As Três Perguntas do Imperador

Por

Ajaan Brahmavamso

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Eu recebi um convite para dar a principal palestra sobre educação num seminário em Perth. Fiquei me perguntando o porquê. Quando cheguei no local do evento, uma mulher, cujo crachá indicava que ela era a organizadora do seminário, se aproximou para me dar as boas vindas. “Você se lembra de mim?” Ela perguntou.

Essa é uma das perguntas mais perigosas de ser respondida. Eu preferi ser direto e disse, “Não.”

Ela sorriu e me disse que fazia sete anos eu havia dado uma palestra na escola na qual ela era a diretora. Uma história que contei na escola dela mudou o rumo da sua carreira. Ela pediu demissão do cargo de diretora para trabalhar incansavelmente no estabelecimento de um programa para crianças que haviam sido excluídas do sistema – crianças de rua, prostitutas menores de idade, viciados em drogas – para dar-lhes uma nova oportunidade, ajustada à situação delas. A minha história, ela me disse, era a filosofia que suportava o programa. A história foi adaptada de um livro de histórias curtas compiladas por Leon Tolstoy que li quando era um estudante.

Num passado distante, um imperador buscava por uma filosofia de vida. Ele precisava de sabedoria para guiar o seu governo e dirigir a si mesmo. As religiões e filosofias da época não o satisfaziam. Assim ele foi em busca da sua própria filosofia nas experiências da vida.

Passado algum tempo ele compreendeu que só precisava das respostas para apenas três questões fundamentais. Com essas respostas ele teria todo o direcionamento sábio que precisava. As três questões eram as seguintes:

1 Qual é o momento mais importante?

2 Quem é a pessoa mais importante?

3 Qual é a coisa mais importante a ser feita?

Depois de uma longa busca, que ocupou a maior parte da história original, ele encontrou as três respostas numa visita a um eremita. O que vocês acham que foram as respostas? Por favor, olhem novamente para as perguntas. Façam uma pausa antes de continuar a ler.

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Todos sabemos a resposta para a primeira questão, mas nós a esquecemos com demasiada freqüência. O momento mais importante é claro que é “agora.” Esse é o único momento que temos. Portanto se você quiser dizer para o seu pai ou mãe o quanto você os ama, quão agradecido você é por eles serem os seus pais, então faça isso agora. Não amanhã. Não em cinco minutos. Agora. Em cinco minutos quase sempre é tarde demais. Se você precisa se desculpar com o seu parceiro, não comece a pensar em todos os motivos porque você não deveria fazer isso. Simplesmente faça isso agora. A oportunidade poderá não surgir novamente. Aproveite a ocasião.

A resposta para a segunda questão é poderosamente profunda. Poucas pessoas adivinham a resposta correta. Quando li a resposta quando era um estudante, fiquei com aquilo na cabeça por dias. A resposta projetou uma profundidade na questão que eu jamais havia imaginado. A resposta é que a pessoa mais importante é aquela com a qual você está.

Eu me recordei de ter feito perguntas para os professores na universidade e de não ser ouvido. Eles pareciam ouvir, mas no íntimo queriam que eu fosse embora. Eles tinham coisas mais importantes para fazer. Isso é o que eu sentia e essa sensação era muito ruim. Eu também me recordei de ter criado coragem para me aproximar de um famoso palestrante e fazer uma pergunta pessoal e ser agradavelmente surpreendido com a completa atenção dele. Outros professores estavam esperando para falar como ele e eu era apenas um estudante cabeludo, mas ele fez com que eu me sentisse importante. A diferença foi enorme.

A comunicação e o amor só podem ser compartidos quando a pessoa com a qual você está, não importa quem ela seja, é a pessoa mais importante no mundo naquele momento. Elas sentem isso. Elas sabem disso. Elas retribuem.

Pessoas casadas com freqüência se queixam de que o parceiro na verdade não as ouve. O que elas querem dizer é que o parceiro não faz com que elas se sintam importantes. Os advogados que tratam de divórcios teriam de procurar outro emprego se todas as pessoas envolvidas num relacionamento se lembrassem da resposta para a segunda pergunta do imperador e a colocassem em prática de modo que, sem importar quão cansados ou ocupados estejamos, quando estivermos com o nosso parceiro, faremos com que ele se sinta como se fosse a pessoa mais importante no mundo.

No mundo dos negócios, quando a pessoa com a qual estamos é um cliente em potencial, se a tratarmos como a pessoa mais importante para nós naquele momento, as nossas vendas irão crescer e com isso o nosso salário.

O imperador na história original escapou de ser assassinado por ouvir atentamente o conselho de um menino no caminho para visitar o eremita. O poderoso imperador estava com uma mera criança, mas aquele menino era para ele a pessoa mais importante no mundo e salvou a vida do imperador. Quando meus amigos vêm até mim ao final de um longo dia para contar sobre os seus problemas, eu me lembro da resposta do imperador para a segunda pergunta e lhes dou total importância. Isso é abnegação. A compaixão provê a energia e funciona.

A organizadora do seminário sobre educação, nas suas primeiras entrevistas com as crianças que ela estava tentando ajudar, colocou em prática que a pessoa mais importante é aquela com a qual você está. Para muitas daquelas crianças foi a primeira vez na vida que elas se sentiram valorizadas, especialmente por um adulto influente. Além disso, ao dar-lhes importância, ela estava ouvindo completamente, ao invés de estar julgando. As crianças estavam sendo ouvidas. O programa foi desenhado dessa forma. As crianças se sentiram respeitadas e o programa funcionou. A minha palestra não foi a mais importante no final das contas. Uma das crianças discursou depois de mim. Ele relatou a sua história de problemas familiares, drogas e crimes e como o programa havia trazido de volta a esperança para a sua vida e como em breve ele estaria indo para a universidade. No final eu estava com os olhos molhados. Esse foi o principal discurso.

Na maior parte do tempo você está sozinho. Então, a pessoa mais importante, aquela com a qual você está, é você mesmo. Há tempo suficiente para dar importância para si mesmo. Quem é a primeira pessoa que você toma consciência ao despertar pela manhã? Você! Alguma vez você disse, “Bom dia, eu. Aproveite o seu dia!”? Eu digo. Quem é a última pessoa da qual você tem consciência quando vai dormir? Novamente você! Eu digo boa noite para mim mesmo. Eu dou importância a mim mesmo nos muitos momentos em que estou só durante o meu dia. E funciona.

A resposta para a terceira questão do imperador, “Qual é a coisa mais importante a ser feita?” É se importar. “Importar-se” engloba ser cuidadoso e compassivo. A resposta ilustra que a coisa mais importante é o que temos em mente.

Antes de descrever o que significa se importar, empregando uma história, resumirei as três questões do imperador, junto com as respostas:

1 Qual é o momento mais importante? Agora.

2 Quem é a pessoa mais importante? A pessoa com a qual você está.

3 Qual é a coisa mais importante a ser feita? Importar-se.

 


 

Leia a seqüência desta história.

 

 

Revisado: 23 Dezembro 2006

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