabrica.' O Buda formulou todo o Dhamma e Vinaya a partir dessa grande fundao, a mente-corao. Assim, quando os seus discpulos contemplam de acordo com o Dhamma e Vinaya at que namo esteja perfeitamente claro, ento mano encontra-se no fim de toda conceitualizao. Em outras palavras, est alm de todas as conceitualizaes.

Todas as suposies vm da mente-corao. Cada um de ns tem o seu prprio fardo, que carregamos como suposies e conceitualizaes alinhadas com as correntezas da torrente (ogha), at o ponto em que estas fazem surgir a ignorncia (avijja), o fator que cria os estados de vir a ser e nascimento, tudo a partir do fato de no sermos sbios em relao a essas coisas, pela deluso de nos apegarmos a tudo isso como sendo 'eu' ou 'meu'.

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5. A causa raiz de tudo no universo

Os sete livros do Abhidhamma, com a exceo do Patthana (O Livro da Causalidade), so finitos no escopo. J o Patthana, um anatanaya, infinito no escopo. Somente um Buddha capaz de compreend-lo na sua ntegra. Quando investigamos o texto Pali, que comea com hetu-paccayo, descobrimos que a causa (hetu) que age como fator de sustentao primordial (paccaya) para todas as coisas no universo no nada mais que a mente-corao. A mente-corao a grande causa - aquela que fundamental, aquela que importante. Todas as coisas com exceo dela so efeitos ou condies. Os fatores restantes mencionados no Patthana, de arammana (objeto de suporte) at aviggata (no desaparecimento) podem agir como fatores de sustentao somente porque a grande causa, a mente-corao, vem primeiro. Portanto mano, discutido no 4; thitibhutam que ser discutido no 6; e a grande causa discutida aqui referem-se todos mesma coisa. O Buda foi capaz de formular o Dhamma e Vinaya, de conhecer todas as coisas com sua intuio suportada com os de dez poderes, e de compreender todos os fenmenos passveis de cognio, tudo porque a grande causa agiu como fator primordial. Sua compreenso era portanto infinita no escopo. Da mesma forma, todos os discpulos tiveram a grande causa agindo como seu fator primordial e assim foram capazes de compreender as coisas de acordo com os ensinamentos do Buda. Essa a razo porque o Venervel Assaji, o quinto dos cinco ascetas, intruiu Upatissa (o Venervel Sariputta),

ye dhamma hetu-pabhava tesam hetum tathagato
tesanca yo nirodho ca evam vadi mahasamano:

(Para quaisquer dhammas que tenham uma causa como origem,
O Tathagata explicou a causa,
e tambm a sua cessao:
Esse o ensinamento do Buda)

'Para quaisquer dhammas que tenham uma causa como origem ...' Sendo essa grande causa o fator importante, o fator primordial, ento quando o Venervel Assaji chegou nesse ponto - a grande causa - o que mais poderia fazer a mente do Venervel Sariputta seno penetrar a correnteza do Dhamma? - porque tudo no mundo vem a ser devido grande causa. Mesmo os dhammas transcendentes so realizados devido a essa grande causa. Por isso dito que o Patthana infinito em seu escopo. Qualquer um que treinar a mente-corao, a grande causa, at que ela esteja serena e com enorme radincia, capaz de conhecer tudo de todos os tipos, infinitamente, tanto interno como externo.

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6. A causa raiz do ciclo de mortes e renascimentos

thitibhutam avijja-paccaya
sankhara ... upadanam ... bhavo ... jati ...

Cada um de ns nascido como ser humano tem uma terra natal: temos nossos pais como nossa terra natal. Ento por que o Buda formulou todo o seu ensinamento sobre a condicionalidade apenas a partir do fator ignorncia? De onde vem a ignorncia, isso ele no disse. A ignorncia tem de ter uma me e pai assim como ns, e aprendemos do enunciado acima que thitibhutam a me e pai da ignorncia. Thitibhutam se refere mente primordial. Quando a mente primordial imbuda com deluso, existe um fator de sustentao: a condio para a ignorncia. Uma vez que h ignorncia, esta age como o alimento para a fabricao dos sankharas, as fabricaes mentais, junto com o ato de se apegar nelas, que d origem aos estados de vir a ser e nascimento. Em outras palavras, essas coisas vo ter que continuar surgindo e originando uma outra reciprocamente e continuamente. Elas so assim chamadas condies sustentadas ou de sustentao porque elas do suporte e sustentao uma outra reciprocamente.

Sabedoria e ignorncia, ambos vem de thitibhutam. Quando thitibhutam est imbuda de ignorncia, ela no possui sabedoria quanto s suas condies; mas quando est imbuda de sabedoria, ela compreende suas condies como elas na verdade so. Assim como este tema aparece quando considerado com o insight claro levando ao caminho ascendente (vutthana-gamini vipassana).

Para resumir: thitibhutam o instigador primordial do ciclo de mortes e renascimentos. Portanto chamado a raiz dos trs (ver 12). Para cortarmos o ciclo de mortes e renascimentos de forma que este se desconecte e desaparea no vazio, temos de treinar a causa primordial para que desenvolva sabedoria, alerta a todas as condies tais como elas na verdade so. A mente-corao ento se recuperar de sua deluso e nunca mais far surgir quaisquer outras condies. Thitibhutam, a causa primordial, vai parar de girar, e isso encerrar nossa perambulao pelo ciclo de mortes e renascimentos.

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7. O lugar supremo: a fundao para os caminhos, os frutos e nibbana

aggam thanam manussesu maggam satta-visuddhiya:

'O lugar supremo pode ser encontrado entre os seres humanos: o caminho para a purificao dos seres vivos'. Isso pode ser explicado da forma a seguir: recebemos nosso legado de namo, nossos pais - isto , este corpo, que obteve um nascimento humano, o nascimento mais elevado que h. Somos seres supremos, bem colocados em um lugar supremo, completo com tesouros do pensamento, da palavra e da ao. Se quisermos acumular tesouros externos tais como riqueza, dinheiro, ouro, ns podemos. Se quisermos acumular tesouros internos, tais como qualidades extraordinrias para os caminhos, os frutos, e nibbana, ns tambm podemos. O Buda formulou o Dhamma e Vinaya para ns seres humanos, e de jeito nenhum para as vacas, cavalos, elefantes e assim por diante. Ns seres humanos somos uma espcie que pode praticar para realizar a pureza. Dessa forma no deveramos nos sentir desencorajados ou nos auto-depreciarmos, pensando que no merecemos ou que temos carncia de potencial, porque como seres humanos ns somos capazes. Aquilo que no temos, ns podemos criar. Aquilo que j temos, podemos tornar ainda melhor. Isso est de acordo com o ensinamento encontrado no Vessantara Jataka:

danam deti, silam rakkhati, bhavanam bhavetva, ekacco saggam gacchati, ekacco mokkham gacchati, nissansayam:

'Tendo se esforado no acmulo de sabedoria, sendo generoso, mantendo os preceitos, e desenvolvendo a mente de acordo com os ensinamentos do Buda, aqueles que se esforarem somente um pouco iro para o paraso, enquanto que aqueles que forem determinados e realmente fizerem o que deve ser feito - e ao mesmo tempo tendo a ajuda do potencial e perfeies que desenvolveram no passado - iro, sem sombra de dvida, realizar nibbana.'

Animais comuns no so considerados supremos porque eles no podem agir como os seres humanos podem. Ento correto dizer que os seres humanos esto bem posicionados num local supremo, capaz de lev-los aos caminhos, aos frutos e ao puro nibbana.

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8. A fortaleza que constitui a rea de prtica para treinar a si mesmo

Em que conjunto de princpios o Buda estabeleceu nossa fortaleza? Quando investigamos essa questo, descobrimos que ele estabeleceu nossa fortaleza nos fundamentos da ateno plena (satipatthana).

Para fazer uma comparao com assuntos mundanos: em batalhas armadas onde a vitria est em jogo necessrio encontrar uma fortaleza. Se obtida uma boa fortaleza, possvel se proteger com xito das armas do inimigo; e de l pode-se acumular poder suficiente para lanar um ataque, levando o inimigo derrota. Tal local chamado de fortaleza, isto , um local cheio de muralhas, portes, fossos e ameias.

Ocorre o mesmo com assuntos do Dhamma, ao tomar os fundamentos da ateno plena como nossa fortaleza, aqueles que vo batalhar com o inimigo - que so as impurezas - devem comear mantendo-se atentos ao corpo como seu fundamento da ateno plena, porque quando coisas tais como desejo sensual surgem, este surge no corpo e na mente. Como a viso de um corpo causa um estmulo na mente, podemos concluir que do corpo vem o estmulo, e sendo assim devemos examinar o corpo como um meio para silenciar os obstculos (nivarana) e acalmar a mente. Esse um ponto em que vocs deveriam se esforar para desenvolverem o mximo que puderem. Em outras palavras, mantenham esse ponto sob investigao sem abandon-lo de jeito nenhum. Quando um sinal mental (uggaha nimitta) de qualquer parte do corpo surgir, tomem essa parte do corpo como tema bsico de sua investigao. Vocs no tm que ficar mudando para outras partes. Pensar que, 'Eu j vi essa parte. H outras partes que ainda no vi, ento tenho de investigar essas outras partes', isso no recomendvel de forma alguma. Mesmo se vocs investigarem o corpo at o ponto em que o tenham analisado em todos os mnimos detalhes de cada uma das partes, que so compostas dos elementos (dhatu) terra, gua, fogo e ar - isso chamado patibhaga - vocs deveriam continuar investigando o corpo da mesma forma como fizeram na primeira vez que o sinal original surgiu, at que vocs o tenham dominado. Para domin-lo, vocs tm que examinar o mesmo ponto vrias e vrias vezes repetidas, assim como vocs fazem na recitao. Se vocs memorizam um discurso em particular e ento o largam, sem recit-lo ou repeti-lo, vocs o esquecero, devido complacncia em no domin-lo, e este no lhes servir para nenhum propsito. O mesmo vlido para a investigao do corpo. Uma vez que um sinal de uma parte surja, se vocs no o investigarem repetidamente, e ao em vez disso, negligentemente, deixarem-no passar, este no lhes servir para nenhum propsito.

A investigao do corpo tem muitas citaes, uma delas na nossa cerimnia contempornea de ordenao. Antes de tudo, devido sua importncia, o preceptor deve dizer ao ordenando os cinco objetos de meditao - o cabelo na cabea, os pelos no corpo, as unhas, os dentes, a pele, isto , esse prprio corpo. No Comentrio do Dhammapada dito que um preceptor descuidado que no ensine a investigao do corpo pode destruir o potencial de seu aluno de atingir o estado de arahant. Portanto, nos dias de hoje, o preceptor deve primeiramente ensinar os cinco objetos de meditao.

Em outra ocasio o Buda ensinou que no h um Buda ou arahant que no tenha tomado pelo menos uma parte do corpo como objeto de meditao. Assim, ele disse a um grupo de 500 monges que estavam discutindo o elemento terra - dizendo que tal e tal vilarejo tinha um solo avermelhado ou um solo mais escurecido, etc. - que eles estavam discutindo era o elemento terra externo, sendo que eles deveriam estar investigando o elemento terra interno. Em outras palavras, eles deveriam estar investigando este corpo de forma inteligente, penetrando nele profundamente e tornando-o perfeitamente claro. Quando o Buda terminou sua discusso desse tpico, todos os 500 monges realizaram o fruto de arahant.

A partir disso podemos concluir que a investigao do corpo deve ser algo importante. Cada pessoa que quer realizar a libertao de todo sofrimento e dificuldades tem que investigar o corpo. Se devemos acumular foras, devemos acumul-las atravs da investigao do corpo. Mesmo o Buda, quando estava prestes a realizar o Despertar, comeou investigando a respirao - e o que a respirao, que no o corpo?

Portanto os fundamentos da ateno plena, comeando pela investigao do corpo, so ditos ser nossa fortaleza. Uma vez que tenhamos obtido uma boa fortaleza - isto , colocar em prtica os princpios dos fundamentos da ateno plena at que os tenhamos dominado - deveramos ento investigar as coisas tal como elas so em termos da natureza inerente de seus elementos, usando as estratgias do puro insight, que sero discutidas a seguir.

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9. As estratgias do puro insight, tcnicas para desenraizar as impurezas

A natureza de todas as coisas boas que elas se originam de coisas que no so boas, da mesma forma como as flores de ltus, que so belas e adorveis, nascem do lodo que imundo e repulsivo; no entanto uma vez que tenham se livrado do lodo elas esto limpas e puras, servindo como ornamento para a cabea de um rei, um vice-rei, ou um corteso, sem jamais retornarem ao lodo. Nesse aspecto elas so como o meditador diligente, algum comprometido num esforo persistente. Tal pessoa deve investigar aquilo que imundo e repulsivo para que a mente possa se libertar de todas as coisas imundas e repulsivas. A 'coisa que imunda e repulsiva' aqui o corpo. O corpo uma composio de imundcie, urina e excremento. A coisas que so exsudadas pelo cabelo na cabea, pelos no corpo, unhas, dentes e pele, e assim por diante so todos formas de excremento. Se carem na comida, as pessoas se ofendem. A comida tem de ser jogada fora, porque ningum tem estmago para aquilo. Alm do mais, o corpo tem de ser frequentemente lavado e limpo para parecer apresentvel. Se no o limparmos, ele se torna ftido e ningum vai nos deixar chegar perto. Roupas e outros acessrios, quando esto separados do corpo, so limpos e atraentes, mas assim que entram em contato com o corpo ficam sujos. Se esquecermos e no os lavarmos por muito tempo, ningum vai nos deixar chegar perto, por causa do cheiro.

Com isso podemos ver que o corpo uma edificao de urina e excremento, asubha - no atraente; patikkula - repulsivo. Com vida, j ruim o suficiente; sem vida, ainda mais repugnante, ao ponto que nada pode ser comparado em repugnncia. Portanto desde o incio, todos os meditadores diligentes devem contemplar o corpo metodicamente at o terem dominado. Antes de compreender o corpo, os meditadores investigam qualquer parte ou aspecto do corpo que lhes seja adequada ao seu temperamento, at que um aspecto em particular do corpo aparea como um uggaha nimitta. Ento eles focam nesse aspecto, trabalhando com isso e desenvolvendo-o repetidamente.

'Trabalhando com isso e desenvolvendo-o repetidamente' deveria ser entendido da seguinte forma: quando um campons cultiva o arroz, ele primeiro prepara o solo, depois ara e planta o arroz. No ano seguinte ele novamente cultiva arroz. Ele no planta o arroz no ar ou no meio do cu. Ele somente planta no solo, e o arroz ento, por si s, enche o celeiro dele. Trabalhando o solo repetidamente, ele no tem que pedir 'Arroz, oh arroz, por favor encha o meu celeiro.' O arroz ir fluir por si mesmo. E mesmo se ele o proibir dizendo, 'Arroz, oh arroz, no aparea e no encha o meu celeiro', se ele terminou o cultivo, no h dvida de que o arroz, assim mesmo, vir e manter o celeiro cheio.

Da mesma forma, ns como meditadores diligentes deveramos continuamente investigar a parte ou aspecto do corpo que seja adequado ao nosso temperamento ou aquilo que primeiro aparea para ser visto. No importa qual, ns no deveramos abandonar tal ponto. Trabalhando nele repetidamente no se refere somente prtica de meditao andando. Ns deveramos ter ateno plena, continuando nossa investigao em todos os lugares e em todas as ocasies. Sentados, em p, andando e deitados; comendo, bebendo, trabalhando, falando e pensando, ns deveramos sempre ter uma ateno plena completa do momento presente. Isso o que se quer dizer com 'trabalhando nele repetidamente'.

Uma vez que se tenha investigado o corpo at que este seja compreendido, ento vocs deveriam dividi-lo em suas vrias partes, usando o seu prprio mtodo sistemtico. Separem o corpo nos elementos terra, gua, fogo e ar, examinando-os at que vocs assim o vejam. Nesse estgio, vocs podem utilizar qualquer estratgia criada por sua imaginao que seja adequada para seu temperamento, mas vocs no devem, em hiptese alguma, abandonar o ponto de referncia original que apareceu primeiro. Quando vocs estiverem neste estgio de investigao, vocs deveriam trabalh-lo e desenvolv-lo repetidamente. No investiguem apenas uma vez e depois o abandonem por meio ms ou um ms inteiro. Investiguem para dentro e para fora, para frente e para trs, repetidas vezes. Em outras palavras, voltem-se para o mundo interior para aquietarem a mente e ento novamente investiguem o corpo. No investiguem exclusivamente o corpo ou exclusivamente aquietem a mente.

Quando vocs tiverem investigado dessa forma at terem completo domnio, o que acontece em seguida ocorre por si s. A mente estar destinada a convergir de uma forma intensa; e no instante em que a mente converge, tudo vai parecer convergir, sendo apenas uma e mesma coisa. O mundo todo no ser nada alm de elementos. Ao mesmo tempo, uma imagem do mundo vai aparecer como sendo to nivelado como a membrana de um tambor, porque o mundo todo uma e mesma natureza inerente. Florestas, montanhas, pessoas, animais - at voc mesmo - sero ultimamente nivelados por baixo de uma nica e mesma forma. Juntamente com essa viso, surge o conhecimento, cortando todas as dvidas da mente-corao. Isso chamado yatha-bhuta-ana-dassana vipassana: o puro insight que tanto conhece como v as coisas como na verdade so.

Esse passo no o fim. Ele o comeo do prximo estgio da prtica, em que ns como meditadores diligentes devemos trabalhar e desenvolver repetidamente para que a sabedoria elevada possa ser dominada e completa. Ento veremos que as fabricaes mentais que supem 'Isso meu... Aquilo sou eu', so impermanentes; e que devido ao apego que elas so sofrimento - porque todos os elementos so como sempre foram: surgem, envelhecem, adoecem, morrem, surgem e se deterioram desde quando nascemos. Desde tempos imemoriais, assim como sempre foram. Mas como as condies da mente e os cinco khandhas - rupa, vedana, saa, sankhara e viana - fabricaram e rotularam ao longo de todas as existncias at o presente, por um nmero incontvel de vidas, a mente foi deludida em seguir suas suposies. No que as nossas suposies se apegaram a ns. Quando vocs chegarem nisso, no haver dvida de que todos os fenmenos no mundo, sejam dotados ou no de conscincia, sempre foram da forma como so - surgindo e se deteriorando por si mesmos - exatamente dessa forma.

Ento ns compreendemos, pubbe annanussu tesu dhammesu - que essa regularidade no processo (literalmente 'qualidades do dhamma') tambm foi assim no passado. Mesmo que ningum nos tenha dito, sabemos que foi sempre assim. Essa a razo porque o Buda sustentava que ele no tinha ouvido isso de ningum, no tinha sido ensinado por ningum - assim eram essas coisas desde antes do seu tempo. Portanto ns podemos ver que as regularidades no processo de todos os elementos esto destinadas a serem dessa forma. Mas como as condies da mente se prenderam em todas essas coisas por tantas vidas, elas se comportaram de acordo com tais suposies. A mente foi esmagada pelas tendncias subjacentes (anusaya) ao ponto de se tornar deludida acreditando nelas, e assim, os estados de vir a ser e nascimento foram criados atravs do nosso apego s condies da mente.

Portanto o meditador diligente vai analisar as coisas em linha com sua natureza inerente, vendo que

sabbe sankhara anicca, sabbe sankhara dukkha:
(Todas as coisas condicionadas so impermanentes, todas as coisas condicionadas so sofrimento/insatisfatrias)

As aes de fabricar na mente - as condies da mente - que so impermanentes. O mundo dos seres vivos constante: simplesmente assim. Analisem essas coisas em termos das Quatro Nobres Verdades como uma forma de retificar as condies da mente, de modo que vocs possam ver com certeza, por si mesmos, que essas condies da mente so impermanentes e causadoras de sofrimento. E por ainda no terem visto por si mesmos que elas so impermanentes e causadoras de sofrimento a razo porque vocs se entregam a essas fabricaes mentais. Quando vocs de verdade virem, as condies da mente sero retificadas. A realizao ser alcanada,

sankhara sassata natthi:

'No h fabricaes mentais que sejam permanentes e duradouras.' As fabricaes mentais so simplesmente condies da mente, como miragens. Quanto aos seres vivos, eles tm sido uma caracterstica constante do mundo durante todo o tempo. Quando vocs conhecerem os dois lados - isto , que os seres vivos simplesmente so como so, e que as fabricaes mentais so simplesmente uma condio da mente que os concebe - ento thitibhutam, a mente primordial que incondicionada, pode se libertar.

Quanto ao ensinamento de que todos os fenmenos ou regularidades de comportamento so no-eu: como que eles poderiam ser eu? A caracterstica deles simplesmente surgir como surgem. Portanto o Buda ensinou,

sabbe dhamma anatta:

'Todos dhammas so no-eu'. Ns como meditadores diligentes deveramos investigar as coisas para v-las claramente dessa forma, at que a mente esteja apta a convergir, permitindo-nos ver de forma clara e vvida dessa forma por ns mesmos e ao mesmo tempo fazendo surgir o conhecimento que acompanha essa viso. Isso o que quer dizer vutthana-gamini vipassana (puro insight que conduz ao caminho ascendente). Deveramos trabalhar nesse estgio at o termos dominado, at vermos realmente e claramente, juntamente com a completa convergncia da mente e seu simultneo conhecimento, convergindo contra a torrente, curando as tendncias latentes, transformando a suposio em libertao; ou at convergirmos mente primordial que simplesmente da forma como , ao ponto em que isso esteja absolutamente claro, acompanhado do simultneo conhecimento,

Khina jati anam hoti:

'H o conhecimento de no haver mais nascimento.'

Esse estgio no uma hiptese ou suposio. Ele no nada fabricado ou conjecturado, nem nada que pode ser obtido pelo mero desejar. algo que surge, , e conhece inteiramente por si s. A prtica intensa e contnua em que ns analisamos as coisas sabiamente por ns mesmos a causa para surgir por si s.

Foi feita uma comparao com o cultivo do arroz. Uma vez que tenhamos nutrido e cuidado do cultivo adequadamente, os resultados - os gros de arroz - no so obtidos pelo mero desejar. Eles aparecem por si mesmos. Se uma pessoa que quer obter gros de arroz preguiosa e no cuida do cultivo, ela pode continuar desejando at o dia da sua morte, mas nenhum gro de arroz ir aparecer. O mesmo vlido com a realidade da libertao: no algo alcanvel pelo mero desejar. Uma pessoa que queira se libertar, mas pratica de forma incorreta, ou nem pratica - e desperdia seu tempo sendo preguiosa at o dia da sua morte - jamais encontrar a libertao. (Veja o Bhumijja Sutta).

* * *

10. A mente primordial luminosa e clara por natureza, mas ela obscurecida pelas imperfeies

pabhassaramidam bhikkhave cittam tanca kho agantukehi upakkilesehi upakkilittham:

'Luminosa, bhikkhus, a mente. E ela contaminada pelas corrupes adventcias.' Isso foi comparado com uma rvore no poema que segue,

Uma rvore alta de 6000 ramos:
Grandes camalees, s centenas, chegam at ela todos os dias,
Pequenos camalees, aos milhares, cada dia.
Se o dono no tomar cuidado,
Eles vo trazer cada vez mais amigos todos os dias.

Isso pode ser explicado da seguinte forma: uma rvore alta de 6000 ramos - se cortarmos os trs zeros, isso nos deixar o seis, que representa as seis portas dos sentidos, a entrada para os camalees, isto , as coisas que so impostoras, que no so genunas. As impurezas no so genunas. Elas simplesmente so coisas que vm deriva pelas portas dos sentidos s centenas e milhares. Alm disso, as impurezas que no surgiram ainda vo surgir cada vez mais enquanto no encontrarmos meios de retificar a natureza da mente.

A mente algo mais luminoso que qualquer outra coisa, mas por causa dos impostores - as impurezas adventcias - que surgem e a obscurecem, ela perde sua luminosidade, assim como o sol quando obscurecido pelas nuvens. No pensem que o sol entra atrs das nuvens. Ao invs disso, so as nuvens que vem deriva e obscurecem o sol.

Portanto os meditadores, ao entenderem dessa forma, sempre deveriam se livrar desses impostores analisando-os sabiamente, assim como explicado nas estratgias para o puro insight, 9. Quando eles desenvolvem a mente ao estgio da mente primordial, isso ir significar que todos os impostores estaro destrudos, ou ento, que as coisas impostoras no so capazes de alcanar a mente primordial, porque a ponte que permitia o seu acesso foi destruda. Mesmo que a mente ainda possa ter algum contato com as preocupaes do mundo, seu contato ser similar ao de uma gota de gua rolando sobre uma ptala de uma flor de ltus.

* * *

11. O auto-treinamento de um meditador tem de ser adequado ao seu temperamento

Um famoso treinador de cavalos aproximou-se do Buda e perguntou como ele treinava seus discpulos. O Buda respondeu perguntando ao treinador como ele treinava cavalos. O treinador respondeu que haviam quatro tipos de cavalos: (1) os fceis de domar. (2) os de tipo intermedirio, (3) aqueles que so genuinamente difceis de domar, e (4) aqueles que no podem ser domados de forma alguma, e teriam que ser sacrificados. O Buda respondeu, 'Eu tambm fao assim'. (1) Os fceis de domar, isto , cujas mentes aquietam facilmente, deveriam comer comida suficiente para nutrir o corpo. (2) Os de tipo intermedirio, isto , cujas mentes tm algumas dificuldades para se aquietarem, no deveriam ser autorizados a comer muito - somente um pouco de comida. (3) aqueles que so genuinamente difceis de domar, isto , aqueles que tm srias dificuldades para aquietarem suas mentes, no deveriam comer nada, mas eles tm de ser attanu. Eles devem conhecer as suas prprias foras e exatamente o quanto eles so capazes de suportar. (4) Para aqueles que no podem ser domados e tm que ser sacrificados - isto , aqueles considerados padaparama, que no podero subjugar suas mentes de forma alguma - o Buda retiraria a ponte. Em outras palavras, ele no iria instru-los, o que um equivalente de sacrific-los. (Veja o AN IV.111)

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12. O discurso de Mulatika

Tika significa trs. Mula significa raiz. Junto eles significam 'coisas que so razes em trios.' Cobia, averso e deluso so trs, consideradas as razes daquilo que prejudicial. O desejo vem em trs: desejo pela sensualidade, desejo por ser/existir, desejo por no ser/existir. As torrentes ou impurezas (asava) da mente so trs: sensualidade, estados de ser, ignorncia. Se uma pessoa dominada por esses trios, ento

tiparivattam:

Ele ou ela ter de continuar perambulando em trios, e assim os trs reinos - os reinos da esfera sensual, os reinos da matria sutil (ou com forma), os reinos imateriais (ou sem forma) - continuaro tal como so, porque esses trios so as razes dos trs reinos.

O remdio tambm um trio: virtude, concentrao e sabedoria. Quando as pessoas praticam de acordo com a virtude, concentrao e sabedoria estabelecendo a cura, ento,

na tiparivattam:

Elas no tero de continuar perambulando em trios. Os trs reinos no mais existiro. Em outras palavras, elas iro alcanar a libertao desses trs reinos.

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13. Somente um deva visuddhi um ser verdadeiramente em paz

akuppam sabba-dhammesu neyyadhamma pavessanto:

'A mente da pessoa tem que estar inabalvel com relao s impurezas e deve entender todos os fenmenos tanto internos como externos,

- santo

para estar calmo e em paz.' Uma pessoa em paz dessa forma ter desenvolvido completamente o senso de vergonha e temor, qualidades mentais que so puras e imaculadas, uma mente firme e estvel, e uma integridade pessoal imbuda com as qualidades de um deva (ser celestial), assim como diz o verso a seguir.

hiri-ottappa-sampanna sukkadhamma-samahita
santo sappurisa loke deva-dhammati vuccare.

Devas por nascimento - os habitantes dos reinos celestiais - esto repletos de prazeres sensuais e tm a inquietao como impureza. Como eles podem estar em paz? Esse verso ento com certeza deve se referir aos devas visuddhi (devas purificados), isto , aos arahants. Tais seres esto genuinamente em paz e se qualificam como tendo completamente desenvolvido o senso de vergonha e temor (hiri-ottappa), junto com as 'qualidades brancas', isto , a verdadeira pureza.

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14. A no-atividade o ponto final do mundo, alm de toda suposio e conceitualizao

saccanam caturo pada
khinasava jutimanto te loke parinibbuta

As quatro Nobres Verdades - o sofrimento, sua causa, sua cessao e o caminho para sua cessao - so tarefas, sendo que cada verdade tem a sua: o sofrimento deve ser entendido, sua causa abandonada, sua cessao deve ser realizada, e o caminho para sua cessao desenvolvido. Todas essas so coisas que devem ser feitas - e se elas tm de ser feitas, elas so tarefas. Ento ns podemos concluir que todas as quatro verdades so tarefas. Isso est de acordo com o primeiro verso citado acima, que fala sobre as quatro verdades como sendo o cho, os degraus da escada, ou os passos que devem ser dados antes da tarefa estar terminada. O que segue portanto denominado no-atividade - como escrever os numerais 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0, e ento apagar de 1 a 9, deixando apenas o 0, e no escrevendo nada mais. O que restou lido como 'zero', mas isso no tem nenhum valor. Voc no pode us-lo para somar, subtrair, multiplicar ou dividir quaisquer outros nmeros, mas ao mesmo tempo voc no pode dizer que ele no existe, porque ele est l: 0 (zero).

Isso se compara sabedoria que compreende tudo ao redor, porque ela destri a atividade da suposio. Em outras palavras, a sabedoria apaga completamente a suposio e no mais se envolve com isso ou se apega a quaisquer outras suposies. Com as palavras 'apagando' ou 'destruindo' a atividade da suposio, surge a pergunta, 'Quando a suposio inteiramente destruda, como ficaremos?' A resposta que ns vamos ficar num estado que no suposto: l mesmo na no-atividade.

Essa explicao est de acordo com os aspectos da realidade que so vistos claramente somente por aqueles que praticam, as pessoas que no praticam no entendem. Somente ao ouvirem e ento assim praticarem at ver e conhecer por si mesmos, que elas sero capazes de entender.

O significado do prximo verso : 'Aqueles que no tm mais impurezas extinguem os trs reinos e so deslumbrantes.' Em outras palavras, eles praticaram com persistncia e fizeram uma investigao 'bhavito bahulikato.' Ainda em outras palavras, eles trabalharam e desenvolveram isso repetidamente at o ponto em que a mente tinha energia suficiente para analisar e destruir todas as suposies assim como atingir a no-atividade. Assim eles podem realizar a libertao dos trs reinos.

Ao extinguir os trs reinos, os arahants no voam pelos reinos da esfera sensual, matria sutil e imaterial. Eles ficam exatamente onde esto. O mesmo vlido para o Buda: quando ele extinguiu os trs reinos, ele estava sentado num local, sob a figueira-dos-pagodes. Ele no voou pelos trs reinos. Ele os extinguiu na mente - porque exatamente na mente que os trs reinos existem.

Aqueles que almejam extinguir os trs reinos devem extingui-los em suas prprias mente-coraes. Somente ento eles destruiro a atividade - o ato de supor - da mente-corao, deixando apenas a no-atividade. Essa a mente-corao primordial, o Dhamma primordial, para o qual no h morte.

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15. As nove moradas dos seres vivos

Os reinos dos seres celestiais, o reino humano e os reinos da privao (apaya) so classificados como reinos da esfera sensual, a morada dos seres vivos que se entregam sensualidade. Tomados juntos, eles contam como apenas um. Os reinos da matria sutil, a morada dos seres que alcanaram rupa jhana, so quatro. Os reinos imateriais, a morada dos seres que atingiram arupa jhana, tambm so quatro. Assim, ao todo so nove moradas. Aqueles - os arahants - que so sbios com relao s nove moradas, as abandonam e no tm de viver em nenhuma delas. Isso aparece na ltima das Perguntas ao Novio (samanera-panha), 'dasa nama kim' - O que dez? - que respondida: 'dasahangehi sammaagato arahati vuccati ti' - O arahant, imbudo de dez qualidades, alcana a libertao das nove moradas. Isso pode ser comparado a escrever os nmeros 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10. De 1 a 9 temos nmeros que podem ser contados, nomeados, somados, subtrados, multiplicados, e divididos. J para o 10 - 1 e 0 (zero) - quando apagamos o 1, porque ele est repetido, ficamos com o 0 (zero). Se usarmos o 0 para adicionar, subtrair, multiplicar, ou dividir qualquer outro nmero, ele no ir aumentar o valor desse nmero; e o 0 por si s no tem valor nenhum - mas voc no pode dizer que ele no existe, porque ele est l. O mesmo vlido para a mente-corao: ela tem uma natureza cujos atributos so como os do 0. Quando o 0 est acompanhado de qualquer outro nmero, ele aumenta o valor daquele nmero. Por exemplo, 1 acompanhado do 0 se torna 10. Com a mente-corao da mesma forma. Quando acompanhada de alguma coisa, ela instantaneamente prolifera em coisas mais elaboradas e fantasiosas. Mas quando treinada at que ela seja sbia e perspicaz com relao a todos os fenmenos conhecveis, ela retorna ao seu estado como 0 (zero) - vazio, aberto, e puro, alm de toda contagem e rotulao.Ela no fica nos nove lugares que so as moradas dos seres vivos. Em vez disso, ela fica num lugar vazio de suposies e conceitualizaes: sua natureza inerente de 0 (zero), ou no-atividade, assim como mencionado no 14.

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16. O significado do primeiro discurso, do discurso do meio, e do discurso final

Os discursos dados pelo Buda em trs pontos da sua carreira tm importncia to grande que os Budistas deveriam lhes dar especial ateno.

A. No comeo da sua carreira o Buda proferiu um discurso aos cinco contemplativos na floresta do Parque dos Gamos, em Isipatana, prximo a Benares. Esse foi seu primeiro discurso, chamado 'Colocando a Roda do Dhamma em Movimento'. Ele comeou falando dos dois extremos aos quais algum que abandonou a vida em famlia e seguiu a vida santa no deve se entregar

dveme bhikkhave anta pabbajitena na sevitabba:

'Bhikkhus, h esses dois extremos aos quais aquele que abandonou a vida em famlia e seguiu a vida santa no deve no deve se entregar. A busca da felicidade nos prazeres sensuais, a busca da mortificao.' Para explicar: se entregar aos prazeres sensuais, do lado da paixo; se entregar auto-mortificao, do lado da raiva. Ambos os lados causam sofrimento e estresse. Quando praticamos a auto-purificao e ainda camos em um desses dois extremos, no podemos dizer que entramos no caminho do meio, porque quando ns estamos fazendo um esforo contnuo para praticar e a mente se torna profundamente calma e relaxada, isso nos agrada; mas quando a mente pensa e fica agitada e distrada, isso nos desagrada. Agradar se entregar ao prazer; desagradar se entregar auto-mortificao. Agradar cobia, desagradar averso, no ser sbio cobia e averso deluso.

Qualquer um que se esforce para desenvolver persistncia na concentrao comea caindo nesses dois extremos. Se camos nesses extremos, somos considerados errados, mas normal que estejamos errados antes de podermos estar corretos. At o Buda, antes de seu Despertar, estava completamente errado dessa mesma forma. Mesmo seus dois principais discpulos estavam errados - e sustentavam doutrinas danosas no comeo. Todos os outros discpulos comearam errados tambm. Mas quando o Buda veio e seguiu o caminho do meio ao meditar sob a figueira-dos-pagodes, depois de alcanar os dois primeiros conhecimentos nas duas primeiras viglias da noite - recordao de vidas passadas e o conhecimento da morte e renascimento dos seres vivos - ele alcanou o terceiro conhecimento na viglia prxima ao amanhecer - o conhecimento do fim das impurezas mentais. Pois esse foi o momento em que ele descobriu o genuno caminho do meio, libertando sua mente do erro desses dois extremos. Liberto do cl, classe, moradas, linhagem, e legado de convenes e suposies, ele atingiu o cl, classe, morada, linhagem e legado dos Nobres. Os Nobres Discpulos vieram a entender seguindo o Buda, agindo de acordo com o conhecimento do fim das impurezas mentais, e alcanando a libertao do erro tal como ele alcanou.

Da mesma forma para ns meditadores, no comeo normal que estejamos errados. Enquanto ns nos agradarmos e desagradarmos no desenvolvimento do mrito e da sabedoria, ns estamos sob influncia dos fenmenos do mundo (lokadhamma), e quando estamos sob a influncia dos fenmenos do mundo, somos abalados pelo prazer e pelo desprazer. Isso denominado ser sacudido para trs e para frente.

uppano kho me:

Onde surgem os fenmenos do mundo? Em ns mesmos. Os fenmenos do mundo tm oito fatores, e o caminho que os cura tambm. O ctuplo caminho a cura para os oito fenmenos do mundo. Assim, o Buda ensinou o caminho do meio para curar esses dois extremos.

Uma vez que tenhamos nos curado desses dois extremos, entramos no nobre caminho, atravessando as torrentes do mundo, com a mente cago patinissago mutti analayo - abrindo mo, descartando, libertando, despegando.

Para resumir: enquanto estes dois extremos estiverem nos coraes, vocs no estaro na trilha certa. Mas quando o corao alcana a libertao desses dois extremos, vocs se tornam inabalveis: livres das impurezas e seguros da torrente. Por isso que o discurso 'Colocando a Roda do Dhamma em Movimento' to importante. Quando o Buda explicou o 'Colocando a Roda do Dhamma em Movimento', isso fez com que os elementos do mundo tremessem. E quando a mensagem to significativa, o que mais eles poderiam fazer alm de tremer? Os elementos do mundo no so nada alm desse nosso corpo. Nosso corpo formado pelos elementos do mundo e ele treme porque a mente v algo que jamais tinha visto antes. O fato da mente ser liberta desses dois extremos que faz os elementos do mundo tremerem. Eles tremem porque a mente no voltar a lhes dar surgimento.

B. No ponto mdio da carreira do Buda ele discursou a Exortao do Patimokkha para uma assemblia de 1250 arahants no Santurio dos Esquilos, no Bosque do Bambual Real, prximo Rajagaha. Um dos pontos importantes era,

adhicitte ca ayogo etam buddhana-sasanam:

'Elevem a mente: esse o ensinamento dos Budas.' Para elevarmos a mente, temos de estar calmos e em paz.

iccha lobha-samapanno samano kim bhavissati:

'Quando estamos imbudos de desejo - cobiosos, empenhados e deludidos - como podemos estar calmos e em paz?' Precisamos praticar adotando a disciplina como nosso ponto de partida e desenvolver nossa meditao, comeando com meditao andando e sentada. Devemos trabalhar na investigao dos fundamentos da ateno plena e desenvolv-los repetidamente, comeando mantendo-nos atentos ao corpo como nosso fundamento da ateno plena. No comeo devemos contemplar as partes do corpo por meio de parikamma savana, isto , por meio de conjecturas - aquela parte daquela forma, e esta dessa forma - porque se ns o fizermos com ateno plena, com plena conscincia, a mente no ir vagar para longe do corpo e se aquietar facilmente. Quando praticamos parikamma savana repetidamente, um uggaha nimitta ir surgir. Deveramos ento dominar esse estgio at que alcancemos patibhaga, analisando a viso de suas partes. Quando dominarmos patibhaga completamente, teremos ento a meditao de insight. Ento desenvolvemos a meditao de insight ao nvel mais profundo para que a mente alcance thitibhutam, assim como foi discutido nas estratgias para o puro insight. Isso o que se quer dizer com 'prtica'. Quando tivermos praticado,

mokkham:

iremos cruzar para alm. por causa da completa realizao da prtica que cruzamos para alm - isto , para alm do mundo. Isso o que se quer dizer com dhammas transcendentes.

khemam:

ns alcanaremos a libertao das grilhes.

Portanto a mensagem do discurso mdio significativa porque tem como meta a libertao.

C. No fim de sua carreira, quando ele estava prestes a realizar o nibbana completo, o Buda deu seu discurso final em meio a uma assemblia de Nobres Discpulos no Bosque das rvores-Sal dos Mallas, perto de Kusinara, dizendo, handadani amantayami vo bhikkhave, pativediyami vo bhikkhave, khaya-vaya-dhamma sankhara, appamadena sampadetha: 'Bhikkhus, esforcem-se pelo objetivo com diligncia. Investiguem que as coisas condicionadas surgem e depois se dissolvem. Quando vocs investigarem dessa forma, vocs compreendero completamente.' Isso foi tudo que ele disso e nunca mais disse mais nada. Esse foi considerado o discurso final.

Para explicar o significado: Onde as coisas condicionadas surgem? O que so as coisas condicionadas? Coisas condicionadas surgem em nossas prprias mentes. Elas so um efeito ou condio da mente que d origem a todas as suposies. Essas fabricaes so as culpadas que supem e formulam tudo no mundo. Na verdade, as coisas do mundo - nas suas propriedades elementares como fenmenos - simplesmente so da forma como so. A Terra, rvores, montanhas, cu, e o brilho do sol no dizem que so alguma coisa. Mesmo o corpo humano, que composto pelos elementos do mundo, no diz ser isto ou aquilo. As fabricaes mentais so as culpadas por moldar essas coisas como sendo isto ou aquilo - e ns corremos atrs daquilo que elas dizem ser verdade, agarrando todas essas coisas como sendo nossas ou ns mesmos. Cobia, raiva, e deluso ento surgem, fazendo com que a mente primordial vagueie deludida em busca de nascimento, envelhecimento, doena e morte, andando em crculos incansavelmente atravs de inumerveis estados de vir a ser e nascimento - tudo devido incitao das fabricaes mentais.

Essa a razo porque o Buda nos ensinou a contemplar as fabricaes mentais como impermanentes e causadoras de sofrimento:

sabbe sankhara anicca, sabbe sankhara dukkha.

Continuamos nisso at que vejamos completamente e com clara compreenso - que surge como fruto do desenvolvimento anterior de patibhaga - at que a mente penetre bhavanga, seu estado subconsciente. Quando a corrente de bhavanga desaparece, um entendimento genuinamente intuitivo vai surgir na mente-corao: ' simplesmente assim que eles so - impermanentes e causadores de sofrimento'. Quando dominarmos e vermos com clareza e distino, seremos ento sbios em relao s fabricaes mentais. As fabricaes mentais no mais sero capazes de moldarem a mente ao vir a ser que surge incessantemente, assim como no verso,

akuppam sabba-dhammesu neyyadhamma pavessanto:

Quando as fabricaes mentais no puderem mais moldarem a mente, a mente no se torna nascida. Ela sbia em relao a todos os dhammas conhecveis,

- santo:

e assim estar calma e em paz, realizando a libertao.

As palavras do discurso final so realmente importantes. Elas podem fazer com que a pessoa que as investiga alcance o ltimo estgio do despertar - essa a razo porque do Buda parou de falar e no disse mais nada.

Os discursos dados nesses trs pontos da carreira do Buda tm uma importncia que supera qualquer outro que ele tenha dado. O primeiro discurso visa a libertao, o discurso do meio visa a libertao e o discurso final visa a libertao. Dessa forma todos os trs sem exceo visam nada alm da libertao.

* * *

17. Os Arahants de todos os tipos alcanam ambas a libertao atravs da concentrao e a libertao atravs da sabedoria, tendo desenvolvido o triplo treinamento at sua concluso

anasavam ceto-vimuttim paa-vimuttim
dittheva dhamme sayam abhia sacchikatva
upasampajja viharanti:

'Eles permanecem sem impurezas, tendo alcanado a libertao atravs da concentrao e a libertao atravs da sabedoria realizada e verificada por eles mesmos no aqui e agora.'

Esse trecho do Cnone mostra que os arahants, no importa o tipo, alcanam ambas a libertao atravs da concentrao e a libertao atravs da sabedoria, livre de impurezas no presente. No so feitas distines dizendo que um grupo alcana a libertao somente atravs da concentrao ou somente atravs da sabedoria. A explicao dada pelos Comentaristas - que a libertao atravs da concentrao pertence aos arahants que primeiro desenvolvem a concentrao, e que a libertao atravs da sabedoria pertence aos arahants de 'insight seco', que desenvolvem apenas o insight sem antes desenvolverem a concentrao - vai na contra-mo do caminho. O ctuplo caminho inclui ambos Entendimento Correto e Concentrao Correta. Para uma pessoa realizar a libertao ela tem de desenvolver todos os oito fatores do caminho. Caso contrrio ela no poder alcanar a libertao. O triplo treinamento inclui tanto concentrao como sabedoria. Uma pessoa que deseja alcanar o conhecimento do fim das impurezas mentais tem que desenvolver as trs partes do triplo treinamento completamente.

Essa a razo porque se diz que todos os tipos de arahants alcanam ambas a libertao atravs da concentrao e a libertao atravs da sabedoria.

 


Agradecemos a colaborao de Raryel Costa Souza na traduo deste texto do Ingls.

 

 

Revisado: 4 Junho 2011

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