Samyutta Nikaya XII.17

Kassapa Sutta

Kassapa

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Em Savatthi. Então o errante Kassapa se aproximou do Abençoado e ambos se cumprimentaram. Depois que a conversa amigável e cortês havia terminado ele sentou a um lado e disse:

“Como é, Mestre Gotama: o sofrimento é criado pela própria pessoa?”

“Não é assim, Kassapa,” o Abençoado respondeu.

“Então, Mestre Gotama, o sofrimento é criado pelos outros?”

“Não é assim, Kassapa,” o Abençoado respondeu.

“Como é então, Mestre Gotama: o sofrimento é criado ambos pela própria pessoa e pelos outros?”

“Não é assim, Kassapa,” o Abençoado respondeu.

“Então, Mestre Gotama, o sofrimento surge ao acaso, sem ser criado pela própria pessoa e tampouco pelos outros?”

“Não é assim, Kassapa,” o Abençoado respondeu.

“Como é então, Mestre Gotama: não existe o sofrimento?”

“Não é que não existe o sofrimento, Kassapa; o sofrimento existe.”

“Então é que o Mestre Gotama não conhece e não vê o sofrimento?”

“Não é que eu não conheço e não vejo o sofrimento, Kassapa. Eu conheço o sofrimento, eu vejo o sofrimento.”

“Ao ser perguntado: ‘Como é, Mestre Gotama: o sofrimento é criado pela própria pessoa?’ ou ‘Ele é criado pelos outros?’ ou ‘Ele é criado por ambos?’ ou ‘Ele não é criado por nenhum desses’ em cada caso você diz: ‘Não é assim, Kassapa.’

"Ao ser perguntado: ‘Como é então, Mestre Gotama: não existe o sofrimento?’ você diz: ‘Não é que não existe o sofrimento, Kassapa; o sofrimento existe.’ Ao ser perguntado: ‘Então é que o Mestre Gotama não conhece e não vê o sofrimento?’ você diz: ‘Não é que eu não conheço e não vejo o sofrimento, Kassapa. Eu conheço o sofrimento, eu vejo o sofrimento.’ Venerável senhor, que o Abençoado me explique o sofrimento. Que o Abençoado me ensine acerca do sofrimento.”

“Kassapa, [se alguém pensa,] ‘Aquele que age é o mesmo que experimenta o resultado,’ [então ele afirma] a respeito de alguém que existe desde o princípio: ‘O sofrimento é criado pela própria pessoa.’ Quando alguém diz isso, isso é eternalismo. Mas Kassapa, [se alguém pensa,] ‘Aquele que age é um e aquele que experimenta o resultado é outro,’ [então ele afirma] a respeito de alguém afligido pela sensação: ‘O sofrimento é criado pelos outros.’ Quando alguém diz isso, isso é aniquilação. Evitando esses dois extremos o Tathagata ensina o Dhamma pelo meio: Da ignorância como condição, as formações volitivas [surgem]. Das formações volitivas como condição, a consciência. Da consciência como condição, a mentalidade-materialidade (nome e forma). Da mentalidade-materialidade (nome e forma) como condição, as seis bases dos sentidos. Das seis bases dos sentidos como condição, o contato. Do contato como condição, a sensação. Da sensação como condição, o desejo. Do desejo como condição, o apego. Do apego como condição, o ser/existir. Do ser/existir como condição, o nascimento. Do nascimento como condição, então o envelhecimento e morte, tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero surgem. Essa é a origem de toda essa massa de sofrimento. Mas com o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios dessa mesma ignorância cessam as formações volitivas. Da cessação das formações volitivas cessa a consciência. Da cessação da consciência cessa a mentalidade-materialidade (nome e forma). Da cessação da mentalidade-materialidade (nome e forma) cessam as seis bases dos sentidos. Da cessação das seis bases dos sentidos cessa o contato. Da cessação do contato cessa a sensação. Da cessação da sensação cessa o desejo. Da cessação do desejo cessa o apego. Da cessação do apego cessa o ser/existir. Da cessação do ser/existir cessa o nascimento. Da cessação do nascimento, então o envelhecimento e morte, tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero, tudo cessa. Essa é a cessação de toda essa massa de sofrimento.’”

Quando isso foi dito, o errante Kassapa disse para o Abençoado: “Magnífico, Mestre Gotama! Magnífico, Mestre Gotama! Mestre Gotama esclareceu o Dhamma de várias formas, como se tivesse colocado em pé o que estava de cabeça para baixo, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para alguém que estivesse perdido ou segurasse uma lâmpada no escuro para aqueles que possuem visão pudessem ver as formas. Eu busco refúgio no Mestre Gotama, no Dhamma e na Sangha dos bhikkhus. Que o Mestre Gotama me aceite como discípulo leigo que buscou refúgio para o resto da vida.”

 


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Revisado: 16 Março 2013

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