Digha Nikaya 13

Tevijja Sutta

O Conhecimento Tríplice – O Caminho para Brahma

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1. Assim ouvi. Em certa ocasião o Abençoado estava perambulando por Kosala com uma grande sangha de bhikkhus até que por fim acabou chegando em um vilarejo brâmane denominado Manasakata e se instalou ao norte do vilarejo em um manguezal às margens do Rio Aciravati.

2. Agora, naquela ocasião muitos brâmanes prósperos e bem conhecidos estavam em Manasakata, isto é, o brâmane Canki, o brâmane Tarukkha, o brâmane Pokkharasati, o brâmane Janussoni, o brâmane Todeyya.

3. Vasettha e Bharadvaja estavam caminhado ao longo da estrada, como costumavam fazer, quando iniciaram uma discussão sobre o tema do caminho correto e do incorreto.

4. O estudante Brâmane Vasettha disse: “Este é o único caminho correto, este é o caminho direto, o caminho da salvação que conduz aquele que o segue à união com Brahma, da forma como foi ensinado pelo Brâmane Pokkharasati!”[1]

5. E o estudante Brâmane Bharadvaja disse: “Este é o único caminho correto … da forma como foi ensinado pelo Brâmane Tarukkha!”

6. Mas o estudante brâmane Vasettha não foi capaz de convencer o estudante brâmane Bharadvaja, nem o estudante brâmane Bharadvaja foi capaz de convencer o estudante brâmane Vasettha.

7. Então o estudante brâmane Vasettha disse para o estudante brâmane Bharadvaja: “O contemplativo Gotama está ao norte do vilarejo e acerca desse contemplativo existe essa boa reputação: ‘Esse Abençoado é um arahant , perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um líder insuperável de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, desperto, sublime. Ele declara - tendo realizado por si próprio com o conhecimento direto - este mundo com os seus devas, maras e brahmas, esta população com seus contemplativos e brâmanes, seus príncipes e povo. Ele ensina o Dhamma, com o significado e fraseado corretos, que é admirável no início, admirável no meio, admirável no final; e ele revela uma vida santa que é completamente perfeita e imaculada. É bom poder encontrar alguém tão nobre.’ Vamos até o contemplativo Gotama perguntar-lhe sobre isso, aquilo que ele nos disser, deveríamos aceitar.” E o estudante brâmane Bharadvaja concordou.

8. Assim, os dois foram até o Abençoado e eles se cumprimentaram. Quando a conversa cortês e amigável havia terminado eles sentaram a um lado e Vasettha disse: “Mestre Gotama, quando estávamos caminhando ao longo da estrada começamos a discutir sobre os caminhos corretos e incorretos. Eu disse: ‘Este é o único caminho correto … da forma como foi ensinado pelo Brâmane Pokkharasati’ e Bharadvaja disse: ‘Este é o único caminho correto … da forma como foi ensinado pelo Brâmane Tarukkha.’ Essa é a nossa disputa, a nossa rixa, nossa diferença.”

9. “Então, Vasettha, você diz que o caminho para a união com Brahma é ensinado pelo Brâmane Pokkharasati e Bharadvaja diz que ele é ensinado pelo Brâmane Tarukha. Mas sobre o que é a disputa, a rixa, a diferença?”

10. “Caminhos corretos e incorretos Mestre Gotama. Existem vários tipos de Brâmanes que ensinam diferentes caminhos: o Addhariya, o Tittiriya, o Chandoka, o Chandava, o Brahmacariya - todos esses caminhos conduzem à união com Brahma? Como se houvesse próximo a uma cidade ou vilarejo muitos caminhos diferentes, todos esses caminhos chegariam juntos no mesmo lugar? E da mesma forma, os caminhos dos vários Brâmanes … conduzem aqueles que os seguem à união com Brahma?”

11. “Você diz: ‘Eles conduzem,’ Vasettha?” - “Eu digo: ‘Eles conduzem,’ Mestre Gotama.”

“Você diz: ‘Eles conduzem,’ Vasettha?” - “Eu digo: ‘Eles conduzem,’ Mestre Gotama.”

“Você diz: ‘Eles conduzem,’ Vasettha?” - “Eu digo: ‘Eles conduzem,’ Mestre Gotama.”

12. “Mas, Vasettha, existe pelo menos um desses brâmanes, mestres nos três Vedas, que tenha visto Brahma cara a cara?” - “Não Mestre Gotama.”

“Então o mestre de algum desses mestres viu Brahma cara a cara?” - “Não, Mestre Gotama.”

“Então os ancestrais até a sétima geração passada do mestre de algum desses mestres viu Brahma cara a cara?” - “Não, Mestre Gotama.”

13. “Como então, Vasettha, os antigos brâmanes videntes, os criadores dos mantras, os compositores dos mantras antigos, que antigamente eram recitados, falados e compilados, e que ainda hoje os brâmanes recitam e repetem, repetindo o que foi dito e recitando o que foi recitado – isto é, Atthaka, Vamaka, Vamadeva, Vessamitta, Yamataggi, Angirasa, Bharadvaja, Vasettha, Kassapa e Bhagu [2] – eles alguma vez disseram: ‘Nós sabemos e vemos como e onde Brahma aparece’?” [3] - “Não, Mestre Gotama.”

 14. “Portanto, Vasettha, nenhum desses Brâmanes, mestres nos três Vedas, viu Brahma cara a cara, tampouco um dos mestres desses Brâmanes, ou os mestres dos mestres, nem mesmo as últimas sete gerações ancestrais de um dos mestres. Nem mesmo um dos antigos sábios poderia dizer: ‘Nós sabemos e vemos, quando, como e onde Brahma aparece.’ Então aquilo que esses Brâmanes, mestres nos três Vedas estão dizendo é: ‘Nós ensinamos este caminho para a união com Brahma que nós não conhecemos nem vemos, este é o único caminho correto … conduzindo à união com Brahma.’ O que você pensa, Vasettha? Sendo esse o caso, aquilo que esses Brâmanes declaram não se mostra sem fundamento?” - “Sim, de fato, Mestre Gotama.”

15. “Bem, Vasettha, quando esses Brâmanes, mestres nos três Vedas ensinam um caminho que eles não conhecem nem vêm, dizendo: ‘Esse é o único caminho direto …,’ não é possível que isso seja correto. Como uma fila de homens cegos segurando um no outro, o primeiro nada vê, o do meio nada vê e o último nada vê – [4] assim é a conversa desses Brâmanes, mestres nos três Vedas: o primeiro nada vê, o do meio nada vê, o último nada vê. A conversa desses Brâmanes, mestres nos três Vedas aparece como motivo de risos, como meras palavras, vazias e inúteis.”

16. “O que você pensa, Vasettha? Esses Brâmanes, mestres nos três Vedas, vêm o sol e a lua da mesma forma como as outras pessoas os vêm, e quando o sol e a lua nascem e se põem, eles rezam, cantam louvores e veneram com as mãos postas?” - “Eles assim fazem, Mestre Gotama.”

17. “O que você pensa, Vasettha? Esses Brâmanes, mestres nos três Vedas, que vêm o sol e a lua da mesma forma que as outras pessoas, eles podem indicar um caminho para a união com o sol e a lua, dizendo: ‘Este é o único caminho … que conduz à união com o sol e a lua’?” - “Não, Mestre Gotama.”

18. “Portanto, Vasettha, esses Brâmanes, mestres nos três Vedas não podem indicar um caminho para a união com o sol e a lua, vistos por eles. E, também, nenhum deles viu Brahma cara a cara … nem mesmo as últimas sete gerações ancestrais de um dos mestres. Nem mesmo um dos antigos sábios poderia dizer: ‘Nós sabemos e vemos quando, como e onde Brahma aparece.’ Aquilo que esses Brâmanes declaram não se mostra sem fundamento?” - “Sim, de fato, Mestre Gotama.”

19. “Vasettha, suponha que um homem dissesse: ‘Eu estou apaixonado pela moça mais bonita deste país.’ Então eles lhe perguntariam: ‘Bom homem, essa moça mais bonita deste país pela qual você está apaixonado – você sabe se ela é da classe nobre ou da classe dos brâmanes, ou da classe dos comerciantes, ou da classe dos trabalhadores?’ e ele responderia: ‘Não.’ Então eles lhe perguntariam: ‘Bom homem, essa moça mais bonita deste país pela qual você está apaixonado – você sabe o nome e o clã dela? … Se ela é alta ou baixa ou com estatura média? … Se ela tem a complexão escura, clara ou dourada? … Qual vilarejo, vila ou cidade ela vive?’ e ele responderia: ‘Não.’ E então eles lhe perguntariam: ‘Bom homem, você então está apaixonado por uma moça que você nem conhece ou viu?’ e ele responderia: ‘Sim.’ O que você pensa, Vasettha, em sendo assim, a conversa daquele homem não seriam apenas tolices?” - “Com certeza, Mestre Gotama.”

20. “Então, Vasettha, é assim: nenhum desses Brâmanes … viu Brahma cara a cara, tampouco um dos mestres desses Brâmanes …” - “Sim, de fato, Mestre Gotama.”

“Correto, Vasettha. Quando esses Brâmanes, mestres nos três Vedas ensinam um caminho que eles não conhecem e vêm, não é possível que isso seja correto.”

21. “Vasettha, é como se um homem fosse construir uma escadaria para um palácio numa encruzilhada. As pessoas poderiam dizer: ‘Essa escadaria para o palácio – você sabe se a frente do palácio estará para o leste ou oeste, norte ou sul ou se o palácio será alto, baixo ou médio?’ e ele diria: ‘Não.’ E elas poderiam dizer: ‘Bem então, você não sabe ou imagina para que tipo de palácio está construindo a escadaria?’ e ele responderia: ‘Não.’ A conversa daquele homem não seriam apenas tolices?” - “Com certeza, Mestre Gotama.”

22-23. (igual ao verso 20)

24. “Vasettha, é como se este Rio Aciravati estivesse cheio de água até a borda de forma que um corvo pudesse nele beber, e um homem viesse desejando cruzar até a outra margem, até o outro lado e, estando em pé na margem, ele chamasse: ‘Venha para cá outra margem, venha para cá!’ O que você pensa, Vasettha? A outra margem do Rio Aciravati viria para esta margem por conta do chamado, pedido, súplica ou sedução daquele homem?” - “Não, Mestre Gotama.”

25. “Bem então, Vasettha, aqueles Brâmanes, mestres nos três Vedas que com persistência negligenciam aquilo que um Brâmane deveria fazer e com persistência fazem aquilo que um Brâmane não deveria fazer, declarando: ‘Nós fazemos súplicas a Indra, Soma, Varuna, Isana, Pajapati, Brahma, Mahiddhi, Yama.’ Mas esses Brâmanes que com persistência negligenciam aquilo que um Brâmane deveria fazer … poderão, como conseqüência do seu chamado, pedido, súplica ou sedução, obter após a morte, na dissolução do corpo, a união com Brahma – isso não é possível.”

26. “Vasettha, é como se este Rio Aciravati estivesse cheio de água até a borda de forma que um corvo pudesse nele beber, e um homem viesse desejando cruzar até a outra margem … mas ele estivesse atado e aprisionado nesta margem por uma forte corrente, com as mãos atrás das costas. O que você pensa, Vasettha? Aquele homem seria capaz de cruzar até a outra margem?” - “Não, Mestre Gotama.”

27. “Da mesma forma, Vasettha, na disciplina dos nobres esses cinco elementos do prazer sensual são chamados de correntes e grilhões. Quais cinco? Formas conscientizadas através do olho que são desejáveis, agradáveis e fáceis de serem gostadas, conectadas com o desejo sensual e que provocam a cobiça. Sons conscientizados através do ouvido … Aromas conscientizados através do nariz … Sabores conscientizados através da língua … Tangíveis conscientizados através do corpo que são desejáveis, agradáveis e fáceis de serem gostados, conectados com o desejo sensual e que provocam a cobiça. Esses cinco elementos do prazer sensual na disciplina dos nobres são chamados de correntes e grilhões. E, Vasettha, aqueles Brâmanes, mestres nos três Vedas, estão escravizados, apaixonados por esses cinco elementos do prazer sensual, dos quais eles desfrutam com um senso de culpa, sem se dar conta do perigo, sem saber como escapar.”

28. “Mas que esses Brâmanes, mestres nos três Vedas, que com persistência negligenciam aquilo que um Brâmane deveria fazer … que estão escravizados por esses cinco elementos do prazer sensual … sem saber como escapar, possam alcançar depois da morte, com a dissolução do corpo, a união com Brahma – isso não é possível.”

29. “É como se este Rio Aciravati estivesse cheio de água até a borda de forma que um corvo pudesse nele beber, e um homem viesse desejando cruzar até a outra margem … e ele se deitasse na margem, cobrindo a cabeça com um xale. O que você pensa, Vasettha? Aquele homem seria capaz de chegar até a outra margem?” - “Não, Mestre Gotama.”

30. “Da mesma forma, Vasettha, na disciplina dos nobres esses cinco obstáculos são chamados de obstruções, empecilhos, envolvedores, coberturas. Quais cinco? O obstáculo do desejo sensual, da má vontade, da preguiça e torpor, da inquietação e ansiedade, da dúvida. Esses cinco são chamados obstáculos, obstruções, empecilhos, envolvedores, coberturas. E esses Brâmanes, mestres nos três Vedas estão aprisionados, confinados, obstruídos, enredados por esses cinco obstáculos. Mas que esses Brâmanes, mestres nos três Vedas, que com persistência negligenciam aquilo que um Brâmane deveria fazer … que estão aprisionados … enredados por esses cinco obstáculos, possam alcançar depois da morte, com a dissolução do corpo, a união com Brahma – isso não é possível.”

31. “O que você pensa, Vasettha? O que você ouviu dito pelos Brâmanes que são veneráveis, anciãos, os mestres dos mestres? Brahma é sobrecarregado por esposa e riqueza ou ele não é sobrecarregado?” - “Não é sobrecarregado, Mestre Gotama.”

“Ele é cheio de raiva ou sem raiva?” - “Sem raiva, Mestre Gotama.”

“‘Ele é cheio de má vontade ou sem má vontade?” - “Sem má vontade, Mestre Gotama.”

“Ele é impuro ou puro?” - “Puro, Mestre Gotama.”

“Ele é disciplinado [5] ou indisciplinado?” - “Disciplinado, Mestre Gotama.”

32. “E o que você pensa, Vasettha? Os Brâmanes, mestres nos três Vedas são sobrecarregados por esposas e riqueza ou não sobrecarregados?” - “Sobrecarregados, Mestre Gotama.”

“Eles são cheios de raiva ou sem raiva?” - “Cheios de raiva, Mestre Gotama.”

“Eles são cheios de má vontade ou sem má vontade?” - “Cheios de má vontade, Mestre Gotama.”

“Eles são impuros ou puros?” - “Impuros, Mestre Gotama.”

“Eles são disciplinados ou indisciplinados?” - “Indisciplinados, Mestre Gotama.”

33. “Portanto, Vasettha, os Brâmanes, mestres nos três Vedas são sobrecarregados por esposas e riqueza e Brahma não é sobrecarregado. Existe alguma comunhão, algo em comum entre esses Brâmanes sobrecarregados e Brahma que não é sobrecarregado?” - “Não, Mestre Gotama.”

34. “Isso é correto, Vasettha. Que esses Brâmanes sobrecarregados, mestres nos três Vedas, possam após a morte, com a dissolução do corpo, estar unidos com Brahma que não é sobrecarregado – isso não é possível.”

35. “Da mesma forma, esses Brâmanes, mestres nos três Vedas cheios de raiva … cheios de má vontade … impuros … indisciplinados, têm alguma comunhão, algo em comum com o disciplinado Brahma?” - “Não, Mestre Gotama.”

36. “Isso é correto, Vasettha. Que esses Brâmanes possam após a morte estar unidos com Brahma isso não é possivel. Mas esses Brâmanes, mestres nos três Vedas, tendo sentado à margem do rio, afundam com desespero, pensando poder encontrar uma passagem segura para a outra margem. Por conseguinte o seu conhecimento tríplice é chamado de o deserto tríplice, a selva tríplice, a destruição tríplice.’

37. Depois dessas palavras Vasettha disse: “Mestre Gotama, eu ouvi dizer: ‘O Contemplativo Gotama sabe o caminho para a união com Brahma.”’

“O que você pensa, Vasettha? Suponha que houvesse um homem que tivesse nascido e crescido em Manasakata, e alguém que viesse para Manasakata e estivesse perdido, perguntasse qual era o caminho. Aquele homem, nascido e crescido em Manasakata, ficaria num estado de confusão e perplexidade?” - “Não, Mestre Gotama. E por que não? Porque aquele homem conheceria todos os caminhos.”

38. “Vasettha, poder-se-ia dizer que aquele homem ao ser perguntado o caminho pudesse ficar confuso e perplexo, mas o Tathagata, ao ser perguntado sobre o mundo de Brahma e o caminho para chegar lá, com certeza não ficaria confuso ou perplexo. Pois, Vasettha, eu conheço Brahma e o mundo de Brahma e o caminho para o mundo de Brahma e o caminho da prática pelo qual o mundo de Brahma poderá ser conquistado.”

39. Com isso Vasettha disse: “Mestre Gotama, eu ouvi dizer: ‘O Contemplativo Gotama sabe o caminho para a união com Brahma.’ Seria bom se o Mestre Gotama pudesse nos ensinar o caminho para a união com Brahma, que o Mestre Gotama ajude o povo de Brahma!”

“Então, Vasettha, ouça e preste muita atenção àquilo que eu vou dizer.” - “Sim, venerável Senhor,” Vasettha respondeu. O Abençoado disse o seguinte:

40-75. “Vasettha, um Tathagata surge no mundo, um arahant , perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um líder insuperável de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, desperto, sublime. Ele declara - tendo realizado por si próprio com o conhecimento direto - este mundo com os seus devas, maras e brahmas, esta população com seus contemplativos e brâmanes, seus príncipes e povo. Ele ensina o Dhamma, com o significado e fraseado corretos, que é admirável no início, admirável no meio, admirável no final; e ele revela uma vida santa que é completamente perfeita e imaculada. Um discípulo segue a vida santa, pratica a virtude e alcança o primeiro jhana. (igual ao DN 2, versos 43-75)

76. “Então, com o coração pleno de amor bondade, ele permanece permeando o primeiro quadrante com a mente imbuída de amor bondade, da mesma forma o segundo, da mesma forma o terceiro, da mesma forma o quarto; assim, acima, abaixo, em volta e em todos os lugares, para todos bem como para si mesmo, ele permanece permeando o mundo todo com a mente imbuída de amor bondade, abundante, transcendente, imensurável, sem hostilidade e sem má vontade.

77. “Como se um poderoso trompetista fizesse com pouca dificuldade uma proclamação aos quatro quadrantes, da mesma forma através desta meditação, Vasettha, através desta libertação da mente através do amor bondade ele não deixa nada sem ser tocado, nada no reino do sensual sem ser tocado. [6] Esse, Vasettha, é o caminho para a união com Brahma.

78. “Então, com o coração pleno de compaixão … alegria altruísta … equanimidade ele permanece permeando o primeiro quadrante com a mente imbuída de equanimidade, da mesma forma o segundo, da mesma forma o terceiro, da mesma forma o quarto; assim, acima, abaixo, em volta e em todos os lugares, para todos bem como para si mesmo, ele permanece permeando o mundo todo com a mente imbuída de equanimidade, abundante, transcendente, imensurável, sem hostilidade e sem má vontade.

79. “Como se um poderoso trompetista fizesse com pouca dificuldade uma proclamação aos quatro quadrantes, da mesma forma através desta meditação, Vasettha, através desta libertação da mente através da compaixão … alegria altruísta … equanimidade ele não deixa nada sem ser tocado, nada no reino do sensual sem ser tocado. Esse, Vasettha, é o caminho para a união com Brahma.

80. “O que você pensa, Vasettha? Um bhikkhu que assim permaneça será sobrecarregado por esposa e riqueza ou não sobrecarregado?” - “Não sobrecarregado, venerável Gotama. Ele não terá raiva … má vontade … será puro e disciplinado, venerável Gotama.”

81. “Então, Vasettha, o bhikkhu não é sobrecarregado e Brahma não é sobrecarregado. Esse bhikkhu não sobrecarregado tem algo em comum com Brahma não sobrecarregado?” - “Sim, de fato, venerável Gotama.”

“Isso é correto, Vasettha. Então que esse bhikkhu não sobrecarregado, após a morte, com a dissolução do corpo, possa alcançar a união com Brahma não sobrecarregado – isso é possivel. Da mesma forma um bhikkhu sem raiva … sem má vontade … puro … disciplinado … Então, que esse bhikkhu disciplinado, após a morte, com a dissolução do corpo, possa alcançar a união com Brahma disciplinado – isso é possível.”

82. Depois que isso foi dito os jovens brâmanes Vasettha e Bharadvaja disseram para o Abençoado: “Magnífico, Mestre Gotama! Magnífico, Mestre Gotama! Mestre Gotama esclareceu o Dhamma de várias formas, como se tivesse colocado em pé o que estava de cabeça para baixo, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para alguém que estivesse perdido ou segurasse uma lâmpada no escuro para aqueles que possuem visão pudessem ver as formas. Nós buscamos refúgio no Mestre Gotama, no Dhamma e na Sangha dos bhikkhus. Que o Mestre Gotama nos aceite como discípulos leigos que nele buscaram refúgio para o resto da vida.”[7]

 


 

Notas:

[1] A união com Brahma era o objetivo máximo dos Brâmanes. [Retorna]

[2] Os dez rishi autores dos mantras Védicos conforme o MN 95.13.[Retorna]

[3] Conforme o DN11.80.[Retorna]

[4] Conforme o MN 95.13 [Retorna]

[5] Vasavatti: tem o sentido literal de ‘poderoso’ mas neste caso significa ter poder ou controle sobre si mesmo. [Retorna]

[6] Pamana katam de acordo com DA denota o reino da esfera sensual (kamaloka). [Retorna]

[7] Veja também o DN 27, MN 98 e Sn. 594ff. DA diz que Vasettha tomou refúgio pela primeira vez depois de ouvir o Vasettha Sutta (MN 98), e que esta foi a segunda toma de refúgio. Ele acabou seguindo a vida santa e depois de ouvir o Aggañña Sutta (DN 27) recebeu a admissão completa como bhikkhu e alcançou o estado de Arahant. [Retorna]

 

 

Revisado: 16 Abril 2013

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