Anguttara Nikaya I.49-52

Pabhassara Sutta

Luminosa

Somente para distribuição gratuita.
Este trabalho pode ser impresso para distribuição gratuita.
Este trabalho pode ser re-formatado e distribuído para uso em computadores e redes de computadores
contanto que nenhum custo seja cobrado pela distribuição ou uso.
De outra forma todos os direitos estão reservados.

 


“Luminosa, bhikkhus, é a mente.[1] E ela é contaminada pelas corrupções adventícias.”

“Luminosa, bhikkhus, é a mente. E ela é libertada das corrupções adventícias.”

“Luminosa, bhikkhus, é a mente. E ela é contaminada pelas corrupções adventícias. A pessoa comum sem instrução não compreende isso tal como na verdade é, por isso lhes digo que – para a pessoa comum sem instrução – não existe desenvolvimento da mente.”

“Luminosa, bhikkhus, é a mente. E ela é libertada das corrupções adventícias. O nobre discípulo bem instruído compreende isso tal como na verdade é, por isso lhes digo que – para o nobre discípulo bem instruído – existe o desenvolvimento da mente.”

 


 

Nota de Thanissaro Bhikkhu:

1. Esta afirmação gerou muita controvérsia ao longo dos séculos. O Comentário afirma que “mente” neste caso se refere a bhavanga-citta, mas essa afirmação levanta mais questões do que respostas. Não há referência a bhavanga-citta ou fluxo mental em nenhum dos suttas (isto aparece pela primeira vez no Patthana do Abhidhamma); e como os comentários comparam bhavanga-citta com o sono profundo, por que isso é chamado de luminoso? E por que a compreensão da sua luminosidade seria um pré-requisito para o desenvolvimento da mente? E além disso, se “mente” neste sutta significa bhavanga-citta, o que significaria desenvolver bhavanga-citta?

Outra interpretação iguala a luminosidade da mente com a “consciência sem características,” descrita como “luminosa” no MN 49 e no DN 11, mas esta interpretação também é problemática. De acordo com o MN 49, essa consciência não compartilha nada do mundo descritível, nem mesmo a “Totalidade do Todo,” então como poderia ela estar poluída? E, como ela não pode ser alcançada até que o objetivo da prática seja realizado, por que a compreensão da sua luminosidade seria um pré-requisito para o desenvolvimento da mente? E uma vez mais, se “mente” neste caso significa a consciência sem características, como pode este sutta falar sobre o seu desenvolvimento?

Uma abordagem mais razoável para compreender a afirmação deste sutta pode ser derivada tomando-a dentro do seu contexto: a mente luminosa é a mente que o meditador está tentando desenvolver. Compreender a sua luminosidade significa compreender que as máculas,como a cobiça, raiva e delusão, não são intrínsecas à natureza da mente, não são uma parte necessária da consciência. Sem essa compreensão seria impossível praticar. Com essa compreensão, no entanto, a pessoa poderá se esforçar para eliminar as máculas existentes, deixando a mente em um estado que o MN 24 denomina “purificação da Mente.” Isso corresponde ao nível luminoso de concentração descrito no simile do quarto jhana: “E além disso, com o completo desaparecimento da felicidade, um bhikkhu entra e permanece no quarto jhana, que possui nem felicidade nem sofrimento, com a atenção plena e a equanimidade purificadas. Ele permanece permeando o corpo com a mente pura e luminosa, de forma que não exista nada em todo o corpo que não esteja permeado pela mente pura e luminosa.” A partir desse estado é possível desenvolver o insight que não somente elimina as máculas existentes mas também desenraiza qualquer possibilidade de que elas possam surgir novamente. Somente nos estágios da iluminação que vêm depois desse insight será alcançada a “consciência sem características”. [Retorna]

Veja também: Upakkilesa Sutta - SN XLVI.33.

>> Próximo Sutta

 

 

Revisado: 16 Dezembro 2006

Copyright © 2000 - 2017, Acesso ao Insight - Michael Beisert: editor, Flávio Maia: designer.