Majjhima Nikaya 102

Pañcattaya Sutta

Os Cinco e Três

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1. Assim ouvi. [1] Em certa ocasião o Abençoado estava em Savatthi no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika. Lá ele se dirigiu aos monges desta forma: “Bhikkhus” – “Venerável Senhor,” eles responderam. O Abençoado disse o seguinte:

(ESPECULAÇÕES ACERCA DO FUTURO)

2. “Bhikkhus, há alguns contemplativos e brâmanes que especulam acerca do futuro, que possuem idéias acerca do futuro, que fazem várias alegações doutrinárias em relação ao futuro.

(I) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu é perceptivo e intacto [2] após a morte.’

(II) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu é não-perceptivo e intacto após a morte.’

(III) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu é nem perceptivo, nem não-perceptivo e intacto após a morte.’

(IV) Ou eles descrevem a aniquilação, destruição e exterminação de um ser existente [na morte].

(V) Ou alguns afirmam Nibbana aqui e agora.

“Portanto, (a) ou eles descrevem um eu existente que permanece intacto após a morte; (b) ou eles descrevem a aniquilação, destruição e exterminação de um ser existente [na morte]; (c) ou eles afirmam Nibbana aqui e agora. Assim essas [idéias], sendo cinco se tornam três e sendo três se tornam cinco. Esse é o sumário dos ‘cinco e três.’

3. (I) “Nesse sentido, bhikkhus, aqueles contemplativos e brâmanes que descrevem o eu como perceptivo e intacto após a morte, descrevem esse eu, perceptivo e intacto após a morte, como um dos seguintes:

material;

ou imaterial;

ou ambos, material e imaterial;

ou nem material e tampouco imaterial;

ou perceptivo da unidade;

ou perceptivo da diversidade;

ou perceptivo do limitado;

ou perceptivo do imensurável. [3]

Ou ainda, dentre aqueles poucos que vão além disso, alguns afirmam ser a kasina da consciência, imensurável e imperturbável, [o eu]. [4]

4. “O Tathagata, bhikkhus, compreende isso da seguinte forma: ‘Esses bons contemplativos e brâmanes que descrevem o eu como perceptivo e intacto após a morte, descrevem esse eu, perceptivo e intacto após a morte, como, ou material ... ou eles o descrevem como perceptivo do imensurável. Por outro lado, visto que [a percepção] “não há nada” é declarada como a mais pura, suprema, a melhor e insuperável dessas percepções – sejam elas, percepção da forma ou sem forma, da unidade ou diversidade [5] – alguns afirmam ser a base do nada, imensurável e imperturbável [o eu]. Isso é condicionado e grosseiro, mas há a cessação das formações.’ Tendo compreendido ‘Existe isso,’ vendo a escapatória disso, o Tathagata foi além disso. [6]

5. (II) “Nesse sentido, bhikkhus, aqueles contemplativos e brâmanes que descrevem o eu como não-perceptivo e intacto após a morte, descrevem esse eu não-perceptivo e intacto após a morte como um dos seguintes:

material;

ou imaterial;

ou ambos, material e imaterial;

ou nem material e tampouco imaterial. [7]

6. “Nesse sentido, bhikkhus, esses criticam aqueles contemplativos e brâmanes que descrevem o eu como perceptivo e intacto após a morte. Por que isso? Porque eles dizem: ‘A percepção é uma enfermidade, a percepção é um tumor, a percepção é uma flecha; isto é pacífico, isto é sublime, isto é, a não-percepção.’

7. “O Tathagata, bhikkhus, compreende isso da seguinte forma: ‘Esses bons contemplativos e brâmanes que descrevem o eu como não-perceptivo e intacto após a morte, descrevem esse eu não-perceptivo e intacto após a morte como, ou material ... ou nem material e tampouco imaterial. Que algum contemplativo ou brâmane possa dizer: “Separado da forma material, separado da sensação, separado da percepção, separado das formações, eu irei descrever as vindas e idas da consciência, o seu falecimento e renascimento, o seu desenvolvimento, crescimento e maturação” – isso é impossível. [8] Isso é condicionado e grosseiro, mas há a cessação das formações.’ Tendo compreendido ‘Existe isso,’ vendo a escapatória disso, o Tathagata foi além disso.

8. (III) “Nesse sentido, bhikkhus, aqueles contemplativos e brâmanes que descrevem o eu como nem perceptivo, nem não-perceptivo e intacto após a morte, descrevem esse eu nem perceptivo, nem não-perceptivo e intacto após a morte como um dos seguintes:

material;

ou imaterial;

ou ambos material e imaterial;

ou nem material e tampouco imaterial. [9]

9. “Nesse sentido, bhikkhus, esses criticam aqueles contemplativos e brâmanes que descrevem o eu como perceptivo e intacto após a morte, e eles criticam aqueles contemplativos e brâmanes que descrevem o eu como não-perceptivo e intacto após a morte. Por que isso? Porque eles dizem: ‘A percepção é uma enfermidade, a percepção é um tumor, a percepção é uma flecha, e a não-percepção é a estupefação; [10] isto é pacífico, isto é sublime, isto é, nem percepção, nem não-percepção.’

10. “O Tathagata, bhikkhus, compreende isso da seguinte forma: ‘Esses bons contemplativos e brâmanes que descrevem o eu como nem perceptivo, nem não-perceptivo e intacto após a morte, descrevem esse eu, nem perceptivo, nem não-perceptivo e intacto após a morte, ou como material ... ou nem material e tampouco imaterial. Se algum contemplativo ou brâmane descrever que a entrada nessa base ocorre através de uma medida de formações relacionada ao que é visto, ouvido, sentido e conscientizado, isto é declarado ser um desastre para a entrada nessa base. [11] Pois esta base, é assim declarado, não é para ser alcançada como uma realização com formações; esta base, é assim declarado, é para ser alcançada como uma realização com um resíduo de formações. [12] Isso é condicionado e grosseiro, mas há a cessação das formações.’ Tendo compreendido ‘Existe isso,’ vendo a escapatória disso, o Tathagata foi além disso.

11. (IV) “Nesse sentido, bhikkhus, aqueles contemplativos e brâmanes que descrevem a aniquilação, destruição e exterminação de um ser existente [na morte] [13] criticam aqueles contemplativos e brâmanes que descrevem o eu como perceptivo e intacto após a morte, e eles criticam aqueles contemplativos e brâmanes que descrevem o eu como não-perceptivo e intacto após a morte, e eles criticam aqueles contemplativos e brâmanes que descrevem o eu como nem perceptivo, nem não-perceptivo e intacto após a morte. Por que isso? Todos esses contemplativos e brâmanes, apressando-se adiante, afirmam o seu apego assim: ‘Nós seremos assim após a morte, nós seremos assim após a morte.’ Como um comerciante, que vai para o mercado, pensa: ‘Através disto, aquilo será meu; com isto, eu conseguirei aquilo’; assim também, aqueles contemplativos e brâmanes parecem comerciantes quando eles declaram: ‘Nós seremos assim após a morte, nós seremos assim após a morte.’

12. “O Tathagata, bhikkhus, compreende isso da seguinte forma: ‘Esses bons contemplativos e brâmanes que descrevem a aniquilação, destruição e exterminação de um ser existente [na morte], devido ao medo da identidade e repulsa pela identidade, ficam correndo e circundando ao redor dessa mesma identidade. [14] Como um cão, atado por uma correia a um poste firme ou coluna, fica correndo e circundando ao redor desse mesmo poste ou coluna; assim também, esses contemplativos e brâmanes, devido ao medo da identidade e repulsa pela identidade, ficam correndo e circundando ao redor dessa mesma identidade. Isso é condicionado e grosseiro, mas há a cessação das formações.’ Tendo compreendido ‘Existe isso,’ vendo a escapatória disso, o Tathagata foi além disso.

13. “Bhikkhus, quaisquer contemplativos e brâmanes que especulem acerca do futuro, que possuam idéias acerca do futuro, e que façam várias alegações doutrinárias com relação ao futuro, todos afirmam essas cinco bases ou alguma dentre elas. [15]

(ESPECULAÇÕES ACERCA DO PASSADO)

14. “Bhikkhus, há alguns contemplativos e brâmanes que especulam acerca do passado, que possuem idéias acerca do passado, que fazem várias alegações doutrinárias com relação ao passado.

(1) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo são eternos: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’ [16]

(2) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo não são eternos: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’ [17]

(3) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo são ambos, eterno e não eterno: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’ [18]

(4) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo são nem eternos, nem não eternos: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’ [19]

(5) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo são finitos: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’ [20]

(6) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo são infinitos: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’

(7) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo são ambos, finito e infinito: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’

(8) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo são nem finitos, nem infinitos: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’

(9) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo são perceptivos da unidade: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’ [21]

(10) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo são perceptivos da diversidade: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’

(11) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo são perceptivos do limitado: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’

(12) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo são perceptivos do imensurável: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’

(13) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo [experimentam] exclusivamente o prazer: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’

(14) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo [experimentam] exclusivamente a dor: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’

(15) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo [experimentam] ambos, prazer e dor: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.’

(16) Alguns afirmam o seguinte: ‘O eu e o mundo [experimentam] nem prazer, nem dor: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso.'

15. (1) “Nesse sentido, bhikkhus, com relação àqueles contemplativos e brâmanes que possuem a seguinte doutrina e entendimento: ‘O eu e o mundo são eternos: somente isto é verdadeiro, todo o restante é falso,’ que exceto pela fé, exceto pela preferência, exceto pela tradição, exceto pela cogitação com base na razão, exceto pelas idéias, eles terão um tipo de conhecimento pessoal claro e puro disso – isso é impossível. [22] Visto que eles não possuem conhecimento pessoal claro e puro, mesmo o mero conhecimento incompleto que esses contemplativos e brâmanes elucidam [acerca do entendimento deles] é declarado como sendo apego da parte deles. [23] Isso é condicionado e grosseiro, mas há a cessação das formações.’ Tendo compreendido ‘Existe isso,’ vendo a escapatória disso, o Tathagata foi além disso.

16. (2-16) “Nesse sentido, bhikkhus, aqueles contemplativos e brâmanes que possuem a seguinte doutrina e entendimento: ‘O eu e o mundo não são eternos ... ambos, eterno e não eterno ... nem eternos, nem não eternos ... finitos ... infinitos ... ambos, finito e infinito ... nem finitos, nem infinitos ... perceptivos da unidade ... perceptivos da diversidade ... perceptivos do limitado ... perceptivos do imensurável ... [experimentam] exclusivamente o prazer ... [experimentam] exclusivamente a dor ... [experimentam] ambos, prazer e dor ... [experimentam] nem prazer, nem dor: que exceto pela fé, exceto pela preferência, exceto pela tradição, exceto pela cogitação com base na razão, exceto pelas idéias, eles terão algum tipo de conhecimento pessoal claro e puro disso – isso é impossível. Visto que eles não possuem conhecimento pessoal claro e puro, mesmo o mero conhecimento incompleto que esses contemplativos e brâmanes elucidam [acerca do entendimento deles] é declarado como sendo apego da parte deles. Isso é condicionado e grosseiro, mas há a cessação das formações.’ Tendo compreendido ‘Existe isso,’ vendo a escapatória disso, o Tathagata foi além disso. [24]

(NIBBANA AQUI E AGORA) [25]

17. (V) “Aqui, bhikkhus, [26] um contemplativo ou brâmane, com o abandono das idéias acerca do passado e do futuro e com a completa ausência de determinação pelos grilhões do prazer sensual, entra e permanece no êxtase do afastamento. [27] Ele pensa: ‘Isto é pacífico, isto é sublime, que eu entre e permaneça no êxtase do afastamento.’ Aquele êxtase do afastamento cessa nele. Com a cessação do êxtase do afastamento, surge a aflição, e com a cessação da aflição, o êxtase do afastamento surge. [28] Como a luz do sol permeia a área que a sombra deixa, e a sombra permeia a área que a luz do sol deixa, assim também, com a cessação do êxtase do afastamento, surge a aflição, e com a cessação da aflição, o êxtase do afastamento surge.

18. “O Tathagata, bhikkhus, compreende isso da seguinte forma: ‘Esse bom contemplativo ou brâmane, com o abandono das idéias acerca do passado e do futuro ... e com a cessação da aflição, o êxtase do afastamento surge. Isso é condicionado e grosseiro, mas há a cessação das formações.’ Tendo compreendido ‘Existe isso,’ vendo a escapatória disso, o Tathagata foi além disso.

19. “Aqui, bhikkhus, um contemplativo ou brâmane, com o abandono das idéias acerca do passado e do futuro e com a completa ausência de determinação pelos grilhões do prazer sensual, e com a superação do êxtase do afastamento, entra e permanece num prazer extra-mundano. [29] Ele pensa: ‘Isto é pacífico, isto é sublime, que eu entre e permaneça num prazer extra-mundano.’ Aquele prazer extra-mundano cessa nele. Com a cessação do prazer extra-mundano, surge o êxtase do afastamento, e com a cessação do êxtase do afastamento, o prazer extra-mundano surge. Como a luz do sol permeia a área que a sombra deixa, e a sombra permeia a área que a luz do sol deixa, assim também, com a cessação do êxtase do prazer extra-mundano, surge o êxtase do afastamento, e com a cessação do êxtase do afastamento, o prazer extra-mundano surge.

20. “O Tathagata, bhikkhus, compreende isso da seguinte forma: ‘Esse bom contemplativo ou brâmane, com o abandono das idéias acerca do passado e do futuro ... e com a cessação do êxtase do afastamento, o prazer extra-mundano surge. Isso é condicionado e grosseiro, mas há a cessação das formações.’ Tendo compreendido ‘Existe isso,’ vendo a escapatória disso, o Tathagata foi além disso.

21. “Aqui, bhikkhus, um contemplativo ou brâmane, com o abandono das idéias acerca do passado e do futuro e com a completa ausência de determinação pelos grilhões do prazer sensual, e com a superação do êxtase do afastamento e do prazer extra-mundano, entra e permanece na sensação nem dolorosa, nem prazerosa. [30] Ele pensa: ‘Isto é pacífico, isto é sublime, que eu entre e permaneça na sensação nem dolorosa, nem prazerosa.’ Aquela sensação nem dolorosa, nem prazerosa cessa nele. Com a cessação da sensação nem dolorosa, nem prazerosa, surge o prazer extra-mundano, e com a cessação do prazer extra-mundano, a sensação nem dolorosa, nem prazerosa surge. Como a luz do sol permeia a área que a sombra deixa, e a sombra permeia a área que a luz do sol deixa, assim também, com a cessação do êxtase da sensação nem dolorosa, nem prazerosa, surge o prazer extra-mundano, e com a cessação do prazer extra-mundano, a sensação nem dolorosa, nem prazerosa surge.

22. “O Tathagata, bhikkhus, compreende isso da seguinte forma: ‘Esse bom contemplativo ou brâmane, com o abandono das idéias acerca do passado e do futuro ... e com a cessação do prazer extra-mundano, a sensação nem dolorosa, nem prazerosa surge. Isso é condicionado e grosseiro, mas há a cessação das formações.’ Tendo compreendido ‘Existe isso,’ vendo a escapatória disso, o Tathagata foi além disso.

23. “Aqui, bhikkhus, um contemplativo ou brâmane, com o abandono das idéias acerca do passado e do futuro e com a completa ausência de determinação pelos grilhões do prazer sensual, e com a superação do êxtase do afastamento, do prazer extra-mundano, e da sensação nem dolorosa, nem prazerosa, considera a si mesmo assim: ‘Eu estou em paz, eu realizei Nibbana, eu estou sem apego.’ [31]

24. “O Tathagata, bhikkhus, compreende isso da seguinte forma: ‘Esse bom contemplativo ou brâmane, com o abandono das idéias acerca do passado e do futuro ... considera a si mesmo assim: “Eu estou em paz, eu realizei Nibbana, eu estou sem apego.” Com certeza esse venerável declara o caminho na direção de Nibbana. No entanto, esse bom contemplativo ou brâmane ainda tem apego, apegando-se ainda a uma idéia acerca do passado ou a uma idéia acerca do futuro, ou a um grilhão do prazer sensual, ou ao êxtase do afastamento, ou ao prazer extra-mundano, ou à sensação nem dolorosa, nem prazerosa. E quando esse venerável considera a si mesmo assim: “Eu estou em paz, eu alcancei Nibbana, eu estou sem apego,” isso também é declarado como apego por parte desse bom contemplativo ou brâmane. [32] Isso é condicionado e grosseiro, mas há a cessação das formações.’ Tendo compreendido ‘Existe isso,’ vendo a escapatória disso, o Tathagata foi além disso.

25. “Bhikkhus, esse estado supremo de paz sublime foi descoberto pelo Tathagata, isto é, a libertação através do desapego, [33] por meio da compreensão de como na verdade são a origem, a cessação, a gratificação, o perigo e a escapatória no caso das seis bases do contato. Bhikkhus, esse é o estado supremo de paz sublime descoberto pelo Tathagata, isto é, a libertação através do desapego, por meio da compreensão de como na verdade são a origem, a cessação, a gratificação, o perigo e a escapatória no caso das seis bases do contato.”[34]

Isso foi o que disse o Abençoado. Os bhikkhus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Abençoado.

 


 

Notas:

[1] Este sutta é a contraparte, em “extensão média”, do mais longo Brahmajala Sutta, que faz parte do Digha Nikaya. [Retorna]

[2] Aroga, “saudável,” explicado por MA com o significado de permanente. [Retorna]

[3] No Brahmajala Sutta são mencionadas dezesseis variantes desta idéia, as oito mencionadas aqui e mais duas tétrades: o eu como finito, infinito, ambos e nenhum dos dois; e o eu experimentando exclusivamente o prazer, exclusivamente a dor, uma mescla de ambos e nenhum dos dois. Neste sutta as duas tétrades estão incluídas nas especulações sobre o passado no verso 14. [Retorna]

[4] É evidente que na lista acima, as idéias do eu como imaterial, perceptivo da unidade e perceptivo do imensurável estão baseadas na realização da base do espaço infinito. MT explica a kasina da consciência como a base da consciência infinita, mencionando que esses teorizadores afirmam que essa base é o eu. [Retorna]

[5] A percepção contida no terceiro nível imaterial – a base do nada – é a mais sutil e a mais refinada de todas as percepções mundanas. Embora ainda haja um certo tipo de percepção no quarto nível imaterial, ela é tão sutil que não é mais considerado apropriado designá-la como percepção. [Retorna]

[6] MA parafraseia assim: “Todos esses tipos de percepção, juntamente com as idéias, são condicionadas e porque são condicionadas, são grosseiras. Mas existe Nibbana, chamado de cessação das formações, isto é, do condicionado. Tendo compreendido ‘Existe isso,’ de que Nibbana existe, vendo a escapatória do condicionado, o Tathagata foi além do condicionado.” [Retorna]

[7] A segunda tétrade do verso 3 é aqui deixada de lado, visto que o eu é concebido como não perceptivo. No Brahmajala Sutta são mencionadas oito variantes desta idéia, estas quatro mais a tétrade finito-infinito. [Retorna]

[8] MA indica que esta afirmação é feita com referência aos planos de existência nos quais existem os cinco agregados. Nos planos imateriais a consciência ocorre sem o agregado da forma material e no plano não-perceptivo existe a forma material sem a percepção. Mas a consciência nunca ocorre sem os outros três agregados mentais. [Retorna]

[9] O Brahmajala Sutta menciona oito variantes desta idéia, estas quatro mais a tétrade finito-infinito. [Retorna]

[10] Sammoha, obviamente, aqui tem um significado distinto do usual, “confusão” ou “delusão.” [Retorna]

[11] MA explica o composto ditthasutamutaviññatabba com o significado de “aquilo que é para ser conscientizado como o visto, ouvido e sentido” e entende que isto se refere à cognição através das portas dos meios dos sentidos. No entanto, isto também pode abranger todas as cognições grosseiras através da porta da mente. Para penetrar a quarta realização imaterial, todas as “formações mentais” comuns envolvidas no processo cognitivo precisam ser superadas, pois a persistência destas é um obstáculo para entrar nessa realização. Por conseguinte, ela é chamada “não perceptiva” (n'eva saññi). [Retorna]

[12] Sasankharavasesasamapatti. Dentro da quarta realização imaterial permanece um resíduo de formações mentais extremamente sutis. Por conseguinte, é chamada de “não não-perceptiva” (nasaññi). [Retorna]

[13] O Brahmajala explica sete tipos de doutrina de aniquilação, aqui todas estão ajuntadas numa só. [Retorna]

[14] O “medo e repulsa pela identidade” é um aspecto de vibhavatanha, o desejo pela não existência. A doutrina de aniquilação à qual esse desejo dá origem, ainda envolve a identificação da identidade com o eu – um eu que é aniquilado com a morte – e assim, apesar da negação, ata o teorista ao ciclo de existências. [Retorna]

[15] Até este ponto, foram analisadas apenas quatro das cinco categorias originais de especulações sobre o futuro. O Brahmajala abrange as cinco categorias, incluindo Nibbana, aqui e agora. Não há uma explicação convincente para a omissão neste sutta, levantando a suspeita de que esse trecho tenha se perdido no processo da transmissão oral. [Retorna]

[16] Esta idéia inclui todas as quatro doutrinas da eternidade com especulações acerca do passado mencionadas no Brahmajala. [Retorna]

[17] Visto que esta é uma idéia que se refere ao passado, pode ser entendido que o eu e o mundo surgiram de modo espontâneo a partir do nada, em algum momento no passado. Isto compreende as duas doutrinas de origem fortuita mencionadas no Brahmajala, tal como afirma MA. [Retorna]

[18] Isto inclui os quatro tipos de eternidade parcial. [Retorna]

[19] Isto pode incluir os quatro tipos de tergiversação interminável ou “contorção de enguias” do Brahmajala. [Retorna]

[20] As idéias 5-8 correspondem de modo exato aos quatro ‘extencionistas’ do Brahmajala. [Retorna]

[21] As oito idéias (9-16) no Brahmajala, estão incluídas como parte das doutrinas de percepção da imortalidade que fazem parte das especulações sobre o futuro. [Retorna]

[22]Isto é, eles têm que aceitar a doutrina deles com base em outra coisa que não o conhecimento verdadeiro, e essa coisa envolve a crença ou o raciocínio. No MN 95.14 é dito que os cinco fundamentos para a convicção produzem conclusões que tanto podem ser falsas como verdadeiras. [Retorna]

[23] MA: Isto não é na verdade conhecimento, mas entendimento incorreto; portanto, é declarado como apego a idéias. [Retorna]

[24] MA diz que neste ponto todas as sessenta e duas idéias mencionadas no Brahmajala Sutta foram incorporadas, no entanto, este sutta possui um escopo ainda mais amplo, visto que inclui uma exposição da idéia de uma identidade (implícito de forma especial no verso 24). [Retorna]

[25] Este título e o numeral Romano “V” que segue, foram inseridos na suposição de que este trecho representaria a doutrina de Nibbana, aqui e agora, mencionada mas não explicada anteriormente. [Retorna]

[26] MA: Esta seção tem a intenção de mostrar como todas as sessenta e duas idéias especulativas surgem sob a influência da idéia de uma identidade. [Retorna]

[27] Pavivekam pitim. Isto se refere aos dois primeiros jhanas, que incluem piti. [Retorna]

[28] MA explica que esta é a aflição provocada pela perda do jhana. A aflição não surge de imediato após a cessação do jhana, mas só após refletir acerca do seu desaparecimento. [Retorna]

[29] Niramisam sukham. Este é o prazer do terceiro jhana. [Retorna]

[30] O quarto jhana. [Retorna]

[31] Santo'ham asmi, nibbuto'ham asmi, anupadano'ham asmi. A expressão em Pali aham asmi, “Eu estou”, revela que ele ainda está envolvido com o apego, como será apontado pelo Buda. [Retorna]

[32] MA entende que esta é uma alusão à idéia de uma identidade. Portanto, ele ainda tem apego a uma idéia. [Retorna]

[33] MA menciona que em outros textos a expressão “libertação através do desapego”, (anupada vimokkha), significa Nibbana, mas aqui significa a realização do fruto de arahant. [Retorna]

[34] O Brahmajala Sutta também aponta para o entendimento da origem, etc., das seis bases de contato como o caminho para transcender todas as idéias. [Retorna]

 

 

Revisado: 19 Fevereiro 2008

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